Criminalista desmascara “estatísticas falsas” de Sergio Moro na GloboNews

Cintia Alves
Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.
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Jornal GGN – O criminalista e professor da USP David Teixeira de Azevedo detonou o modus operandi da Lava Jato de Curitiba, de usar a prisão preventiva e ameaça a familiares para obrigar os investigados a delatar, e chamou de “farsa” as estatísticas propagadas por Sergio Moro para afirmar que suas decisões são majoritariamente confirmadas pela instância superior.
 
Ao lado da constitucionalista Eloísa Machado, professora de Direito da FGV-SP, David explicou que o motivo da manipulação feita por Moro é muito simples: não há o que o tribunal revisar e rejeitar se os próprios delatores são obrigados, por força do acordo feito com os procuradores de Curitiba, a abrir mão dos recursos.
 
“Moro diz que as decisões deles foram confirmadas. Os acordos da delação, quando foram fechados, implicavam na desistência de recursos. Ou seja, não eram revistas as decisões dele pelas instâncias superiores. Quer dizer: essa estatística que o Moro faz é uma estatística falsa.”
 
A declaração foi feita por David após Eloísa dizer que é inegável que a Lava Jato usou de medidas cautelares desenfreadamente, para gerar pânico nos investigados e coagí-los a delatar. Ela disse que não é possível dizer que todos os acordos foram feitos dessa maneira, mas seria necessário investigar caso a caso, algo que não tem sido feito.
 
“Seria muito difícil analisar caso a caso, mas que muita delação de gente em liberdade foi fechada em razão de conversas (e posso citar nomes) com o Ministério Público, que ameçava [o investigado] com o envolvimento criminal da esposa, filhos, pessoas da mesma empresa, mesmo sabendo que não havia envolvimento… isso ocorreu e muito”, exclamou o criminalista.
 
Um dos casos conhecidos é o do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que fez um acordo de delação premiada que concedeu imunidade a familiares. Nestor Cerveró é outro modelo.
 
O segundo processo de Lula nas mãos de Moro, sobre suposta propina da Odebrecht, também guarda mistérios sobre as colaborações dos corréus. Glaucos da Costamarques, por exemplo, tem ajudado o Ministério Público, inclusive mudando seu depoimento para atenuar as acusações. Um relatório da Receita Federal sugere que seus filhos poderiam ter entrado na mira da Lava Jato, por causa de repasses milionários concedido ao engenheiro, por anos seguidos.
 
A FRAUDE NAS DELAÇÕES
 
Os dois professores também lançaram dúvidas sobre a lisura das delações e dos processos criados com a ajuda de vazamentos seletivos à imprensa. Caso do grampo em Dilma e Lula, citado por Eloísa. Para ela, atitudes como esta deveriam colocar todo o processo em risco.
 
David, por sua vez, disse que a delação de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef não foram consideradas adequadas em Portugal.
 
“Quanto à lisura das delações, dois constitucionalistas portugueses (José Canotilho e Nuno Brandão), a pedido do governo português, deram um parecer sobre a admissibilidade da delação de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef perante o ordenamento jurídico portugues. A conclusão dos parecer desses dois acadêmicos insuspeitos foi que as delações premiadas de ambos ferem o ordenamento jurídico brasileiro, o ordenamento juridico portugês e a ordem pública portguesa, porque nesses acordos existe absoluta ilegalidade: o Ministério Público no acordo, e o magistrado homologando, criaram legislação própria para a delação, e isso é ilegal.”
 
 
VALE TUDO

Após tantas críticas sobre as violações da Lava Jato, a jornalista Mônica Waldvogel, apresentadora do programa na GloboNews, sugeriu em sua questão final que os fins justificariam os meios.

“Três anos e meio de uma operação capaz de atingir pessoas tao poderosas e setores empresariais tão enraizados na economia e cultura brasileiro, certamente teria atropelos no processo. O que interessa para nós agora é saber se valeu a pena atropelar o processo legal em função dos resultados? Valeu a pena tudo isso que foi inventado, inovado com a Lava Jato?”, indagou.

Eloisa Machado respondeu: “Nada com violação ao devio processo vale a pena.”

David Teixeira acrescentou: “‘Para acabar com os carrapatos, vamos matar as vacas’. Lava Jato é uma coisa parecida. Para acabar com a corrupção, sacrifiquemos os direitos e garantias fundamentais. (…) Não hesitemos em condenar com penas altíssimas e assustadoras, descompassadas com a culpa do homem, para, a partir dessas penas, estimular outros a delatar, restringindo qualquer possibilidade de defesa.”

