Enviado por Adamastor
de O Cafezinho
A história completa do helicóptero do pó
Miguel do Rosário
Transcrevo abaixo um post que traz uma descrição detalhada da investigação e operação que apreendeu o famigerado “helicóptero do pó”. O responsável pela operação, o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli — o Pacheco -, dá entrevista ao site Vice.com.
Pacheco age como um policial prudente e responsável, que se recusa a fazer qualquer acusação sem prova. Mas ele observa que há várias perguntas sem resposta. A fazenda onde o helicóptero pouso, no Espírito Santo, fora comprada há pouco por um laranja. É preciso saber pra quem o laranja trabalha. Pacheco observa ainda que a operação era um tanto tosca e amadora, apesar da quantidade incrível de dinheiro e droga envolvidos. A explicação, segundo ele, é que esse tipo de operação costuma acontecer de maneira “fragmentada”, com núcleos independentes que não se conhecem entre si. Daí acontece de se trabalhar com grupos amadores.
*
Dica da @AgenciaPF_ e do Facebook do Agente Federal Neves.
POLICIAL CONTA COMO APREENDEU O HELICÓPTERO DO PÓ
By Roger Franchini; Ilustração por Daniel W., no site Vice.com
Ao longo de um mês, conversei com o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli — o Pacheco — sobre uma de suas rotineiras apreensões de cocaína no meio do mato.
Com 38 anos, lotado na Delegacia de Repressão à Entorpecentes de Vitória/ES, Pacheco é formado em Ciências Sociais, com mestrado em Inteligência Policial e Políticas Públicas. Trabalha como policial há 21 anos — sendo nove desses na Polícia Federal — e foi um dos responsáveis pela operação polêmica que apreendeu quase meia tonelada de pó no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ambos aliados do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em novembro do ano passado.
O objetivo da entrevista era reconstruir toda a investigação que culminou no flagrante, mas acabei por ter uma aula sobre como encontrar grandes quantidades de entorpecentes e aprender muita coisa sobre a hipócrita relação entre o imediatismo irresponsável da imprensa e os órgãos policiais. Um bate-papo na copa da delegacia.
Cocaína apreendida. Todas as fotos são cortesia do entrevistado.
VICE: Como as investigações deste caso começaram?
Pacheco: Nós já tínhamos uma diversidade enorme de informes; você foi policial, então sabe o que é isso, ou seja, uma informação que chega até nós, mas que ainda não se confirmou. Um informante, aquela conversa com o preso depois do depoimento, mas que não se quer registrar… É aquele dado que você não confrontou com a realidade. Pois bem, tínhamos alguns informes aqui dando conta da utilização de pequenos aviões nessa região.
Quando foi isso?
Em meados de novembro [de 2013], a P2 [órgão interno das polícias militares, formado por homens à paisana e viaturas descaracterizadas, ligado à Corregedoria da instituição para fiscalizar infrações administrativas dos policiais, muito embora, às vezes, realizem trabalhos de polícia investigativa, tal qual a Polícia Civil e Federal, além de serviço de inteligência para os governos estaduais] da Polícia Militar do Espírito Santo nos perguntou se sabíamos algo de estranho envolvendo fazendas da região. Havia chegado até eles a notícia da compra de um imóvel de forma muito estranha: uma pequena propriedade, que não valeria mais do que R$ 200 mil reais, teria sido comprada por R$ 500 mil reais, à vista, na região de Brejetuba. Fomos a campo e começamos a coletar informações. E o que nos foi dito naquela comunidade? “Olha, os caras pagaram esse preço à vista, chamou muita atenção, chamou tanta atenção que até eu quis vender minha propriedade, porque o preço está muito acima do mercado”. Os caras compram essa fazenda e não a ocupam. São pessoas que não se identificavam com a atividade da agricultura. Os moradores locais nos diziam assim: “os caras são muito doidões”.
Vocês já sabiam o nome da pessoa que havia comprado a fazenda?
Não. A experiência que a gente traz de outras situações é que essa transação imobiliária não poderia ter passado por uma formalidade cartorial. Fazer um contrato de compra e venda sem registro…
Um contrato de gaveta?
Sim, de gaveta. Mas veja, hoje eu já tenho outra informação. Ele deu R$ 100 mil e ia dar outros R$ 400 mil em 15 dias.
Detalhe da comunidade de Brejetuba, local da apreensão.
O cara quem? O Élio Rodrigues?
Como você sabe? Ah, claro. Já está na internet por conta dos advogados… Sim, o comprador foi o Élio Rodrigues.
Vocês chegaram a bater um papo com esse Élio? Ele é quente ou laranja?
Cara, ele teve a oportunidade de ser bem assessorado, ele tá com advogado constituído, é um direito dele. Você tem que jogar a regra do jogo e a regra do jogo é a democracia legal que diz que ele tem o direito de se defender e constituir um advogado.
O que o Élio disse sobre a compra do sítio?
Ele admite a compra, mas tudo o que ele admite não nos possibilita concluir nada em relação a ele.
Como assim?
Ah, eu perguntei a ele: “Você comprou a fazenda em dinheiro?”, “Comprei”. “De onde veio o dinheiro?”. “Eu guardo em casa”. “Você esteve lá?”, “Estive”, “Você conhece algum dos presos?”, “Conheço”, “De onde você os conhece?”, “Conheço da fazenda”. O que posso fazer diante de uma afirmação dessa?
E quando o sigilo bancário dele vai cair na imprensa?
Você tem uma bola de cristal aí?
