4 de junho de 2026

Fotógrafo que ficou cego após levar bala de borracha da PM é o culpado

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Jornal GGN – Sergio Silva assumiu todos os riscos de se colocar entre a Polícia Militar e um grupo de manifestantes, na tentativa de exercer seu papel de fotógrafo e registrar o evento em São Paulo. Por isso, não deve receber indenização do Estado governador por Geraldo Alckmin (PSDB). Foi o que decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo.

Silva perdeu a visão em um olho após ser atingido por uma bala de borracha da PM durante protesto em junho de 2013. Ele entrou com ação para receber indenização no valor de R$ 1,2 milhão, além de pensão mensal e reembolso por despesas médicas.

Mas o juiz Olavo Zampol Júnior entendeu, segundo decisão da última quarta (10), que o repórter fotográfico é o culpado por ter se ferido, já que se colocou “em situação de risco”.

O acidente aconteceu no protesto de 13 de junho de 2013, quando 15 jornalistas se feriram. Entre eles, um repórter do GGN. O comandante da PM Benedito Meira se pronunciou, na época, dizendo que ferimentos são parte “do risco da profissão”, lembrou a Folha.

Após o acidente, Silva tornou-se protagonista de campanhas contra a violência policial. Em 2013, ele se reuniu com o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, para entregar uma petição requerendo o fim das bombas de efeito moral e balas de borracha em manifestações.

Não é a primeira vez que a Justiça de São Paulo decide em favor do Estado em ações de indenização por violência da PM. Em 2014, o TJ-SP também decidiu que o fotógrafo Alex Silveira, atingido no olho em uma manifestação na avenida Paulista, em 2000, não merecia a indenização concedida em primeira instância porque o jornalista “colocou-se em quadro no qual se pode afirmar ser dele a culpa exclusiva do lamentável episódio do qual foi vítima”.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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13 Comentários
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  1. tiao

    18 de agosto de 2016 3:47 pm

    Mas ele é só mais um Da

    Mas ele é só mais um Da Silva,então dane-se.

  2. Rafael Ramos

    18 de agosto de 2016 4:28 pm

    Tá dominado, tá tudo

    Tá dominado, tá tudo dominado! Infelizmente, vivemos alguns poucos anos de democracia, mas voltamos ao normal. São esses caras no poder, a qualquer custo, a situação padrão. Há uma hegemonia cultural da direita em postos chaves da imprensa e do judiciário, serão necessários algumas gerações para tentarmos mudar isso. Ou a Revolução.

  3. Alan Souza

    18 de agosto de 2016 4:48 pm

    Me lembrou Eldorado dos Carajás

    É a crônica habitual da impunidade, culpando a vítima. Quando o massacre de Eldorado dos Carajás aconteceu no Pará, todos os envolvidos tentaram se eximir da culpa com argumentos semelhantes a esse do TJ/SP, colocando a culpa em quem estava mais perto, e em último caso nas vítimas.

    O governador do Estado, Almir Gabriel, disse que apenas autorizou a desobstrução da estrada, ocupada pelo MST, após solicitação do secretário de Segurança, Sette Câmara. O comandante da PM, coronel Fabiano Lopes, disse que apenas recebeu a ordem do secretário de Segurança e a transmitiu ao comandante do batalhão da PM em Marabá, coronel Mário Pantoja.

    O comandante do batalhão disse que apenas instruiu seu subordinado, major José Maria Oliveira, comandante da operação, a fazer a desobstrução da estrada. E o major disse que apenas dera as ordens aos soldados para desobstruir a estrada, com uso de “força necessária”, se preciso.

    E a soldadesca, que não tinha a quem culpar, culpou os sem-terra, com argumentos como “eles que começaram” e “nós só atiramos, eles morreram porque quiseram”. 21 sem-terra morreram, dez deles baleados à queima-roupa e sete por ferimentos de instrumentos cortantes, como a perícia comprovou. Sim, foi o que você leu: os policiais militares mataram um terço das vítimas a facadas.

    Almir Gabriel e Sette Câmara sequer responderam processo por isso. O comandante da PM, coronel Fabiano Lopes, não foi condenado. 144 policiais foram a julgamento e apenas dois condenados: o coronel Mário Pantoja e o major José Maria Oliveira, que só foram rpesos mesmo em 2012, dez anos após a condenação.

  4. dirval

    18 de agosto de 2016 4:52 pm

    Talvez o TJ/SP esteja neste

    Talvez o TJ/SP esteja neste casolevandomesmo emconta o sobrenome do fotógrafo: “da Silva”. Opa, da Silva, só podeser da família do LULA! Só pode ser!

  5. Sidnei Brito

    18 de agosto de 2016 7:05 pm

    Seria diferente

    Fosse o Estado de São Paulo governado pelo PT, o TJ decidiria diferente.

    Ia não só mandar pagar indenização, como ainda ouviríamos desembargadores deitando lição de moral, fazendo recomendações, inflamando-se em discursos em defesa do direito do exercício da profissão, ainda mais de uma profissão que serve justamente para levar o povo a exercer outro direito, que é o direito à informação. 

    Parece que estou vendo…

  6. Vixe

    18 de agosto de 2016 7:25 pm

    Quando é…

    …que o povo vai aprender, DE UMA VEZ POR TODAS, que a ELITE que compõe o Poder Judiciário, não está nem aí para este mesmo povo?

    Quando é que vão aprender, DE UMA VEZ POR TODAS, que polícia só existe para reprimir as massas e proteger essa mesma elite???

    Somos escravos em nosso próprio país!

  7. Frederico69

    18 de agosto de 2016 8:22 pm

    seguindo esta lógica,

    se esse juiz sair na rua, e for vitima de latrocinio e tomar pipoco, a culpa é dele. por ter se exposto ao perigo.

    estou certo??

    1. Alan Souza

      18 de agosto de 2016 8:58 pm

      É por aí…

      A culpa será dele, que ao sair de casa assumiu o risco de se expor a um assalto ou a um tiro…

  8. peregrino

    18 de agosto de 2016 9:28 pm

    seguradoras agradecem…

    daqui a alguns anos estarão ganhando muita grana se outros juízes adotarem esta mesma forma de pensar

    1. ze sergio

      18 de agosto de 2016 9:38 pm

      seguradoras…

      O Ministério Público e o Judiciário de São Paulo. Mas pode ficar pior, pode se tornar o MP e Judiciário do Brasil. O secretário de SP, que virou Ministro da Justiça é aquiele que autoriza suas forças policiais a provocar danos fisicos severos às pessoas que trabalhando, mostram a sua forma de agir e de pensar. E isto já se tornou realidade..

      1. peregrino

        18 de agosto de 2016 10:45 pm

        seguiu exatamente por aí…

        quando escolhem seus alvos, e alvos, no entender deles, são os que se atrevem a protestar e a mostrar para o mundo, querem as ruas desertas de trabalhadores da informação

        usaram muito na ditadura

        não foi colocado, mas duvido muito que o fotógrafo tenha se posicionado na linha de tiro

         

    2. peregrino

      18 de agosto de 2016 9:44 pm

      por exemplo…

      culpado por não ter visto a cratera na estrada

      culpado por não ter colocado portas corta-fogo na residência

      culpado por não ter percebido que o banco estava sendo assaltado

      culpado por estar presente

      culpado por estar ausente

      e por aí vai

      não julgam causas, nem Estado, defendem governos da turma

  9. Vagalume do Brejo

    18 de agosto de 2016 10:48 pm

    Não sei se tem mais bandido

    Não sei se tem mais bandido fora ou dentro do sistema de justiça!

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