10 de junho de 2026

Um olhar filosófico sobre a reeleição de Donald Trump

Em artigo, professor de Yale lembra que disparidades sociais e econômicas ajudam demagogos a usarem o ressentimento popular para ganhar espaço
Foto: RS/Fotos Públicas

A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos gerou uma série de questionamentos sobre os erros na campanha democrata, mas um olhar mais filosófico mostra como demagogos e aspirantes a tiranos são capazes de vencer eleições democráticas.

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“Numa democracia, qualquer pessoa é livre para concorrer a um cargo, inclusive pessoas que são totalmente inadequadas para liderar ou presidir as instituições do governo”, explica Jason Stanley, professor de filosofia da Yale University.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, Stanley lembra que um sinal de inadequação a ser considerado é a disposição do candidato em mentir com abandono, especialmente ao se apresentar como defensor contra os inimigos (internos e externos) do povo.

“Platão considerava que as pessoas comuns eram facilmente controladas por suas emoções e, portanto, suscetíveis a esse tipo de mensagem – um argumento que forma a verdadeira base da filosofia política democrática”, lembra o estudioso.

Além disso, é preciso ter em vista que a democracia é muito mais vulnerável quando a desigualdade social está muito enraizada e cada vez mais evidente, que é o que vem ocorrendo nos Estados Unidos.

“As profundas disparidades sociais e econômicas criam as condições para que os demagogos se aproveitem dos ressentimentos das pessoas e para que a democracia acabe caindo da maneira descrita por Platão”, ressalta o articulista.

Segundo Stanley, os Estados Unidos “passaram a ser definidos de forma singular por sua enorme desigualdade de riqueza, fenômeno que não pode deixar de minar a coesão social e gerar ressentimento”.

Diante de um contexto filosófico que indica que a democracia não é sustentável em tais condições, Stanley diz que “o resultado das eleições norte-americanas em 2024 não deveria ser considerado uma surpresa”.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    9 de novembro de 2024 9:24 am

    Os períodos sombríos, servem para nos propiciar a reflexão sobre desfechos contraditórios no ambiente político. Com o avanço dda ultra direita nos paíse3s de ocidecadente, principalmente dqueles que se julgam campeões da democracia, está me levando a suspeitar, que tal crescimento pode ser uma forma de grande parte do eleitorado escrever certo em linhas tortas. Ou seja: Grande parte da população, que deveria rejeitar políticos que tem mais afinaidades com o crime organizado, e que acabam recebendo expressivas votação independentemente de serem eleitos. Começo a desconfiar que grande parte da população está querendo dizer aos que realmente se preocupam e lutam pela melhoria do mundo, que parem de se iludirem com uma pseudo democracia que na prática dá tudo de sí para beneficiar os que já possueem quase tudo, enquanto o resto fica a mercê das migalhas que sobram do banquete burgês.Teoricamente a “democracia” deveria ser o sistema onde o povo manda. No entanto, na prática, nas democracias que existem no planeta terra, ao povo, em parte, resta eleger os seus mandatários que na maioria das vezes sezes são opressores do povo. Já está passando da hora de buscarmos outros caminhos para conscientizar o povo e buscar sua ibertação.

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