Que a Polícia Federal vai pedir eu sei que vai, minha dúvida é quando isso vai cair na imprensa.
A minha duvida é quando o banco vai me entregar.
Helicóptero apreendido. No detalhe, compartimento usado para esconder a droga.
O que ele faz profissionalmente?
Ele é um empresário de Vitória.
E ele ostenta? Você acha que ele tem grana para dar meio milhão em dinheiro?
Se a gente tivesse a convicção suficiente para segurar ele, já teríamos pedido sua prisão. Mas a mecânica do processo penal não é tão simples, nem deve ser. Você sabe, a polícia, por viver o calor do evento, tende a ser arbitrária e dura. Por isso, em certos casos, a velocidade lenta do processo penal não é ruim. Daí a diferença entre o tempo da imprensa e do tempo da polícia investigativa.
Vocês chegaram ao Élio antes ou depois da apreensão?
Chegamos ao simples pré-nome Élio antes, e ao Élio qualificado (a saber: quem ele é e tal) logo depois. Um dia depois.
Como vocês descobriram que o helicóptero ia pousar naquele instante?
Quando chegamos, como disse, em meados de novembro, um vaqueiro deu uma informação importante pra gente. Ele disse o seguinte: “Olha, os caras chegaram aí, compraram a fazenda, se apresentaram como donos, fizeram churrasco durante dois dias inteiros e ficaram de voltar aqui no dia 23″, que era o sábado. Então, a gente se estabeleceu nessa região por seis ou sete dias, para fazer vigilância e observar a movimentação de pessoas que não têm identidade com aquela área. Já na sexta-feira, dois dias antes da apreensão, começamos a ver a movimentação de estranhos no local.
Momento da abordagem com helicóptero da PM dando cobertura para a equipe.
Vocês já tinham notícia de que a aeronave havia pousado lá em outras vezes?
Não, curioso isso. A gente costuma dizer que a imprensa gera o efeito “facho de luz”, ou seja, ela ilumina um ator que antes ninguém via. Depois que nós apreendemos esse helicóptero, já recebi 15 ligações de 15 helicópteros carregando cocaína. Quer dizer, até prender o primeiro, nunca houve. Depois que prendemos esse, tem um monte. Não tínhamos noticia de pouso anterior, mas ficou muito evidente pra gente, em razão da logística da fazenda, que, se fosse o transporte e entrega de drogas, não poderia ser feita de outra forma. Por que você compra uma fazenda e não ocupa? Por que paga em dinheiro, por que paga o dobro do preço? Por que marca um dia para voltar e não está lá exercendo atividade de agricultor diariamente? Nós temos casos repetidos de aeronaves transportando drogas em outros estados, apostamos na vigilância e apostamos bem.
Quantos policiais estavam envolvidos nessa operação?
Ah… Foram poucos. Fizemos uma parceria com a Polícia Militar local, porque sem eles não saberíamos andar naquela região. Sem eles o resultado não aconteceria.
Quantos policiais ao todo?
Eram seis agentes federais e seis PMs.
Em um vídeo no Youtube mostra que só dava PM no momento da abordagem.
O que acontece é o seguinte: para conquistar o apoio da PM, a gente precisava colocar eles em evidência. Quem pede tem que oferecer. Nós não somos vaidosos, entende? Então, o acordo era bem simples: vocês ficam com a notícia e a gente fica com o resultado do trabalho. Pode capitalizar, pode ficar à vontade, não tem problema. Eles são de uma cidade pequena, para eles isso era um feito histórico. Os PMs que participaram também são policiais de perfil baixo, que não se apegam a isso. Então, na verdade, a operação foi atribuída quase que na totalidade à Polícia Militar, mas estávamos cientes.
Veículo em que a droga estava sendo descarregada.
Alguns curiosos da internet disseram que a rota seguida pelo helicóptero não era bem aquela divulgado pela PF, pois não bateria com a autonomia de voo da aeronave. O tempo não é para tanto, que ela estava pesada demais, etc.
O curioso é que quem acha isso não sabe nada! Quando começamos a acreditar que poderia se tratar de uma entrega de drogas com um helicóptero, fui buscar apoio aéreo do helicóptero da PM para ajudar os policiais que estavam na vigilância em terra. Eu falava para eles da necessidade de estarmos a postos muito antes dos traficantes, mas eles respondiam: “Não dá. Ali, depois das quatro horas da tarde não tem jeito porque é serra, montanha, tem nuvem, é perigoso”. Eu falei: “Cara, é que você tá pensando como piloto, como alguém que segue regras, tá pensando como alguém que pensa em segurança, você não tá pensando como traficante que chega a ganhar um milhão de reais numa operação dessas”. Então, quer dizer, os caras da internet não sabem que os pilotos que se dedicam a essa atividade são malucos, ignoram perigos básicos, carregam combustível dentro da aeronave…
Mas o peso dele não influencia?
Influencia, mas nada impede que ele tivesse pontos de pouso intermediários para isso.
