União Europeia decide encerrar até 2050 a era dos combustíveis fósseis no bloco

Foto: Creative Commons/Pixabay

do El País 

União Europeia decide encerrar até 2050 a era dos combustíveis fósseis no bloco

por Manuel Planelles e Álvaro Sánchez

Comissão Europeia defende benefícios econômicos de eliminar por completo os gases do efeito estufa na região até meados deste século

A era da combustão na Europa – em que o carvão, o petróleo e o gás natural foram os motores de sua próspera economia – tem prazo para acabar: 2050. A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) propôs que as emissões de gases do efeito estufa no bloco desapareçam em meados deste século, o que implica deixar de lado esses combustíveis fósseis que permitiram o expressivo crescimento do Ocidente desde 1950. Bruxelas defende, entre outros pontos, que 80% da eletricidade provenha de energias renováveis em 2050, e também que sejam usadas ferramentas tributárias para combater as tecnologias mais sujas. A Comissão calcula inclusive que essa transição trará benefícios econômicos para a UE, ao invés de prejuízos.

O Parlamento Europeu insistiu há um ano para que a Comissão apresentasse uma estratégia de longo prazo destinada a livrar a UE dessas emissões até meados do século XXI. É esse documento que Bruxelas apresentará nesta quarta-feira. O estudo, ao qual o EL PAÍS teve acesso antecipadamente, destaca que as políticas hoje vigentes na UE só permitiriam uma redução de 60% nas emissões até 2050. “Isto não é suficiente para que a UE contribua para os objetivos do Acordo de Paris”, admite Bruxelas em seu documento. Daí a necessidade de novas políticas e de estabelecer a meta de zerar as emissões dentro de pouco mais de três décadas.

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O Acordo de Paris reconhece que o aquecimento global já é irreversível, por isso os signatários se conformam em limitar o aumento da temperatura até o final deste século em 1,5 a 2 graus Celsius acima dos valores médios de 1990. Essa é a margem para evitar as piores catástrofes climáticas. Para atingir essa meta, é preciso que todos os países apresentem planos de redução de emissões de gases do efeito estufa. A Europa atualmente responde por 10% das emissões mundiais.

Mais ambicioso

A estratégia de emissão zero até 2050 implica aumentar a ambição europeia na guerra contra o aquecimento. Em 2009, a UE estabeleceu uma redução de 80% a 95% das suas emissões até 2050, em comparação aos níveis de 1990. Entre as razões mencionadas agora pela Comissão para intensificar seus esforços está o recente relatório em que o IPCC (equipe científica que assessora a ONU) pede aos países que tomem atitudes, frente ao risco de fracassar e descumprir o que foi decidido na cúpula climática de 2015 em Paris.

A Comissão tenta afastar os temores quando recorda em sua estratégia que é possível crescer economicamente e ao mesmo tempo reduzir as emissões de gases do efeito estufa. É algo que o continente já tem conseguido: entre 1990 e 2016, essas emissões diminuíram 22% na UE, enquanto o PIB cresceu 54%. Com sua proposta, Bruxelas envia agora um poderoso sinal político. Também para setores como o energético e dos transportes, com a indústria automobilística já envolvida numa corrida tecnológica para se adaptar ao novo modelo.

O documento salienta os benefícios dessa corrida de longo percurso. Os impactos econômicos totais “são positivos apesar dos importantes investimentos adicionais que exigem”, aponta a Comissão. Segundo os cálculos de Bruxelas, o PIB crescerá 2 pontos percentuais a mais com as políticas de descarbonização que permitirão zerar as emissões. E isso sem contar o benefício econômico representado pela erradicação dos danos provocados pela mudança climática, que um recente relatório oficial de Bruxelas estimou em 240 bilhões de euros (1,05 trilhão de reais) por ano se o Acordo de Paris fracassar.

Mas as boas intenções reveladas pela Comissão neste documento ainda precisam ser referendadas e concretizadas em um pacote de medidas amplo, como o que já existe para o período compreendido entre agora e 2030.

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Os 27 países da UE ainda precisam dar luz verde a esta estratégia. A predisposição parece favorável. Os ministros de Meio Ambiente de uma dezena de Estados – entre eles FrançaItália e Espanha – assinaram há duas semanas uma carta conjunta dirigida ao comissário (ministro) europeu de Ação pelo Clima e Energia, Miguel Árias Cañete, em que insistiam para que fosse ambicioso e cumprisse o objetivo de zerar as emissões até 2050. Entretanto, países como a Alemanha, o motor econômico europeu, não se pronunciaram a respeito.

Mortes prematuras

Uma vez que o plano for aprovado pelos Governos nacionais, o maquinário legislativo da UE começará a operar, mas tendo no horizonte o objetivo de eliminar as emissões. A estratégia para 2050 será debatida também nesta quarta no Parlamento Europeu.

