Manual para entender por que a Lava Jato tem motivação política, por Maria Inês Nassif

O aparelho político-burocrático-midiático em que operação se sustenta é historicamente comprometido com o status quo.

Waldemir Barreto

da Carta Maior

Manual para entender por que a Lava Jato tem motivação política

por Maria Inês Nassif

A literatura política brasileira está recheada de histórias que comprovam a máxima “aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. É uma tradição das elites brasileiras o uso da polícia e da Justiça como arma, quando o voto não é favorável aos seus interesses. A ofensiva contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o PT não desmentem a história.
 
Antes da Constituição de 1988, o aparelho policial e Judiciário dependiam diretamente dos donos de votos nos Estados e no governo federal. Nos Estados, os oligarcas mantinham-se poderosos graças ao clientelismo; a uma Justiça a ele submisso; a uma polícia que era a extensão de seus interesses; e à mídia (jornais, rádios e televisões) que, se não era de propriedade do próprio chefe político, recebia dinheiro do governo suficiente para que apenas escrevesse o que fosse autorizado.
 
São inúmeras as histórias que se pode contar sobre esse tempo – como é o caso de um chefe político do Nordeste que, governador mandato sim, mandato não, mantinha os inimigos continuamente processados por um Tribunal de Justiça cujos desembargadores compareciam a uma reunião semanal em sua casa, para receber as ordens de como julgar os seus desafetos e os seus amigos. 
Todas as mudanças promovidas na Justiça, na Polícia e no Ministério Público pela Constituinte não foram capazes, todavia, de imunizá-los contra a sedução que o poder econômico e político exerce sobre eles. A mídia tradicional é capaz de tornar um simples procurador ou juiz em rei da pátria, desconhecer as mazelas de aliados e manipular a opinião pública para aceitar uma condenação injusta. Os interpostos dos aparelhos policial e judicial, ao atuarem em favor do status quo, passam a ter direito ao ingresso nesse seleto grupo de pessoas muito poderosas que, se não estiverem no governo, têm instrumentos suficientes à disposição para inviabilizar o oponente que venceu as eleições – e voltar ao poder.
 
Esse é o maior poder de sedução que a elite exerce sobre o aparelho burocrático do Estado: os que ocupam o poder em oposição a eles são intrusos, o aparelho de Estado é deles, por direito divino e, quando a ele retornarem, o conjunto das forças que contribuíram para derrubar o inimigo com o uso da Justiça – e a ajuda inestimável da polícia e do Ministério Público — estará no poder. O aparelho burocrático, se tiver algum sentimento de pertencimento, será esse: às forças que se juntam para evitar que a realidade social e política do país mude o menos possível, e manter os interesses historicamente estabelecidos. A burocracia é facilmente cooptável pelo status quo.
 
Nessa estrutura política, o voto é descartável. Duas louváveis leis para moralização das eleições, ao longo dos anos, por exemplo, têm se mostrado facilmente manipuláveis, sem que instrumentos efetivos de controle dos agentes que as executam protejam as vítimas de seus desmandos. A lei que proíbe o abuso do poder econômico, por exemplo, chegou a cassar o mandato do senador João Capiberibe (PSB-AP) por conta de uma única denúncia, da qual nunca se provou a veracidade, de que um único voto havia sido comprado por R$ 5. Assumiu no seu lugar o candidato que perdeu a eleição por muito mais do que esse voto. A Lei da Ficha Limpa, se pode livrar o país de corruptos comprovados, também tem o poder de inviabilizar políticos importantes na vida nacional que não tem respaldo dessa elite político-burocrático-midiática. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) quase perdeu o direito de se candidatar porque o Tribunal de Contas do Município (TCM), com quem teve sérias divergências quando prefeita, a condenou mais de uma década depois. As leis estão sujeitas aos agentes, e boa parte deles têm lado.

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36 comentários

  1. Vamos comer coxinhas no dia

    Vamos comer coxinhas no dia 13, é chegada a hora.
    “Caminhando e cantando e seguindo a canção
    Somos todos iguais braços dados ou não
    Nas escolas, nas ruas, campos, construções
    Caminhando e cantando e seguindo a canção

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

    Pelos campos há fome em grandes plantações
    Pelas ruas marchando indecisos cordões
    Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
    E acreditam nas flores vencendo o canhão

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

    Há “juízes” armados, amados ou não
    Quase todos perdidos de armas na mão
    Nos “tribunais” lhes ensinam uma antiga lição
    De morrer pela pátria e viver sem razão

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

    Nas escolas, nas ruas, campos, construções
    Somos todos soldados, armados ou não
    Caminhando e cantando e seguindo a canção
    Somos todos iguais braços dados ou não
    Os amores na mente, as flores no chão
    A certeza na frente, a história na mão
    Caminhando e cantando e seguindo a canção
    Aprendendo e ensinando uma nova lição

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
    Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

  2. Artigo esplêndido, claro e
    Artigo esplêndido, claro e preciso.

    Escrito o para os que não conhecem a história recente do seu próprio país, ou para aqueles que por conveniência optam pelo esquecimento

    • Não esquecimento.