Essa é a dúvida que todos temos. Esses pontos de pouso intermediários. Suspeita-se de nomes de muitas pessoas que deram cobertura a esses pousos que ainda não vieram à tona e…
É possível, mas como te falei, a velocidade da imprensa não é nossa. O compromisso da internet é o curtir do Facebook e as piadas nos grupos de WhatsApp. Cadeia não é hotel, é coisa séria. Daqui a uns dias, os peritos vão me entregar as coordenadas, daí ótimo, beleza, tenho a coordenada e vou colocar no Google Earth. [Por exemplo] Bateu lá em Bauru. Porra, meu irmão, eu preciso de uma equipe que vá a Bauru, que vá ao cartório, que identifique a fazenda. Pode ser um produto de espólio, uma herança, pode ter herdeiro brigando, o pouso pode ter sido aleatório. Ou seja, nós não podemos ter aí a irresponsabilidade do cara da internet. E se ele pousou na fazenda do seu avô, seu avô é traficante, é isso? Muita calma nessa hora, parceiro, porque a internet não tem compromisso com porra nenhuma, mas eu tenho, meus colegas têm, o delegado tem! Respondi uma pergunta um dia desses sobre o deputado [Gustavo Perrella, dono do helicóptero apreendido]. O pessoal falou: “Porra, a cocaína é do deputado porque o helicóptero é dele!”. Eu falei: “Caralho, se eu pedir seu carro emprestado, e encher ele de cocaína, você é o traficante?”. Ou seja, não pode ter esse atropelo, isso atrapalha. A ânsia de querer inflar uma notícia, julgar alguém, colocar um senador, um deputado no rolo… Não tenho medo de político não, já prendi vários. Tô cagando pra esses caras, quero que se fodam. Mas quem vai sentar na frente do juiz e dizer “Foi ele!” sou eu, serão meus pares. Não pode ter essa pressa não, velho.
Você teve acesso às mensagens de celular trocadas entre o piloto e o deputado?
Ainda não. É isso que eu estou falando. Para você ver. O deputado vai lá e fala: “Eu não sabia de nada”. Aí depois ele mexe no próprio telefone e se dá conta que mandou uma mensagem para o piloto. Daí o que ele faz? Dá outra declaração desmentindo a anterior, porque ele sabe que na hora que sair o laudo eu vou ter essa mensagem. Mas se eu mexer nesse telefone antes da autorização judicial, o advogado vai falar: “Você conspurcou a prova, portanto, ela não vale mais nada”. Só vou ver essas mensagens quando o perito me entregar o laudo. Meu compromisso é com a sentença, não com a notícia.
Mas vocês não chegaram a pegar esse celular nas mãos? Não abriram, viram os números e tal?
Sim, os celulares foram todos apreendidos. Você tem que entender o seguinte: a necessidade de você obter uma informação é até você obter o que você quer. O que eu quero? Provar nosso ponto perante à justiça, curiosidade é coisa de menino.
É louvável tamanha frieza. Só acho estranho porque a Polícia Civil, no dia a dia, não é tão disciplinada assim.
Parceiro, é o seguinte: a gente trabalha nesse caso com a Justiça Federal e o MPF. Se a Polícia Civil lidasse com juízes e promotores federais, ela ia ficar disciplinada. O que acontece: o cachorro morde no tamanho da porrada do dono. Então, os juízes federais, no geral, são fodas. Não estou dizendo que a justiça estadual é pior, mas até em razão do volume absurdo de trabalho que eles têm, costumam ser mais tolerantes. O importante para nós era prender os caras e tirar meia tonelada de cocaína do mercado. Isso foi feito. E as respostas? Elas virão na velocidade da lei, não posso atropelar esse processo. Daí, depois, vêm as criticas da própria imprensa: “Ah, mas o Tribunal anulou a operação da Policia Federal inteira”. Anulou porque a gente fez merda, ou seja, não pode fazer assim velho, tem que ter calma.
Quando vocês tiveram a notícia que o helicóptero era do deputado?
O piloto falou ali mesmo na hora, ele abriu o jogo e disse: “Olha, eu piloto para o senador Perrella, ele não sabe que eu estou aqui e vai ficar muito ruim pra mim”. O colega que estava na condução disse: Foda-se, isso é um problema seu, não meu.
O piloto estava armado? Porque eu vi que a chegada foi muito calma, né?
Ninguém estava armado, não teve resistência. Foi muito calmo, cara. Você imagina que uma operação dessa, desse nível de investimento, 1kg dessa cocaína custa lá na fonte, no fornecedor, algo em torno de US$14 mil dólares. Isso é gente que anda de Mercedes. Eu mesmo, em todo momento, nunca apostei no confronto. Mandamos uma equipe pronta para o confronto, mas nunca apostei.
Qual foi a reação da equipe quando descobriu que o piloto era funcionário do deputado?
Indiferente. Quem trabalha com entorpecente não é ligado em glamour, velho, não tem isso. Quem trabalha com entorpecente é farol baixo. O tesão dos caras foi a carga. O tesão dos caras é “Puta que o pariu, 450 quilos, beleza, tô de pau duro e feliz”. Eles não têm tesão com mídia, com Fantástico… Não têm tesão por nada disso. Quando o cara falou de senador, de deputado, eles cagaram, velho, tão nem aí.

Policiais no momento da apreensão.
Os presos tinham passagem pela polícia?
Só um, e não é folha corrida grande. Mas o que acontece nesse tipo de operação: os caras trabalham em células. Quem fornece não conhece quem transporta, que não conhece quem recebe, que não conhece quem revende. A vantagem disso é que, quando você pega um, o cara realmente não conhece o próximo. E qual é a desvantagem desse tipo de estrutura? O envolvimento de pessoas “não profissionais”. O que causa alarde nesse trabalho não é nem a droga. Se eu pegasse meia tonelada num caminhão de arroz vindo de Foz de Iguaçu, ganhava só uma notinha de jornal. O que chamou a atenção desse caso foi o helicóptero, o tipo do transporte.
E o dono dele, né…
Sim, aí potencializa.