 

22 Comentários

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    1. Ainda bem!

      O mais importante é destacar a atitude do criminalista de manter sua opinião em meio ao tsunami de opiniões fáceis onde militam desde o MBL, políticos e até ministros do STF!

      Dignidade e honra fazem sentido para algumas pessoas…

  1. Sou caipira Pirapora nossa…

    Só mesmo os amebianos do tal mbl (movimento dos boçais lacaios), os paneleiros anarfas funcionais, e os de má fé, apaludem esse togado, que é  tucano até a medula. E ainda existem os que acreditam que aquele prêmio do tal “faz a diferença”, foi dado na boa fé. Ora bolas…

  2. TERRORISMO DE ESTADO

    As contundentes avaliações sobre práticas do poder público acima relatadas, evidenciam o descalabro a que chegou a deturpação generalizada promovida pelo punitivismo.

    Está caracterizado, nos fatos referidos no texto em tela, o advento de um terrorismo de Estado, que sepulta princípios jurídicos elementares, tais como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, numa proporção tal que agride a dignidade humana e constitui uma farsa grotesca, medieval e brutalizante.

    Nesta medida, urge convocar o senso de preservação de todos os setores ainda lúcidos, esclarecidos e isentos da sociedade, para obstar a marcha da insensatez, que ameaça sepultar a nação sob um fascismo tenebroso.

  3. Primeiro, putzgrila, essa

    Primeiro, putzgrila, essa jornalista é chata demaaaaaaiiiiis, além de dar um fora atrás do outro. Sobre proteger, sem nem corar, as ilegalidades, qualquer delas, defendidas pela Vênus, mas isso não é novidade.

    Segundo, o Ciro Gomes, que nesse caso só pode ser acusado de não dizer que a frase “Para matar os carrapatos, não precisa matar a vaca”, é do Joelmir Betting, já vem falando dessas nulidades a muito, mas a muito tempo mesmo.

    Inclusive cita a Operação Satiagraha, e o atestado de homem de bem, do banqueiro condenado, Daniel Valente Dantas, apresenta, para quem quiser.

    Só que não pode dar canal de comunicação e, na minha modesta opinião, pisa na bola esse canal, para o Ciro, né?!…

  4. Contra estes mafiosos que
    Contra estes mafiosos que estão saqueando o Brasil não se pode agir com esta ingenuidade jurídica que estes dois petistas disfarçados estão pregando. tem que investigar estes dois falsos professores que adotam políticos ladrões de estimação. Cadeia neles.

  5. Lugar de político é na cadeia
    Este criminalista petista vai pra cadeia também. Acaba de confessar que faz parte da quadrilha.tua hora vai chegar

  6. Por culpa de pessoas como
    Por culpa de pessoas como este criminalistazinho aí é que o Brasil está na mão destes bandidos. FDP é mais ordinário e safado que todos estes bandidos políticos.

  7. Essa matéria deveria ter o
    Essa matéria deveria ter o título “Desonestidade intelectual”

    Delator abre mão de recursos? Sério que um jurista disse isso?
    Recorrer do que se a maioria é criminoso confesso que pegou uma pena ridícula!

    Pelo amor de Deus, sejam coerentes!!!

    1. A critica é justamente

      A critica é justamente essa.

      A grande maioria dos “delatores” roubou muito, “devolveu” recursos que já haviam sido encontrados e provavelmente perderiam mesmo em um processo regular e pegou penas ridículas. O grande problema é que o MP “trocou” isso, por ” delações” sobre crimes menores e ainda assim, sem provas. Qual a vantagem disso para a sociedade ?

      Como a delação é um acordo entre o MP e o Advogado, não há recursos. Esse é o pulo do gato das delações, justamente um dos pontos que deveriam ser revistos pelo congresso. Qualquer pessoa citada em uma delação deveria ter o direito de recorrer em instancia superior ou igual que foi realizada a mesma para ela ser cancelada se houver mentiras ou contradições.

       

  8. QUANDO AGENTE VER ESSES

    QUANDO AGENTE VER ESSES DOUTORES FALANDO COM TANTA PROPRIEDADE SOBRE AS ILEGALIDADES DA LAVA JATO E ENTENDER MESMO NÃO SENDO ADVOGADO AS ARBITRARIDADES DO JUIZ SERGIO MORO E PROCURADORES DÁ UMA SENSAÇÃO QUE AINDA EXISTEM PESSOAS QUE NÃO SE CONROMPEM PARA AGRADAR OS BARÕES DA MÍDIA E SEUS JORNALISTAS AMESTRADOS.