      É isso, Assis. Aproveito pra lembrar que o “nome fantasia” dessa operação pega-Lula era Aletheia. Duvidando que esses bacharéis pretensiosos que querem dominar a república saibam algo de grego, eles devem ter consultado num wikcionário ligeiro, ou sítio de auto-ajuda qualquer do Google, esse suposto sentido de “busca da verdade” que usaram, para propagar a mentira, ou a falsidade. O termo aletheia significa “verdade” e seu sentido etimológico é “não-esquecimento”, dado que Lethes é esquecimento (o rio mitológico que leva à morte tem esse nome) e o prefixo a é de negação. Ou seja, a verdade é o não esquecimento. Avançando e extrapolando aí nos significados, a verdade é memória e é vida.

  3. nos últimos tempos eu cansei

    nos últimos tempos eu cansei de repetir: a burocracia tem que ser ocupada pelas forças progressistas e nacionalistas, caso contrário elas serão (como sempre foram) ocupadas pela forças reacionárias e entreguistas, como estamos vendo agora…como fazer isso ? ora, os concursos estão estão aí, são abertos a todos, mas apenas as forças do atraso os utilizam

  4. Politicos do nordeste

    Aqui na Bahia o então falecido ACM usava essa frase: aos meus amigos afagos, aos meus inimigos os rigores da lei !”

     

  5. O combate à corrupção é a

    O combate à corrupção é a cortina ideológica para perseguição de Lula e do PT, se fosse séria Aécio, FHC, Serra e Alckmin já estariam em cana.

     

  6. E a mídia?

    Olhando em retrospectiva os fatos recentes, tem-se que: 

     – as buscas e apreensões e conduções coercitivas ( e/ou pedidos de prisão que não se confirmaram) desta sexta-feira já eram de conhecimento de toda a grande imprensa (doravante, PIG). Prova descarada e abusiva foi o Twitter do Diego Esgotoaqui (trocadilho pertinente) da Época, às duas da manhã de ontem, antecipando um dia de muita “paz e amor”, expressão que no fundo de sua pretensa sagacidade utilizou para referir-se a “Lulinha paz e amor”. Outra prova é que as decisões do Moro vazaram também para o blogue do voluntarioso Eduardo Guimarães que, felizmente, delas deu imediata publicidade. Ora, tal vazamento tem cara e focinho de “vacina”: os procuradores da Lava-Jato poderiam dizer que os vazamentos são feitos por pessoas ligadas aos blogues progressivos; justificaria pretensas “investigações” da força-tarefa sobre os blogues; e daria excelente desculpa para o previsível fato de nada ser encontrado nas tais buscas e apreensões – na lógica kafkiana da LJ, os investigados teriam, apertados pelo “vazamento”, destruído provas.

    – a IstoÉ antecipou sua edição com a suposta delação do Delcídio apenas para que o PIG massacrasse Lula e Dilma na quinta-feira, influenciando a opinião pública e promovendo um ambiente favorável (ou, quando menos, mais infenso) a que fossem aceitas e aplaudidas as medidas circenses de ontem, sexta-feira. 

     – estrategicamente, as digitais da Globo ficaram de fora na divulgação da “delação” do Delcídio. Mas assim a operação da PF poderia ocorrer – como de hábito e de conveniência para a máxima repercussão midiática – na sexta-feira. Época, Veja, TV Globo e o restante do PIG teriam o final de semana para trombetear livremente o apocalipse. E sem que a Veja tivesse de antecipar sua edição e ficasse (se é que isso é possível) ainda mais manjada. E sem que parecesse que a publicação da “delação” do Delcídio fosse retaliação dos Marinhos contra Lula e cortina de fumaça com relação à Paraty House (entre outras coisas).