Quando sua equipe chegou a Brejetuba para dar o bote?
Seis ou sete dias antes.
E onde eles ficaram hospedados?
No mato.
No mato? Dentro de uma casa, numa espécie de acampamento?
Usaram algumas casas para apoio e se revezavam eventualmente na cidade, mas na vigilância a gente fez acampamento mesmo.
Você participou da abordagem?
Não, eu estava no controle, estava em Vitória dando todo o apoio. Foram sete dias de comida de micro-ondas dormindo dentro do trabalho em colchão inflável. É preciso ter um cara distante para que possa suprir os meios. Os caras estão lá no mato, ele não tem condição de fazer isso. Então, porra, um colega passou mal, ficou doente, precisa ser substituído, uma viatura quebrou, precisa de dinheiro, precisa de armamento, você tem que ter um cara fazendo essa logística, fazendo isso. Eu fiz isso.
E como foi a rotina desses seis ou sete dias no mato?
Ah, complicado, né, cara, porque você tem que levar mantimento, tem que levar água, comida, você não pode cozinhar, leva muito biscoito, muito pão. Mija dentro de garrafa pet. Quando não pode ser na garrafa, arruma um matinho. Essas equipes têm que se revezar porque você tem limite de exaustão.
Quantas pessoas ficaram no acampamento?
Seis nossos e seis deles.
Os “eles” eram P2?
Só trabalho com P2, não trabalho com tropa regular.
Por quê? Vocês tem algum tipo de objeção para trabalhar com a Polícia Civil?
Não, nenhuma. Trabalho com vários deles, mas nesse caso a preferência é de natureza doutrinária, não de natureza ideológica. A Polícia Militar, apesar de ser mal afamada por ser militar, tem uma disciplina que a Polícia Civil não tem. Para esta ação, a P2 era a melhor opção, quando disse que não trabalho com tropa regular me refiro ao policiamento ostensivo que a PM faz com os homens de farda, a P2 é uma unidade especializada. E isso vale para qualquer polícia.
Como vocês descobriram que o helicóptero estava chegando? Viram ele se aproximar?
Como disse, nós tínhamos a referência do peão, que falou: “Eles disseram que vão voltar aí por volta do dia 23, 24″. Ele deu uma data aproximada. A gente não sabia muito bem o que ia acontecer. Se a droga viria de carro, cavalo, helicóptero… Terrestre a gente já sabia que não ia ser porque a região não permite isso. Havia uma única via de acesso… Não faria sentido. Para o cara levar a droga ali por terra, ele teria que se complicar, não se descomplicar. Porque ele teria que sair de uma rodovia federal para uma estadual e para uma vicinal… O caminho não é esse. O caminho é de uma vicinal para uma BR. Então, a gente não sabia muito bem o que ia acontecer, mas a gente sabia que não ia ser por terra. E se fosse por terra, nossa estrutura estava pronta para asfixiar.
Com 12 pessoas?
Era o suficiente. Com 12 pessoas você monta uma estrutura de observação e mais duas ou três equipes de intervenção com muita tranquilidade.
E que tipo de armas essas equipes de intervenção usavam?
Todas. Desde o armamento não letal, das granadas de luz e som, passando pelas pistolas e chegando aos fuzis. Não sabíamos quem era o inimigo, levamos tudo.
Quem eram as pessoas que estavam aguardando a chegada da droga em solo, no carro branco?
Era um garoto da área, de nome Everaldo, e um carioca de nome Robson.
E agora, Pacheco? O trabalho se encerra no dia 17. Tá tudo redondo?
Redondinho. Mas, cara, sinceramente, considero essa uma operação amadora. A forma como eles montaram a logística chamou atenção, com gente graúda seria mais sofisticado. E veja a chegada deles na região — é uma região de matutos. Os caras chegaram chamando muita atenção. Porra, chegaram com dinheiro em bolsa, pagaram valores fora de mercado. Fizeram churrasco, encheram de mulher. É uma sociedade pacata, o cara ali casa com 16 anos. Aí você faz um churrasco e leva um monte de mulher para lá? Chama atenção. Acho que a operação foi muito tosca para envolver um cara desse calibre.
Isso não está estranho, Pacheco? Afinal, é um investimento muito grande para três peões que parecem nunca ter feito isso na vida.
Não tenha dúvida, o problema é que esses caras trabalham em células. Fazem tarefas seccionadas para que, justamente, a gente tenha dificuldade em compreender todo o conjunto.
Fazendo uma especulação bem rústica, vocês já chegaram a cogitar a hipótese de que o piloto e os garotos foram colocados ali para serem presos?
É possível. Mas nossa experiência deixa claro que tem muito mais à frente e muito mais atrás, sim. Só temos que focar no que a gente tem em mãos nesse momento.
O carro estava no nome de quem?
Ainda não parei para olhar. Mas acho que é do Robson, um dos presos.
E eles falaram para onde levariam a droga?
Imagina…
Eles não abriram o bico?
Não, nada. Na Polícia Federal, o cara não apanha, não toma calor. Por favor, não estou dizendo que nas outras polícias se faça isso, mas aqui não se faz.
Ah, para com isso Pacheco…
Porra, cara, não apanha. Eu vou bater no cara? Tenho 20 anos de polícia, tenho dois filhos para criar, você já viu o contracheque da polícia, tem escrito lá auxílio-cacete? Não é uma questão de ideologia, é uma questão de inteligência. Não vou ficar dando porrada nos outros, por quê? Para ser demitido e depois o Ministro da Justiça tirar onda e dizer que não tolera isso?
