
Donald Trump tem usado seu segundo mandato na presidência dos Estados Unidos para punir inimigos e realizar lucros, e as criptomoedas tem sido uma das ferramentas usadas para isso.
Investigação realizada pelo jornal britânico Financial Times revelou que as empresas da família presidencial lucraram mais de US$ 1 bilhão apenas no último ano, graças a uma rede de empreendimentos ligados às criptomoedas, que ganharam força com políticas de incentivo do próprio governo.
De acordo com o levantamento, Trump declarou renda pessoal de US$ 57 milhões apenas com essa empresa em 2024.
O eixo central dessa estrutura é a World Liberty Financial, empresa criada pelos filhos de Trump em parceria com a família Witkoff, responsável por duas moedas — o token WLFI e a stablecoin USD1 — que já movimentaram mais de US$ 3,2 bilhões.
O “primeiro presidente cripto”
Ao ser chamado de o “primeiro presidente pró-cripto” dos EUA, Trump cumpriu uma promessa de campanha ao criar uma reserva nacional de bitcoin, afrouxar regulações e nomear aliados do setor para cargos-chave.
A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) interrompeu investigações contra empresas que haviam financiado sua posse, como Coinbase e Ripple Labs, enquanto o Departamento de Justiça passou a limitar acusações contra empresas de criptoativos, e novas normas autorizaram investimentos previdenciários em criptomoedas.
O resultado foi uma disparada dos preços: o bitcoin atingiu recordes sucessivos, e a capitalização do mercado cripto americano se expandiu como não se via desde 2021. Porém, a postura pró-cripto levantou questionamentos éticos.
Conflito entre poder e lucro
Ao contrário do que foi feito por outros presidentes, Trump não transferiu seus negócios para um “blind trust”, permanecendo beneficiário direto de um fundo administrado por seu filho Donald Trump Jr.
O império cripto de Trump também atraiu investidores bilionários e fundos soberanos do Oriente Médio e da China.
A empresa estatal MGX, de Abu Dhabi, adquiriu US$ 2 bilhões em stablecoins ligadas à família Trump, enquanto a chinesa GD Culture Group destinou US$ 300 milhões a bitcoin e ao memecoin $TRUMP.
Outro fundo dos Emirados, o Aqua 1 Foundation, comprou US$ 100 milhões em tokens da World Liberty Financial.
Para Richard Painter, ex-conselheiro de ética da Casa Branca sob George W. Bush, a situação representa um precedente perigoso uma vez que “nenhum presidente teve conflitos financeiros tão diretos com suas funções oficiais” desde a Guerra Civil norte-americana.
Política e especulação de mãos dadas
A aproximação entre governo e mercado cripto é tamanha que membros do gabinete também possuem participação direta no setor.
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, cuja corretora é custodiante de ativos da Tether, detém posição expressiva em bitcoin. O vice-presidente JD Vance e o diretor de habitação federal Bill Pulte também declararam possuir criptomoedas.
Os próprios filhos do presidente vêm promovendo os ativos da família em conferências internacionais.
Enquanto o preço do bitcoin ultrapassa os US$ 110 mil, o império cripto de Trump simboliza a fusão inédita entre poder político e enriquecimento privado — uma fronteira que, até agora, nenhum outro presidente dos Estados Unidos havia cruzado com tamanha naturalidade.
Mario Mendonça
16 de outubro de 2025 7:28 pmSe o USA fosse sério, esse laranja não seria presidente, mas presidiário!