  9. QUANDO AGENTE VER ESSES

    QUANDO AGENTE VER ESSES DOUTORES FALANDO COM TANTA PROPRIEDADE SOBRE AS ILEGALIDADES DA LAVA JATO E ENTENDER MESMO NÃO SENDO ADVOGADO AS ARBITRARIDADES DO JUIZ SERGIO MORO E PROCURADORES DÁ UMA SENSAÇÃO QUE AINDA EXISTEM PESSOAS QUE NÃO SE CONROMPEM PARA AGRADAR OS BARÕES DA MÍDIA E SEUS JORNALISTAS AMESTRADOS.

  10. o moro já é carta fora do baralho, ta ficando velho

    ….resumindo a lava jato foi uma fraude, que não vai mudar em nada o Brasil……….. pelo contrário só deu mais gáz para os corruptos, que agora deitam e rolam e riem dos imbecis que fora as ruas por causa 0,20 centavos do onibus……

  11. Fake News
    Segue a rotina das fake news.
    Realizando seus serviços de desinformar e “emburrecer” os brasileiros.
    Midia podre, vendida.
    Suas regalias vão acabar!

  12. Fake News
    Segue a rotina das fake news.
    Realizando seus serviços de desinformar e “emburrecer” os brasileiros.
    Midia podre, vendida.
    Suas regalias vão acabar!

  13. Moro = Traidor do Brasil

    O criminalista e professor da USP David Teixeira de Azevedo demonstrou as ilegalidades da LavaJato e a violência contra os direitos do cidadão.

    Mas os prejuízos são mais amplos: a LavaJato colaborou decisivamente para o golpe contra a democracia e agiu diretamente para destruir parte de nossa economia em benefício de empresas estrangeiras.

  14. A MÁFIA E SÉRGIO MORO
    1.

    A MÁFIA E SÉRGIO MORO

    1. MÁFIA como se constitui e como atua

     

    A MÁFIA é uma organização criminosa constituída em pirâmides e redes (cosca)  de execução, proteção e chefias, tendo como característica particular a sua adaptação à sociedade, circunstâncias e tempo.

     

    – Uma dezena de homens de honra (uomini d’onore) formam uma família

     

    – Diversas famílias formam uma circunscrição de atuação estabelecendo territórios (mandamento)

     

    – Diversas circunscrições elegem um chefe (capo)

     

    (Tem como) AGENTES:

    – criminosos comuns  (soldati) arregimentados para a execução de ações delituosas comuns ou violentas. Compõem a “linha de frente” da rede.

     

    – homens de (aparente) honra, insuspeitos (uomini d’onore) não são criminosos comuns mas, ao contrário, sofisticados. São encarregados das relações institucionais e sociais da rede criminosa, revestindo-a de legalidade e insuspeitas, como também em dar proteção à “cosca” (rede mafiosa) e aos seus agentes. Estão infiltrados nos Governos, nos Parlamentos, nas Magistraturas, nos Ministérios Públicos, nas Polícias, nas Igrejas, nas mídias, nas Empresas Privadas e Públicas, nas Organizações Sociais… nem o Vaticano e a administração da Santa Sé se imunizaram a essa infiltração…

    “I’ uomini d’onore è il centro di un piccolo universo”

     

    – dirigentes de circunscrição territorial chefes de comando regional e que escolhem o chefe geral (il capo)

     

    – chefe geral (capo) da organização

     

    2. MORO. Participação no esquema: elementos visíveis de convicção dectados:

     

    – PROTEÇÃO. Aparente legalidade. Força (pública e social) do cargo, insuspeito.

     

    – ATUAÇÃO PROCESSUAL (inadequadas a quem tem a função de julgar) – persecutória, parcial, direcionada, estigmatizante  e política de um lado; de proteção, de outro lado, –  corrosiva, desconectada de (elementares) princípios constitucionais,  de direito material e processual fartamenente noticiada, comentada e analisada.

     

    – COMPORTAMENTO (pessoal) PÚBLICO midiático e social impróprios a um Magistrado como o seu relacionamento, por exemplo, com (a) imprensa comercial simpatizante formadora de opinião; (b) agências e corporações internacionais, tudo à saciedade noticiados e comentados.

