Como o apoio de Bolsonaro às vaquejadas atende as milícias, por Luis Nassif

O universo de Bolsonaro gira em torno das milícias. Suas manifestações expressam, de algum modo, interesses e preocupações das milícias. A regulamentação das vaquejadas vai além de qualquer preocupação de cunho cultural. Representa apoio direto a quem Bolsonaro deve lealdade: as milícias.

Durante a Festa do Peão e Boiadeiro, Jair Bolsonaro foi sincero:
– Respeito todas as instituições, mas lealdade eu devo a vocês. O Brasil está acima de tudo. Neste momento em que muitos criticam a festa de peões e a vaquejada, quero dizer com muito orgulho que estou com vocês. Não existe politicamente correto. Existe o que precisa ser feito — disse.

No dia 18 de setembro de 2019, Bolsonaro assinou a lei 13.873/2019 regulamentando vaquejadas e rodeios, que passam a ser tratadas como “atividades intrinsicamente esportivo-culturais pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro de natureza imaterial”.

O universo de Bolsonaro gira em torno das milícias. Suas manifestações expressam, de algum modo, interesses e preocupações das milícias. A regulamentação das vaquejadas vai além de qualquer preocupação de cunho cultural. Representa apoio direto a quem Bolsonaro deve lealdade: as milícias.

Foi assim com a flexibilização do porte de armas, o desmonte dos sistemas de fiscalização ambiental, a defesa reiterada das milícias, nos seus tempos de deputado.

É por ai que se entende a defesa enfática que fez das vaquejadas.

Hoje em dia, ao lado da venda de cigarros, gasolina e bebidas, as vaquejadas se tornaram o terreno preferencial para lavagem de dinheiro do crime conseguido em venda de proteção, de gato, de gás, encomenda de assassinatos e venda de proteção e outras formas de bico.As razões são variadas.

A primeira, é a dificuldade em estimar a rentabilidade do setor, tanto nos eventos como nos leilões de animais. A segunda é que os eventos juntam grandes audiências, ambiente propício à colocação de outros produtos milicianos.

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Abaixo, algumas operações policiais recentes, em que as ligações das milícias com as vaquejadas ficam nítidas.

Operaçao Cactus

No dia 20 de abril de 2019, a Operação Cactus, de São Paulo, prendeu o pistoleiro Antônio Charles Barreto, o ‘Charlim’, de 34 anos, natural de Jaguaretama (CE).

Barreto tinha diversas acusações nas costas, por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e execução de um subtenente da PM do Ceará. Sua quadrilha era conhecida como “Filhos do Senhorzinho Diógenes”. Preso em Itaitinga, aproximou-se das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Sua quadrilha passou a trabalhar com pistolagem e tráfico de drogas na região de Guarulhos.

A receita do grupo era lavada com vaquejadas no estado de São Paulo.

Operaçao Asfixia

Em março de 2015, operação integrada das polícias de Alagoas e Pernambuco prendeu três suspeitos de assaltos a bancos. Um deles era proprietário de parque de vaquejada avaliado em R$ 500 mil e cavalos de raça analisados em até R$ 150 mil cada.

Foram presos o comerciante Iran Cardoso de Azevedo, o Celso do Gás, dono do espaço, mais Valdemir Cândido de Couto, o Milita, e Dogivaldo Fernandes da Silva, o Doginho.

Segundo a operaçao, os suspeitos usavam as vaquejadas para lavar dinheiro.

Operação Ingenium

Em novembro passado, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), deflagrou a operação que denunciou dois bombeiros militares por receber vantagens indevidas na vistoria de uma vaquejada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Operação Turbulência

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Em Recife, a Operação Turbulência, da Polícia Federal, deteve quatro pessoas, suspeito de, por seis anos, ter feito caixa 2 para financiar campanhas políticas as do ex-governador Eduardo Campos (PSB). O grupo teria movimentado R$ 600 milhões.

Artur Roberto Lapa Rosal, suspeito de ser testa de ferro do grupo, era ligado em vaquejada, sendo eleito o melhor vaqueiro do Brasil pelo Portal Vaquejada.

Era conhecido como o “milionário das vaquejadas” e gostava de exibir cavalos de raça e até helicóptero. Era proprietário também de postos de gasolina, outro setor procurado pela contravenção.

Operação Pedra 90

Em setembro de 2014, a Operação Pedra 90 deteve uma das maiores quadrilhas de tráfico de crack no Nordeste. O dinheiro era lavado na compra de cavalos de raça para uso em circuitos de vaquejada em todo o país.

Depois de lavado, o dinheiro servia para compra de carros importados, imóveis, haras e fazendas.

Um dos chefes da quadrilha, Cicero Bezerra da Silva, é proprietário de um haras em Palmeira dos Índios, Alagoas, e teria negociado cavalo no valor de R$ 200 mil.

 

 

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15 comentários

  1. Nassif, você é muito corajoso. Botar o dedo na ferida dos monstros não é para qualquer um, não. E você bota o dedo na ferida destemidamente.
    Se cuide, amigo. Os Bozos não brincam. Por dinheiro e poder, eles são capazes de tudo.