Uma das casas usadas como acampamento pela equipe.
Sabe o que levantaram na mídia, Pacheco? Que o Alexandre, o piloto, tem uma escola de aviação aqui em São Paulo. Disseram que o patrimônio dele deu um salto gigantesco em um ano.
É o que eu tô te falando. Defendo totalmente a liberdade de expressão, o caralho a quatro de asa roxa, porra! Mas a imprensa não tem compromisso com porra nenhuma, velho. O cara vai lá no Campo de Marte, filma uma escola de aviação, conversa com o porteiro, o porteiro diz que aquele patrimônio é enorme e ele joga isso na televisão. Nós não podemos fazer isso. Eu vou ter que falar na frente de um juiz, na frente de um promotor. Não posso fazer isso. Agora a Band foi lá, filmou, falou assim: “A escola do cara vale 200 milhões de dólares”. Eu não, preciso provar isso.
Ah, para com isso, sério, cara?
Você vai encontrar o flagrante na internet porque os advogados já deram para a Globo, já deram para todo mundo. Isso é informação pública, não tem por que eu te esconder isso.
Mas eles só mostram aquilo que interessa a eles, o que normalmente não me interessa.
Mas eu tô te falando, cara. Para mim, quando é prisão em flagrante, o tempo urge. Porque se o cara, por exemplo, foi numa lanchonete, foi num banco ou foi num hotel, esses registros vão se perder. Em um pequeno hotel, se ele tiver uma câmera de vigilância, ele grava cinco dias.
A região de Afonso Cláudio tem tradição em ser rota de tráfico?
Tivemos um caso antigo nos idos de 2003, 2004… Realmente, não me lembro muito bem. Prendemos uma gerente da Caixa Econômica que tinha envolvimento com o Fernandinho Beira-Mar. Então, a cidade não tem um histórico com a traficância de entorpecentes.
Essa foi a maior apreensão que a Polícia Federal fez?
Não. A Operação Monte Perdido que fizemos no Rio de Janeiro apreendeu 750 quilos na Austrália, teve uma acho que em 1997 que deu umas sete toneladas em Tocantins. Aqui no Espírito Santo foi a segunda maior apreensão de toda historia. A maior foi de 600 e poucos quilos, 630 quilos, em 1996, e agora nós temos essa aí totalizando 445 quilos.
A imprensa divulgou que já foi descartada a participação dos donos do helicóptero na apreensão da droga. É isso mesmo?
Já naquela época, tínhamos um monte de detalhes que os excluíam da situação. Agora, além disso, existe um conjunto enorme de mensagens de celular (saiu ontem o laudo, mas não vamos falar delas, OK?) entre o piloto do deputado e outro piloto. Eles conversam sobre o pagamento das horas ao deputado, que acertaram ser apenas 4h, visto que ele disse que iria até São Paulo e voltaria. Seriam dois mil reais a hora. Ocorre que já estavam voando há quase 28h e combinam então de enganar o deputado. Ou seja, o deputado pode ter envolvimento em ilícitos? Pode. Mas com o conteúdo destas conversas fica absolutamente excluída qualquer chance de ligá-lo a este evento.
Quais são as perguntas às quais você ainda não teve resposta?
De quem é a terra eu já sei, mas por que ele a comprou, qual o real desejo de comprar essa fazenda? É coincidência alguém ter comprado uma fazenda de forma lícita, e uma aeronave carregada de entorpecentes pousa nela dias depois? De quem era essa droga? Quem são os fornecedores? Quem são os financiadores dessa operação?
Muitas perguntas…
Vou te dizer, essas perguntas não vão ser respondidas, e não devem ser respondidas, porque você inviabiliza o processo penal. Porque o processo penal trabalha com verdade real, não fui eu quem inventou isso. Então, não adianta você querer expandir e ficar aberto. Se falar assim, “Não, doutor me espera, porque eu vou procurar quem vendeu a droga lá no Paraguai, na Bolívia, no Peru, sei lá onde foi”. Eu vou achar? “Então, por que você vai abrir isso? Não me interessa.” E o direito penal trabalha com conduta fechada.
Qual a conduta atribuída aos pilotos?
Sim e acabou! Saiu daí, é curiosidade policial. Nós vamos atrás dessas respostas? Vamos, mas não dentro desse processo.






Luiz Cesar 2
18 de janeiro de 2014 12:20 pm“…ambos aliados do
“…ambos aliados do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em novembro do ano passado.
Acho que o governador de Minas Gerais é um outro cara.
ruyacquaviva
18 de janeiro de 2014 1:44 pmTem razão, o texto deveria
Tem razão, o texto deveria escrever ex-governador de Minas ou então Senador por Minas Gerais.
Mas a intimidade entre os tucanos e o deputado traficante é inegável.
aliancaliberal
18 de janeiro de 2014 4:16 pmEsta parte não agradou o Ruy,
Esta parte não agradou o Ruy, que agora vai ter que continuar mentindo forçando a barra para colar.
“o deputado pode ter envolvimento em ilícitos? Pode. Mas com o conteúdo destas conversas fica absolutamente excluída qualquer chance de ligá-lo a este evento.”
ruyacquaviva
19 de janeiro de 2014 12:57 pmE qual foi a minha mentira?
O
E qual foi a minha mentira?
O helicóptero não transportava quase meia tonelada de cocaína?
O combustível do helicóptero não foi pago com verba pública?
O helicóptero não era do deputado estadual Gustavo Perrela (SDD-MG)?
