Caso Witzel: o papel de cada um dos investigados no esquema

Um resumo das acusações contra cada um dos personagens do esquema que afastou Wilson Witzel do governo do Rio de Janeiro

Wilson Witzel e Lucas Tristao - Reprodução/ Internet

Jornal GGN – A Operação deflagrada nesta sexta (28), que afastou Wilson Witzel do governo do Rio de Janeiro, mostra a articulação de uma sequência de personagens que teriam, como organização criminosa, atuado para se beneficiar de contratos públicos na área da saúde.

O GGN mostrou, em reportagem, que o emaranhado de organizações sociais, empresas e pessoas, tinham como figura central o empresário Mário Peixoto. Abaixo, apresentamos um resumo das acusações listadas pelo Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro contra cada um desses personagens:

WILSON WITZEL

Apontado pelos procuradores como “o principal líder da organização criminosa”, apesar de outros esquemas com os mesmos personagens ocorrerem em gestões anteriores, como trouxe o GGN, o atual governador do Rio de Janeiro teria atuado diretamente no caso, “com ativa participação” no esquema e recebendo vantagem ilícita, com lavagem de dinheiro, por meio do escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel.

MÁRIO PEIXOTO

Empresário, preso na Operação Favorito, apontado como o líder de um dos grupos criminosos no governo do Rio de Janeiro, atuando no núcleo econômico. Sendo um dos maiores empresários do setor de serviços vinculados a organizações sociais que administram UPAs no Estado do Rio, detém grande influência na Secretaria de Educação e na Secretaria de Ciência e Tecnologia.

Ao ser rastreado, os investigadores afirmam que ele é dirigente oculto de diversas organizações sociais integrantes do esquema. Indicado como o responsável pelos contatos políticos da organização criminosa, articularia o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos em troca de contratos obtidos com suas OSs.

Na Operação Quinto do Ouro, foi acusado de articular em nome das Organizações Sociais junto a Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE/RJ), com pagamentos ilícitos. Nas Operações Cadeia Velha e Furna da Onça, que indicou esquema de corrupção envolvendo deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), seu nome aparece nas articulações, principalmente com o ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani e Paulo Melo.

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Comanda diversas empresas apontadas no esquema, como a Atrio Rio Service, que possui contratos milionários com a FAETEC, autarquia vinculada à Secretaria de Ciência e Tecnologia, muitos deles prorrogados emergencialmente, segundo os procuradores, de forma injustificada. Responsável pela DPAD Serviços Diagnósticos LTDA., pela COOTRAB Cooperativa Central de Trabalho e QUALI Clínicas de Gestão e Serviços de Saúde, que fecharam contratos milionários com o escritório de advocacia da então primeira-dama, Helena Witzel, para desvio de recursos públicos. Na área de saúde, teria utilizado a Organização Social UNIR em contrato milionário com o estado.

Na deflagração revelada nesta sexta (28), Peixoto teria pago vantagens indevidas diretamente a Witzel, com o intuito de revogar a desqualificação da organização social Instituto Unir Saúde. Os procuradores indicaram, ainda, que o empresário possui contatos na Polícia Federal, que estariam vazando informações das investigações.

ALESSANDRO DE ARAÚJO DUARTE

Segundo o MPF, é pessoa de extrema confiança de Mário Peixoto e integraria o topo do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa, responsável pela lavagem de dinheiro de Peixoto. Sócio de diversas empresas interligadas ao grupo e responsável pela gestão financeira de grande parte dos negócios do empresário, pelo menos desde 2012.

Durante a Operação Favorito, foi encontrado em sua residência um contrato de prestação de serviços e honorários advocatícios, firmado entre a empresa DPAD Serviços Diagnósticos LTDA. e o escritório de advocacia de Helena Witzel. Foram localizados, também, e-mails enviados por ele com dados sobre o contrato advocatício, e apesar de não ter nenhum vínculo formal com a COOTRAB, foram encontrados comprovantes de pagamentos da empresa ao escritório de Helena.