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  2. O subproduto disso é tão ruim quanto, estimulando.a barbárie. Fico surpreso saber que a tal vaquejada viajou tão longe, chegando ao Rio de Janeiro. Aqui em SC a malsinada “farra do boi” mantem-se e parece mesmo que aumenta com o passar do tempo, com uma multidão de pessoas, que mais se parecem com elo perdido entre homens e macacos, correndo atrás de um boi e apedrejando o pobre animal. A isto chamam de “cultura açoriana” e contam com o apoio oculto de politicos, que pagam pelos bois e os doam para a massa de malfeitores farristas.

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  3. Pelo menos de uma coisa não se pode reclamar, os animais, estou falando das vacas, são bem tratados, vejam a maravilhosa foto que ornamenta o post. A vaquinha não é fofa ? Notaram a pose dela para a foto, deitada, exibindo altaneira as belas quatro patas ? Nem a Brigitte Bardot, grande defensora dos animais, preciso novamente esclarecer, dos bichos em geral, não daqueles que andam a cavalo, produzia uma foto tão glamorosa em seus áureos tempos. Viva a vaquejada !

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  4. Quem sejam como sempre bem vindos os textos de Nassif sobre as vagabundagens dos Bolsonaros em tudo que não presta,certo?Nem tentem me engabelar,me embromar,me calotear,me enrolar ou me fazer de mamão.Quero e tenho direito de saber:Quem deu a ordem para executar o miliciano bolsomorista,Adriano Nóbrega,principalmente quando está metido neste assassinato nebulosissimo,as policias Civil e Militar do Estado da Bahia,que tem o Governador petista Rui Costa como seu Comandante em Chefe.Aprendi com o maior jornalista brasileiro vivo,Mino Carta,que a primeira regra do jornalismo “é a obediência cega à verdade factual”.Simples assim.

  5. Estão vendo que sei das coisas.Ganhei a companhia de nada mais nada menos do que o “Dos Chapéus”(PHA in memoriam).Na sua prestigiosa coluna de hoje,ele vai fundo na execução sumária do miliciano bolsomorista Adriano Nóbrega,e vocês aqui preocupados qual a Escola de Samba é a favorita a vencer o Carnaval carioca.

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  6. NUNCA GOSTEI DE VAQUEJADA; em que pese a cultura vaqueira.

    TUDO O QUE SE DEMAIS APERTA… ou esfarela, os escorre por entre os dedos; não existe outra alternativa.
    A esquerda, especialmente a que pensa, a moderada fez e faz a civilidade; mas, no pessoal da esquerda está também – em maioria absoluta – os cheios de ideias ditatoriais e irrealistas. Apenas por modismo intelectualóide-humanístico, ou por insensibilidade pura e simples misturada com pavonice… NÃO MEDE CONSEQUÊNCIAS; age tal qual a reaçada da direita: SE QUERO, POSSO; SE POSSO, FAÇO! Só que sem o apoio que esta sempre tem na mídia, justiça… no status quo.
    Nunca gostei de vaquejada, brasileira, e que se originou, máxime nos campos do meu pequeno Sergipe, ao entorno do que é hoje meu município, no longínquo 1600(*), entre os curraleiros (criadores arrendatários) dela, para o abastecimento dos açougues e engenhos da Bahia e de Pernambuco, a indústria de embalagem de fumo exportado e o gigantesco consumo de cordas nas caravelas, estes dois últimos no uso apenas do couro de boi. Muito menos dos rodeios texanos, em moda no centro-sul, com ápice em Barretos-SP. Acho-os sem graça. E dispensáveis. O que acho.
    Mas não se mata completamente uma cultura de quatro séculos de Brasil, fora os imemoriais tempos de Magrebe e Península Ibérica, de um dia pra noite, por decreto, sem o uso da sabedoria. Nem Mao e sua Revolução Cultural e seus excessos conseguiram; ainda mais que, no caso da vaquejada NORDESTINA, além do suave, porém contínuo declínio, seus efeitos deletérios sobre os animais são altamente questionáveis. Diria que percepção totalmente por preconceito, que por julgamento justo, de quem vive a pregar o fim da morte do boi pra comer “carne de soja”. Opinião tão respeitável quanto inexequível, e, portanto, “conversa pra boi dormir”.
    Com tristeza vi vários amigos entrar nessa “corrente”; mas, sempre que oportuno vão os meus questionamentos.
    As técnicas para “turbinar” o boi na arena, usadas nos rodeios, de fato, são desumanas; mas o reles desequilibrar de um animal a correr e sua consequente derrubada – ou não – … paciência, né, gente vamos ser todos robôs?
    Esse radicalismo “humanista” acaba servindo para incensar o radicalismo desumanista e seus lucros; aqui, sim, com a prática da lavagem de dinheiro, que, frise-se, está matando também a MPB.