O helicóptero não se dirigia à fazenda do senador Zezé Perrella (PDT-MG)?
O senador citado não é pai do deputado citado?
Ambos não são aliados políticos do Aécio Neves de longa data?
O piloto do Helicóptero não é homem de confiança dos Perrella? Não é inclusive assessor do deputado na AL de MG?
Que mentira eu contei? NENHUMA
Agora, bizarro é ver um cara que se faz de vestal, reverberando sem qualquer prova a menor notícia que seja envolvendo alguém ligado ao PT (por mais indireta e distante que seja essa ligação, inclusive usando de mentiras para fazer a conexão onde não há nada), querer defender um TRAFICANTE de grande porte apenas porque é aliado de seu candidato. É o rei da CARA-DE-PAU.
O senador Zezé Perrella (PDT-MG) saiu em defesa do filho, o deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), no escândalo da apreensão
alexis
18 de janeiro de 2014 9:00 pmRuy, bebi demais
Parece que estou viajando de trem e passo por uma exposição de gado, numa cidade do interior. Olho pela janela do trem e vejo (na foto) dois bois premiados (Que medalha boba!) e uma vaca olhando o trem passar (com essa cara típica). Vou para de beber.
Frederico69
19 de janeiro de 2014 4:04 amé a marchinha
o pó rela no pé,
o pé rela no pó,
esse pó é de quem eu tou pensando?
ah é sim!
MarFig
18 de janeiro de 2014 12:47 pmHumm .. Entrevista sinistra.
Humm .. Entrevista sinistra. Parece coisa encomendada. Nunca vi um agente da PF sair por aí falando o que quer desse jeito.
MRE
18 de janeiro de 2014 3:21 pmÓtima entrevista !
Falou bem e enalteceu o trabalho da PF, e da polícia e justiça de forma geral. No seu imaginário a polícial deveria falar um português irretocável e elegante? Os personagens da Agatha Cristhie talvez sejam como você gosta.
Se todos os policiais agissem com esta postura a polícia não produziria Datenas e assemelhados que as tornam artigos de corrupção.
Por conta do mundo moderno e ágil, talvez as leis devam ser revistas para permitir que as informações de bastidores,que estes agentes conhecem, possam ser utilizadas, diminuindo o tempo de processo.
alessandroaf
18 de janeiro de 2014 12:52 pmÉ pouco
não sei para quê tanto alvoroço por meros 450 kg de cocaína.
Acho que houve apenas um erro no transporte, que deveria ter sido feito de trem.
W K
18 de janeiro de 2014 1:02 pmComo policial amador,
formado nas tele-aulas dos brilhantes e consagrados professores Datena, Marcelo Resende de Linha Direta e outros assemelhados, bem como nas aulas do tradicionalíssimo “Rádio Polícia” da Rádio Itatiaia, me permito a comentar que essa turma do baixo escalão possui três características importantes: são BCP – burros, covardes e preguiçosos.
Burros, porque não conhecem quase nada do que é certo ou não é, covardes, porque usam “métodos informais” (bala) para resolverem divergências, e preguiçosos, porque não batalham diariamente por uma vida melhor, apenas querem ganhar muito em um lance rápido.
No caso, foram burros, porque chamaram a atenção com a compra fora do padrão regional e com o tal baile em região pobre, um pouco covardes, porque não legalizaram a compra (me parece que a lei permite confiscar a tal propriedade), e preguiçosos porque não batalharam por mais discreção.
Lembro que há alguns anos, uma conversa via rádio na Amazônia foi interceptada, onde no diálogo se mencionava em transporte aéreo de “folhas de alface”, que era maconha. Remessa aérea de folha de alface costuma quebrar o hortigranjeiro, não é?
Deve ser com base nesses conceitos que a polícia atua, não é?
aliancaliberal
18 de janeiro de 2014 1:27 pmSe eu falar “muito bom” já
Se eu falar “muito bom” já condenarei a postagem. Ate que enfim Miguel sai uma coisa honesta de vc.
CELSO ORRICO
18 de janeiro de 2014 1:51 pmhahahahahaha
essa é pra rir..e o DARF da Globo Aliança, vai um cafezinho??
Daytona
18 de janeiro de 2014 2:50 pmSiga o exemplo e faça algo
Siga o exemplo e faça algo honesto pela primeira vez em sua vida, Aliança.
Explica pra gente as ideias racistas dos seus mestres do Inst. Mises, por exemplo, “os negros são geneticamente menos inteligentes que os brancos”, ou “homosexuais devem ser fisicamente removidos da sociedade”, sabe, essas ideias que os professores do Inst. Mises costumam debater em seminãrios organziados com seus amigões da KKK e de grupos neonazistas.
ruyacquaviva
18 de janeiro de 2014 1:36 pmAcho que muita gente já viu,
Acho que muita gente já viu, mas quem ainda não viu pode deleitar-se com o grande sucesso do carnaval 2014…
[video:http://www.youtube.com/watch?v=jvjHztmfzk0%5D
Marly
18 de janeiro de 2014 4:51 pmKKKKKKK !!!!!
Há dias alguém postou esse vídeo, mas não consegui abrir. Hoje sim, deu cerrto! Valeu! Muito bom !!!!!
Zanchetta
18 de janeiro de 2014 1:42 pmVixe! E a seção “DESCULPAS”,
Vixe! E a seção “DESCULPAS”, será que vem?
alexis
18 de janeiro de 2014 1:46 pmProvas “a prova de Jui$$$$”
Caralho, se eu pedir seu carro emprestado, e encher ele de cocaína, você é o traficante?”.
