
As políticas populistas podem ajudar a vencer eleições, mas comprometem o crescimento econômico de longo prazo – e taxas baixas são usadas pelos líderes populistas como forma de mascarar o equívoco das políticas econômicas até que seja tarde demais.
Isso tem sido visto, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump tem pressionado o Federal Reserve (o Banco Central do país) para que se reduza a taxa de juros mesmo com a inflação acima da meta.
“Reduzir a taxa de juros do Fed não garante crédito barato em toda a economia — nem para consumidores e empresas, nem para o próprio governo”, afirma a economista Şebnem Kalemli-Özcan, professora da Brown University e ex-assessora sênior do FMI.
Em artigo publicado no Project Syndicate, ela lembra que, no momento em que a credibilidade fiscal piora ou as expectativas inflacionárias aumentam, as taxas de mercado podem subir mesmo com cortes no juro básico.
Além disso, juros artificialmente baixos não garantem crescimento sustentado, mas a insistência de líderes populistas em taxas reduzidas tem motivação eleitoral: os efeitos negativos de tarifas e estímulos de curto prazo só aparecem no médio prazo.
Juros baixos, nesse cenário, funcionam como paliativo, permitindo que consumidores e empresas continuem se endividando sem perceber a perda de renda futura.
Citando a política tarifária como exemplo, a economista explica que a imposição de tarifas sobre as importações reduz a produtividade e diminui o potencial de crescimento no futuro. Porém, dizer que está “taxando estrangeiros para reduzir impostos dos cidadãos locais” soa bem aos ouvidos do eleitorado.
Porém, o populista precisa agir rápido nesse cenário, pois sua chance de continuar no cargo será comprometida no momento em que as tarifas comprometem o crescimento e aumentam os preços.
“Por isso, governos populistas tentam forçar cortes de juros antes que a desaceleração seja percebida, esperando encobrir os danos de suas próprias políticas. Mas isso é um jogo perigoso: crédito barato pode mascarar fragilidades estruturais, mas quanto mais tempo durar, maior será o preço a ser pago no final”, explica a autora.
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