A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, por suspeita de envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito criminal, instaurado em 10 de fevereiro e em trâmite sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba (PR), apura a atuação do economista junto à OnilX, plataforma de investimentos em criptomoedas. A apuração foi divulgada pelo portal Metrópoles, em reportagem do jornalista Tácio Lorran.
Uso de imagem e consultoria
Segundo os autos do procedimento, a investigação aponta que a contratação de Paulo Guedes como consultor técnico era utilizada para conferir credibilidade às operações da empresa, controlada pelo empresário Fábio Lino de Almeida. O ex-ministro teria participado de reuniões estratégicas, encontros com potenciais aportadores e palestras direcionadas a cerca de 500 assessores e investidores.
A imagem do ex-titular da Economia também foi veiculada em materiais promocionais do grupo. Em publicação institucional, a OnilX divulgou uma fotografia de Guedes ao lado de Fábio Lino e de executivos da operadora de cartões Visa. A reunião foi apresentada pela empresa como de “alta relevância estratégica“, ocasião em que o economista teria oferecido “suporte e visão” ao negócio.
Relatos de investidores e ofertas milionárias
A presença do ex-ministro é citada em processos judiciais movidos por clientes que tentam reaver valores aplicados. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da plataforma relatou ter mantido e ampliado os investimentos após participar de uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril. Quatro meses depois, ao solicitarem o resgate, não conseguiram retirar os recursos.
Em outra ação cível, mensagens anexadas aos autos indicam que representantes comerciais da OnilX utilizavam o nome do ex-ministro para atrair clientes de alto poder aquisitivo. Em conversa com um potencial investidor, uma assessora afirmou que Guedes “tá dentro da empresa” e ofereceu a possibilidade de uma reunião presencial com o economista para quem tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.
Trava em resgates e restrições da CVM
A OnilX oferecia aplicações em ativos virtuais com promessas de rentabilidade de até 2,8% ao mês. Levantamento do Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro, distribuídas por estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Clientes relatam o bloqueio de valores e apontam suspeitas de pirâmide financeira sob a promessa de “alta liquidez“.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou, em janeiro, a suspensão das ofertas públicas de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. Em abril, a autarquia manteve a proibição, mas esclareceu que a medida não impede a simples compra e venda de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Andamento processual e posicionamentos
A investigação conduzida pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) teve movimentações recentes, com a execução de diligências e a apresentação de petições em outubro. O inquérito apura a conduta de 12 pessoas, incluindo Fábio Lino e Paulo Guedes. Até o momento, as informações não indicam condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.
A OnilX nega irregularidades e sustenta atuar em conformidade com as regras do mercado de ativos virtuais. A defesa de Paulo Guedes e de Fábio Lino de Almeida é realizada pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que foram procurado, mas não se manifestaram.
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