Mas, se você pegar o meu carro emprestado e eu nego ao ver que fui pego (e logo mudo a versão), você leva o meu carro até Paraguai, fica 3 dias com ele e eu fingindo não saber de nada, chega com quilômetros e quilômetros rodados (tem conta quilômetro essa porra?) e, ainda, trabalha de bico na Assembléia de Minas Gerais, com salário pago pelo contribuinte?
O que o Delegado mostrou é que a polícia brasileira deve estar com provas muito claras para fazer a um Jui$$$ condenar a esses graúdos. Já devem saber como funciona o Judi$iario.
Daytona
18 de janeiro de 2014 2:39 pmDomínio do Fato?
Domínio do Fato?
ELTON DA SILVA JACQUES
18 de janeiro de 2014 4:01 pmA entrevista
ACHO ESTRANHO UM AGENTE FEDERAL DAR ESSE TIPO DE ENTREVISTA, RECHEADA DE GÍRIAS….
PARECE FANTASIOSA e PERMITINDO AO LEITOR, FAZER ILAÇÕES
O SILÊNCIO E LERDEZA DA POLÍCIA EM APRESENTAR RESULTADOS…TAMBÉM PARECE PROPOSITAL, DE FORMA A ALIMENTAR A IMAGINAÇÃO….
Marcel
19 de janeiro de 2014 12:38 pmquem?
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc05079804.htm
CRISE FEDERAL
Mais 1 delegado e 9 agentes serão destituídos de suas funções
Comissão afasta mais dez membros da Polícia Federal
ABNOR GONDIM
da Sucursal de Brasília
A comissão criada pelo Ministério da Justiça para levantar todas as situações irregulares em que estão envolvidos funcionários da Polícia Federal concluiu ontem que pelo menos mais um delegado e nove agentes serão afastados das funções que desempenham hoje.
Os dez afastados dessa segunda etapa da operação de “saneamento” da PF são um delegado e dois agentes de São Paulo e sete agentes do Rio de Janeiro.
Os dez são passíveis de “suspensão preventiva”, como manda a medida provisória editada na semana passada pelo governo, porque, explicou ontem o representante da OAB na comissão, o advogado Paulo Castelo Branco, respondem a processos disciplinares.
A MP tornou obrigatório o afastamento de policiais acusados de praticar infrações graves, como extorsão e envolvimento com tráfico de entorpecentes. Eles serão afastados da PF e responderão em casa aos processos, mas continuarão a receber salários.
“O disposto nesta MP aplica-se aos processos disciplinares em curso”, diz o artigo 2º da medida assinada por FHC no dia 30.
Os três policiais sujeitos a afastamento em São Paulo são: o delegado Elton da Silva Jacques, acusado de apreender dólares de pessoas detidas; o agente William Vidal, acusado de praticar extorsão; e o agente Sandro Eschenazi, acusado de transportar arma ilegalmente.
No Rio, os agentes sujeitos a afastamento são os seguintes: Luciano Botelho, Carlos Santos e Paulo Leal, acusados de praticar extorsão; Leovegildo Fernandes, Rogério Manssini, Ivaldo Silva e Flávio Daemon, acusados de envolvimento com tráfico de drogas.
Os policiais envolvidos em processos disciplinares foram levantados pela Corregedoria da Polícia Federal. Os casos estão sendo analisados pela comissão especial criada pelo Ministério da Justiça para rever as providências tomadas pela PF sobre policiais acusados de praticar irregularidades.
A lista dos policiais que serão afastados da PF será divulgada na próxima quarta ou quinta-feira pelo ministro Renan Calheiros (Justiça). Poderão ser incluídos outros policiais que respondem a processos disciplinares ainda não concluídos pelo ministério.
Calheiros disse ontem à Folha que a orientação dada à comissão é clara: “Se o caso está enquadrado nas disposições da MP, não tem o que fazer, é afastar mesmo. Mas eu não vou permitir que seja podado o direito de defesa”.
Na semana passada, foram destituídos de cargos de confiança em São Paulo os delegados Wilson Alfredo Perpétuo e Mário Ikeda por pressões da Procuradoria Geral da República. Perpétuo foi condenado por facilitação de contrabando. Ikeda responde a processo por não prender policiais suspeitos.
A comissão foi criada por causa da crise aberta entre a PF e a Procuradoria Geral da República em razão das ameaças de mortes feitas à procuradora Maria Cristiana Amorim. Ela investiga policiais federais denunciados pelo delegado Alcioni Santana, morto no final de maio em São Paulo.
O advogado Paulo Castelo Branco, representante da OAB na comissão especial do Ministério da Justiça, disse que os policiais que respondem a processos disciplinares poderão recorrer à Justiça para não serem afastados.
Segundo o advogado, os policiais podem alegar que a MP retroage para prejudicar, ferindo princípio jurídico de que a lei só pode retroagir para beneficiar. Isso porque os processos disciplinares foram instaurados sem prever a punição do afastamento.
Por isso, na avaliação de Castelo Branco, o Ministério da Justiça pouco poderá fazer em relação aos 147 policiais relacionados no dossiê entregue anteontem pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, a Calheiros.
Leandro Carlos Trenti
19 de janeiro de 2014 12:40 pmNo. ORIG. :
No. ORIG. : 01004273019984036119 2 Vr GUARULHOS/SP
DECISÃO
Trata-se de apelação criminal interposta por JUDITE SANTOS DA SILVA contra sentença que declarou extinta a punibilidade dos réus Elton da Silva Jacques, Judite Santos da Silva e Maura Marques.