CASSIANO LUIZ DA SILVA

Juntamente com Alessandro, é apontado como um dos principais operadores financeiros de Peixoto, sendo de sua extrema confiança e atuando no núcleo financeiro-operacional da organização criminosa.

Também sócio de diversas empresas interligadas ao grupo de Peixoto e, segundo o MPF, atuaria na gestão financeira de grande parte dos negócios, pelo menos desde 2012.

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Os investigadores detectaram sua atuação intensa na gestão das contas e orçamentos da cooperativa RENACOOP – Renascer Cooperativa de Trabalho. Participaria dos atos de lavagem de dinheor, por meio da blindagem patrimonial e de pagamentos de despesas pessoais de Mário Peixoto, assim como por meio de suas empresas de consultoria e de marketing, entre elas a AD CONSULTORIA e CLS MARKETING. Seria sócio-laranja de Peixoto, como a Clínica Bom Pastor.

Seria a mente por trás do esquema de estruturação das empresas para a lavagem de dinheiro, constituindo holdings. Criou documentos, provas e empresas fantasmas.

JUAN ELIAS NEVES DE PAULA

Também apontado de atuar no núcleo financeiro-operacional de Mário Peixoto, desempenhava a função de contador e sócio de diversas empresas vinculadas ao grupo, além de realizar transações entre elas e suas empresas próprias. Atuava juntamente com Alessandro e Cassiano.

A Polícia Federal encontrou emails, nos quais Juan encaminha a Alessandro documentos relacionados a pagamentos para a esposa do governador Wilson Witzel. No celular de Alessandro, apreendido na Operação Favorito, também foi encontrada troca de mensagens com Juan, indicando as tratativas para pagamento ao escritório Helena Witzel.

Juan Elias é o contador da DPAD Serviços Diagnósticos e admitiu que integrava o quadro societário “por questões tributárias”, indicando que não detém o controle da empresa, atuando como laranja de Peixoto. Ele também foi descoberto operacionalizando valores para os demais acusados e as sociedades vinculadas, em um total de R$ 765.413,85.

Em interceptações telefônicas, foi identificado que Juan também era responsável por alterar os contratos sociais de empresas utilizadas no esquema, como a Atrio Rio, a DPAD e a Mastercoop. Também possui contatos na PF.

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GOTHARDO LOPES NETO

Segundo os investigadores, é a pessoa mais próxima de Wilson Witzel. Diretamente vinculado ao Hospital Jardim Amália LTDA., que fechou contrato fraudulento com o escritório da esposa do governador. Também era o responsável pela Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Mutuípe, indicada pela ORCRIM para gerir o Hospital Zilda Arns, em licitação fraudulenta.

LUCAS TRISTÃO

Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio no governo Witzel, era a ponte entre o governador e Mário Peixoto, sendo de confiança de ambos.

Durante mandado de busca e apreensão, foi encontrado em sua residência um documento da Quali Clínicas, a minuta da rescisão contratual e a renúncia de mandato do escritório de Helena Witzel, que supostamente não teria ligação com ele.

O operador financeiro Alessandro Duarte prestava contas a Lucas Tristão sobre as notas emitidas pela DPAD. Seu escritório de advocacia, Tristão do Carmo e Jenier Advocados Associados, transferiu R$ 412.308,37 em 2018 a Wilson Witzel, sem qualquer prestação de serviços.

A Atrio-Rio Service, de Peixoto, também chegou a contratar o escritório de Lucas Tristão, em 2018, repassando um total de R$ 225 mil entre julho e outubro de 2018. Segundo o MPF, o destino final foi o governador Wilson Witzel.

Trocas de e-mails mostram que durante reunião no Palácio Laranjeiras, com o governador e Edmar Santos, Witzel pediu o repasse de R$ 50 milhões ao município de Duque de Caxias, pela proximidade de Peixoto com o prefeito Washington Reis. Eles articulavam a aquisição da Rádio Tupi por Peixoto, que teria potencial político para o grupo nas futuras eleições.

 

 

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