Árias Cañete ressalta que o plano de Bruxelas também “reduzirá em mais de 40% as mortes prematuras por poluição atmosférica, e os custos sanitários diminuirão em 200 bilhões de euros (875 bilhões de reais) por ano”. Os cálculos da Comissão prognosticam ao mesmo tempo uma descomunal economia graças à nula dependência das importações de petróleo: ao todo, entre dois e três trilhões de euros (8,75 a 3,13 trilhões de reais) entre 2030 e 2050.

A estratégia da Comissão é explícita quando aborda a transformação do setor elétrico. O barateamento dos custos das energias renováveis permitiu uma rápida implantação dessa matriz limpa. Para 2050, Bruxelas recorda que “mais de 80% da eletricidade virá de fontes renováveis”. A isso a Comissão soma outros 15% procedentes da nuclear – que não emite CO2, mas gera outros problemas relacionados aos resíduos – para falar de um modelo de matriz elétrica 100% livre de gases do efeito estufa. Esse plano inclui o fechamento de todas as centrais termoelétricas alimentadas com carvão e gás natural.

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No caso do transporte, onde há importantes pressões das montadoras de automóveis, a Comissão não se aprofunda tanto. Embora o documento se refira à importância da eletrificação de carros e caminhões, não fecha a porta a “combustíveis alternativos”, como os biocombustíveis. O documento menciona, isso sim, a polêmica técnica de captura e armazenagem de dióxido de carbono, alvo de uma grande rejeição social, defendendo que sua implantação continua sendo “necessária”. Bruxelas, além disso, destaca a importância de usar os impostos e subvenções como uma “ferramenta eficiente para a política ambiental”.

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3 comentários

  1. Homenagem ao meu amor, Catarina

    História de uma gata muito especial. 

    Nessa madrugada perdi Catarina, minha companheira de mais de 15 anos. 

    Forte, guerreira, altiva, carinhosa e independente, vivia quase por sua própria conta, autossuficiente – marca dos felinos. Sem raça definida (SRD), sua nobreza dispensava pedigree. 

    Mãe de três ninhadas de exuberantes gatinhos, sua primeira ida ao veterinário foi para tratar do excesso de estresse pela amamentação – apesar da consciência, não tinha grana para castrar. 

    Sua segunda visita ao veterinário, para castração. E depois de muitos anos, por uma gripe. 

    Finalmente, há quase um ano, descoberta subitamente uma insuficiência renal crônica, que não tratei como deveria.

    Novamente sem grana, seus cuidados foram precários mas a mantiveram por algum tempo com alguma dignidade. 

    Morreu nos meus braços, depois de dois dias internada já em estado grave de desidratação e perda de peso. 

    Carregarei a culpa de não tê-la cuidado melhor, para o resto da vida. 

    Mas não foi a falta de grana – sempre se dá um jeito, nem sua velhice – que todos me dizem como consolo impossível, talvez uma anestesia impercebida dos amores para evitar mais sofrimento – são tantos que a acomodação aos traumas para fins de sobrevivência nos cobra o alto preço de matar um pouco cada dia porções do coração, para não arrebentar de uma vez. 

    Quando tive condições financeiras, sabedora de que minha bichinha já era idosa e merecia cuidados especiais, talvez enganada por sua já declarada autossuficiência, protelei a ida preventiva ao veterinário porque ela sempre foi saudável – até a véspera da descoberta da insuficiência renal eu reclamava de seu aumento de peso e de que estava comendo muito para sua idade; ontem, sua magreza em meus braços foram o sinal de minha  desatenção e abandono inconsciente de minhas responsabilidades. Talvez não acreditasse que ela fosse mortal, subestimei sua necessidade de cuidado quando mais precisou porque fui mal acostumada à sua capacidade de se virar sozinha. 

    Há muito tempo não coração não doía tanto. E merece doer para recuperar sua sensibilidade perdida pelos trancos da vida que encouraçam mais que a pele, a alma e os sentidos. 

    Não exponho aqui apenas meu coração ferido, mas sua vida que merece memória eterna, a saudade de minha doce Catarina, como homenagem ao que a Natureza nos dá de graça e subestimamos, racionalizando “o que não tem juízo, nem nunca terá, o que não tem tamanho”. 

    Nessas horas, só Chico é capaz de entender o coração de uma mulher, mãe torta e virada ao avesso pelo  revés da

    partida.  

     

    Chico Buarque – O que será (à flor da pele)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=NQ4hQD1V1Zc%5D

     

    Os saltimbancos – História de uma gata 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=u07Td4VPWgA%5D

    https://www.youtube.com/watch?v=u07Td4VPWgA 

     

     

    Sampa/SP, 30/11/2018 – 16:02 

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