    (*)
    SESMARIAS DE SERGIPE (1596-1623). Códice pertencente ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. 2008;
    MORENO, Diogo Campos. Livro que dá Razão ao Estado do Brasil. Lisboa, 1612. Ed. Inst. Nac. do Livro/MEC. Rio de Janeiro, 1968; et
    BAERLE, Caspar. Rerum per octennia. Amsterdã, 1646;

    • Prezado José de Almeida Bispo, com todo respeito:
      -Eu respeitaria também todos aqueles que, contrariamente ao que você pensa, considerassem a vaquejada engraçada e indispensável, DESDE QUE me fosse comprovado que os efeitos deletérios nos animais não são questionáveis, i.e, fossem inquestionavelmente inexistentes. Poder-se-ia começar perguntando àquela vaquinha da foto la de cima o que ela acha. Só que não dá, tendo em vista não haver, ainda, tradução da linguagem vacum para a humana.
      -Erradicar uma cultura enraizada é mesmo difícil. Então deixemos tudo como tá, né mesmo ? Maior bobagem terem acabado com a escravidão legal, a real continua até hoje, aprimorada, não apenas de negros, sem preconceito abarca qualquer raça. E as mulheres então, que não querem reconhecer o lugar delas e ficam querendo ter os mesmo direitos dos homens ? A cultura enraizada que deu origem a supremacia masculina é tão velha que teve início com Adão e Eva. Deus, acima de tudo, criou Eva depois de Adão e com uma costela dele. O valor de uma mulher é o de uma costela do homem, se Deus, acima de tudo, quisesse diferente teria feito Adão de uma costela da Eva. E as mulheres não entendem, né !
      -Devido a uma cultura milenar, de difícil erradicação, sou carnívoro. Mas diariamente sou questionado por mim mesmo se quero ( e se quero posso, e se posso faço) tornar-me vegetariano. Vaquejada é uma das causas que estão me levando a uma decisão. O que acho, respeitosamente,

  7. A quem interessar possa.Esse Secretario de Segurança Publica da Bahia,Mauricio Barbosa é flor de mandacaru.Gosta,vamos por assim dizer,de uns métodos carlistas.Esteve metido numa grampolândia de adversarios politicos,tão bem explicada como a morte do miliciano bolsomorista Adriano Nóbrega.Eu hein.

  8. Sem falar que o Estado arrecada muito pouco dessas movimentações clandestinas milionárias…
    quase a mesma mixaria que ganha das empresas de transporte público

    sem falar que deve rolar muito transporte e entrega de drogas nestes eventos

    não é pelo evento em si que ficam milionários

  9. FORA DE PAUTA.
    Má noticia para os anti-lulistas daqui,que tem de cacetada,provavelmente contaminado pelo Big Brother.Uma pesquisa do jornal espanhol EL PAÍS (para o acima assinado pesquisa eleitoral a 3 anos de uma eleição só vale como “relax”),aponta Bozo com 32 % e Lula com 28 % das intenções de voto.Palpite meu:Se deixarem LULA em condições de disputa,ele mata no primeiro turno,certo.Para que isto aconteça,basta que o Senador Bernie Sanders dê uma mãozinha e o Ministro Celso de Melo uma mãozona.Quem vai me encarar?

  10. Sou leitor assíduo de Luiz Nassif há muitos anos, sou totalmente contrário aos desmandos do clã que ora detém o poder, bem como os abusos da lava-jato. Porém essa matéria não poderia ser mais infeliz. Em todo e qualquer segmento existe os maus. A vaquejada é um esporte genuinamente nordestino, representa a nossa cultura e paixão de nosso povo. Não pode ser demonizada por conta de fatos isolados, fatos esses que ocorrem no futebol, na música, etc.

  11. Aqui no nordeste ,temos vaquejada. Peço vênia para discordar do que foi dito, só aqui no nordeste temos centenas de vaquejada e não rola esse dinheiro todo que vcs informam não , muito menos a ideia que rola droga , se vc disese cachaça eu concordaria mas droga vc encontra mais nos bailes fanks etc. A nação vaqueira e honesta se vcs não gosta do presidente e problema de vcs , não misturem as bolas sem saber, venham as vaquejadas acompanhem o esporte que vcs terão condição de avaliar. Não se rendam a baboseiras e mentiras sobre o esporte para atingir Bolsonaro. Vc está atingindo milhares de pessoas conceituadas e respeitadas na sociedade como um todo. Favor respeitarem os demais. Lembre-se vc só merece respeito se der se ao respeito.

  12. Não vejo como o Governador da Bahia Rui Costa e o Secretário da Segurança Pública da Bahia,o quiabo ensaboado Maurício Barbosa escaparem do cerco e das labaredas que começaram a serem produzidas a cada hora,por essa história escabrosa,escalafobetica que não se sustenta em pé ,em que se transformou a execução sumária do miliciano bolsomorista Adriano Nóbrega.Penso o seguinte:O Soldado fuzilou por que o Cabo mandou,o Cabo mandou por que o Sargento ordenou,seguiram-se as ordens do Tenente,do Capitão,do Major,do Tenente-Coronel,do Coronel,do Secretário,do Governador,da PQP.Isso vai render,pior,vai custar caro ao pré-candidato a Presidência da República Rui Costa.Ele ficou mal na foto. A situação começa a fugir do controle e o Governador submergiu.

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