Consta da denúncia (fls. 02/07) que, em 18 de fevereiro de 1994, no Aeroporto Internacional de São Paulo, localizado no município de Guarulhos/SP, Paulo César Martins e Luiz Gonzaga de Souza foram presos, em flagrante delito, pelo uso de documento público falso, aos quais teria sido exigida vantagem indevida pelo Delegado de Polícia Federal, o DENUNCIADO ELTON DA SILVA JACQUES, com a participação das denunciadas Judite dos Santos Silva e Maura Marques, tendo praticado o crime de concussão, previsto no artigo 316, caput, do Código Penal.
A denúncia foi recebida em 8 de julho de 2004 (fl. 258).
Após regular instrução, foi proferida sentença (fls. 1312/1313) que, reconhecendo a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva estatal, declarou extinta a punibilidade dos RÉUS ELTON DA SILVA JACQUES, Judite Santos da Silva e Maura Marques, com base nos artigos 107, inciso IV, c.c. artigo 109, inciso IV c.c. artigo 110, §§ 1º e 2º, todos do Código Penal.
A acusada Judite Santos da Silva, em razões recursais (fls. 1333/1341), requer, em síntese, sua absolvição em razão da ausência de dolo específico, bem como do fato não ter se constituído em infração penal ou, caso não seja esse o entendimento, de não ter concorrido para a prática do delito.
A acusação apresentou contrarrazões (fl.1346).
A Procuradoria Regional da República opinou pelo não conhecimento do recurso (fls. 1349/1350v).
Feito o breve relatório, decido.
Inicialmente, considerando que o MM Juiz sentenciante reconheceu a extinção da punibilidade dos denunciados pela prescrição da pretensão punitiva estatal, pois a pena do crime descrito no artigo 316 do Código Penal é de 2 (dois) anos a 8 (oito) anos de reclusão e que, diante dos fatos e provas coletadas aos autos, caso houvesse condenação, a pena não ultrapassaria a média de 4 (quatro) anos, cujo prazo prescricional é de 8 (oito) anos, nos termos do artigo 110, §§ 1º e 2º c.c. artigo 109, inciso IV, ambos do Código Penal.
Assim, tendo corrido lapso temporal superior a 10 (dez) anos entre a data dos fatos, praticados em 19 de fevereiro de 1994, e o recebimento da denúncia, ocorrido em 8 de julho de 2004, entendeu a MMª Juíza a quo que a prescrição da pretensão punitiva estatal encontrava-se consumida.
Assim, considerando que não há recurso ministerial, ocorrendo, assim, o trânsito em julgado para a acusação, bem como qualquer impugnação a respeito, a jurisprudência pátria é incontroversa no sentido de que não possuem interesse recursal aqueles que já tiveram suas punibilidades extintas em razão do reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva estatal.
Nesse sentido:
“PENAL E PROCESSO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. EMBARGOS INFRINGENTES. MANIFESTA AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO (CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS). RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. Decretada a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva do Estado, é manifesta a ausência de interesse recursal da defesa, visto que, com a prescrição, desfazem-se todos os efeitos da condenação. Precedentes. 2. O não-conhecimento do recurso por falta de pressuposto de admissibilidade, qual seja, interesse recursal, não ofende a garantia do duplo grau de jurisdição. 3. Recurso especial não conhecido.”
(RESP 200302235617, ARNALDO ESTEVES LIMA, STJ – QUINTA TURMA, DJ DATA:26/06/2006 PG:00188.)
“RECURSO ESPECIAL. PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. PERDA DE OBJETO. JULGAMENTO PREJUDICADO. A jurisprudência construiu o entendimento de que a extinção da punibilidade pela superveniência da prescrição da pretensão punitiva prejudica o exame do mérito do recurso criminal, em face da perda do objeto da ação penal. Prescrição da pretensão punitiva declarada. Recurso especial prejudicado.”
(RESP 200001452924, JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, STJ – QUINTA TURMA, DJ DATA:02/12/2002 PG:00332.)
Com tais considerações, não conheço dos recursos de apelações, por falta de interesse recursal, na forma da fundamentação acima.
P. I., baixando os autos à Vara de origem oportunamente.
São Paulo, 27 de março de 2012.
Antonio Cedenho
Desembargador Federal
jc.pompeu
18 de janeiro de 2014 4:53 pmfatos míticos da mediocracia x os fatos subversivos na fonte
informação & notícia de fonte primária categórica é como uma brastemp: não tem comparação!
Maria Luisa
18 de janeiro de 2014 7:41 pmSer ou não ser nem sempre é a questão
Porque so agora lemos uma entrevista com o delegado responsavel da operação ? Ele estava impedido de falar com a imprensa ? Se a droga tivesse sido encontrada num helicoptero pertecente a alguém que fosse por acaso conhecido do amigo de alguém do PT, acho que ha muito ja conheceriamos o delegado Pacheco. Mas que bom que alguém foi atras dele.
Essa entrevista deixa a seguinte impressão: estão fazendo de tudo, mas tudo mesmo para livrarem a familia Perrella dessa situação. Porque a coisa iria sem duvida chegar até Aécio Neves, em plena campanha eleitoral para a presidência.
MBTMelo
18 de janeiro de 2014 9:51 pmNão é delegado.
“O responsável pela operação, o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli — o Pacheco”
O Pacheco é Agente de Polícia Federal, não é delegado.