     

    – RESULTADO. Consequente desmonte da indústria de base e tecnológica de ponta nacional; desemprego; desnacionalização de empresas, produção e serviços; diminuição da força produtiva do pais e da consequente arrecadação fiscal federal, estadual e municipal; corrupção dos princípios de direito universalmente aceitos. Esse resultado, a quem aproveita?…

    ***

    A matéria acima reforça tal convicção

  15. O risco de fazer jornalismo de verdade

    O argumento recorrente da apresentadora, ao qual a professora por vezes endossou, de que os “ganhos” da operação CarWashington justificariam seus “atropelos”, sob a alegação de que teria atingido pessoas e esquemas antes impossível de conseguir, dois reparos, entre muitos possíveis:

    1 – o único mérito, um efeito “adverso” e inesperado para seus próprios propósitos, foi confirmar o Grande Acordo Nacional, com Supremo, com tudo”; cujo resultado, a apresentadora não mencionou, é a manutenção da quadrilha mais denunciada do mundo com  mandato legal para  destruir o país e sua soberania (ver entrevista de Wyllys, Rodrigues e Rocha, deputados do PSOL, em 19/10/2017, no site do partido), a mando dos mesmos contratantes que criaram a operação e ainda lhe dão sustento;

    2 – enquanto a G.Lobo.Empeledecordeiro.Con e suas “co-irmãs” (outras empresas de comunicação comercial) e os maiores bancos e operadores financeiros não forem alcançados por investigações, não se poderá dizer que houve qualquer avanço civilizatório, jurídico ou investigativo feito por qualquer operação do ministério público e da justiça, encarregada de fiscalização de esquemas de corrupção; alegar o contrário ou é ingenuidade ou má fé – ou defesa do interesse próprio; (quando a apresentadora se animou a puxar, e ser seguida apenas pela professora no que não teve desdobramentos, sobre a interferência criminosa do esquema de corrupção sobre a política, pareceu se esquecer do que a empresa para a qual trabalha pratica como sua respiração natural: cinismo ou amnésia?)

    Devemos pensar também que se o preço para alcançar corruptos poderosos, empresas e pessoas, é a destruição institucional generalizada e, mais especificamente, a perversão do sistema jurídico constitucional de um país, há algo de muito errado: ou esse sistema é fraco, ineficiente e também corrupto ou outros sistemas e agentes se coadunam para que aqueles primeiros sejam inatingíveis (ver item 2).

    Perguntas:

    A prisão do Cabral teve qual efeito sobre a falência do Rio de Janeiro, se seu vice, também denunciado e já destituído – sem efeito – continua no poder cometendo toda sorte de irregularidades, como a compra de jatinhos enquanto servidores públicos não recebem salários há meses, ou oferecer isenção para empresas suspeitas?

    A prisão de Eduardo Mãos de Propina teve qual efeito sobre o Grande Acordo Nacional, se os esclarecimentos que o mesmo quis prestar ao juiz de sótão da Masmorra foram por este descartados como “chantagem” processual – claro, a operação detém o monopólio deste instrumento: na verdade, ele talvez seja o único caso de prisão preventiva para evitar delação, o que também é ilegal, ou seria apenas “um atropelo”, uma “novidade”, uma “invenção”? 

    Suportar o enjôo valeu a pena para ver a apresentadora titubear sempre que o professor David fazia sua intervenção – e olha que ele ficou apenas no terreno jurídico, se começasse a falar das motivações e efeitos políticos ela teria uma síncope. Coitados dos jornalistas da Globélica que já estão se preparando para se maquiar de peroba e pedir desculpas por ter apoiado a ditadura da toga. Será esse o sentido de “flexibilidade trabalhista” aplicado pela Globélica aos seus “jornalistas”?

     

    SP, 20/10/2017 – 12:25

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    1. A presença inconsciente de um gênio, Glauber Rocha

      No trecho “Wyllys, Rodrigues e Rocha”, leia-se “Wyllys, Rodrigues e Braga” – confusão feita porque homônimos de prenome, ambos Glauber, e o lendário Glauber Rocha, cineasta baiano, ainda detém na minha memória lugar de destaque quando a palavra “Glauber” é evocada. 

      Ouçamos de novo e sempre o Glauber Rocha, da encantada Bahia de todos os Santos e Artistas, que é um dos muitos úteros

      da cultura brasileira.

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      SP, 20/10/2017 – 21:14 (tentativa de envio original às 19:25)

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