     – os erros frequentes e as aparentes dissonâncias entre o que pede o MP, o que autoriza ou decide o Moro e o que faz a PF (por exemplo, a condução coercitiva; a não prisão de Okamoto) são, no fundo, ou uma coisa ou outra: tentativas de mostrar isenção do juiz ou balões de ensaio, expedientes para que a imprensa possa dar suas meias-notícias: – “-Olha, a Polícia já ia prender, mas o Moro não autorizou AINDA”… 

     – e por quê um depoimento em Congonhas? Não seria infinitamente mais barato e menos aparatoso (midiático) colher o depoimento de Lula em seu próprio apartamento? Mas a lona do circo foi montada para a imprensa. A PF com seus duzentos homens camuflados parecia que iria estourar o cafofo de Bin Laden e Pablo Escobar, não fazer uma busca e apreensão no Instituto Lula. E levar Lula para o aeroporto? Era para intimidá-lo, fazer terror psicológico – “daqui tu vai pra Curitiba” ?? E para que o PIG pudesse explorar a possibilidade de prisão? Ou será que a ideia original era mesmo encanar o Lula e desistiram?

    – de tudo isto, a maior incógnita ainda é o fato de Cardozo sair do MJ exatamente antes de sua namorada publicar a matéria sobre Delcídio, atingindo inclusive Dilma. E sua inédita prontidão para responder à imprensa na quinta-feira, mostrando-se finalmente um defensor do Governo… Será que era vacina para o que viria depois?

  7. excelente artigo, como

    excelente artigo, como sempre…

    preciso e exemplar para todos que defendem o estado democrático de direito, sem lado…

  8. Os inimigos da elite serão presos pelos tribunais estaduais

    A prisão em segunda instância pode ser de boa intenção mas revigora o poder das elites locais, pois, com destemor irão

    usar esse instrumento como política de dominação.

  9. Está mais do que na cara!

    O Lula foi ver um apartamente é já é o dono…

    O Aécio deixou as chaves do Aeroporto com o tío. O tio é dono? – Aécio foi inocentado e o tio deve estar ainda com as chaves

    Pegaram um helicóptero do Perrela cheio de drogas. A droga é dele? – Nem o piloto nem o helicóptero foram culpados

  10. Quem sāo os inimigos da Democracia

    Os que defendem o Estado Democrático de Direito têm dois inimigos prioritários:

    Sérgio Moro e Globo.

    Estes dois inimigos sāo os principais agentes do golpe fascista.

    Na sequência precisam ser eliminados os que estāo nos bastidores: os conspiradores do Instituto Milenium.

  11. Moro,psdb,globo = caos para o BR e p/ os brasileiros

     As leis estão sujeitas aos agentes, e boa parte deles têm lado. 

      

  12. O aparato repressivo, ou mais

    O aparato repressivo, ou mais exatamente o trio eletrizante PF-MPF-Judiciário, dado o prestígio e melhorias pecuniárias trazidas pela Constituição de 1988 e na esteira do desprestigio das Forças Armadas após a redemocratização, se tornou a referência das elites, da burguesia, o status quo, seja lá que nome se dê a isso, como instâncias a serviços das suas aspirações de classe. 

    Freud, hoje tão esquecido e até repudiado, se vivo fosse explicaria essas conclamações dos militares pelos  barbacões e sublimações do seu sucedâneo, o trio mencionado,  no imaginário. Lula é o “babau” dessa gente,

    Sim, lembro-me bem dos tempos das vacas magras, Juiz e Promotor(aqui me circunscrevendo ao interior) não tinham 10% da paparicação de hoje. Eram autoridades de segunda classe. Primeiro o chefe político que podia ou não ser o prefeito. Se não fosse, era um pau mandado. Depois o padre. Aí vinha o resto: juiz, promotor, gerente do Banco do Brasil, Coletor……

    A penúria era tão grande que as residências das suas excelências eram cedidas pelas prefeituras. E, pasmem!, coisa horrorosa!, os danados moravam na própria cidade. Nada de semana com quatro dias. 

  13. A propósito, quanto custam operações Fiascothea como essa?

    … e já são 24!…

    Tudo desperdício, já que todas podem ser feitas com uma fração de todo este aparato ridículo-militar-camuflado.

    Quem paga? A míRdia? Nãããão…

    Nós!

    Para eles…

  14. O argumento da coerção pode ter sido “construído” previamente

    O MP de São Paulo intimou Lula a depor. Lula entra com recurso no STF. Antes da decisão do Supremo o MP desiste do depoimento. Mas apoiadores e detratores reúnem-se no Fórum e ocorre algum incidente.

    O Moro e o MP Federal conduzem Lula de forma coercitiva, sem intimação prévia, portanto ilegal, sob o argumento de “segurança” de Lula e dos agentes. Mas não especificam quais os fatos que os levaram a considerar a questão da “segurança”. A Justiça deve ter por base fatos e não generalidades.

    Será que alguém poderia questionar o Moro e o MP sobre os fatos que os levaram a tornar sinôminos “coerção” e “segurança”?

    Se eu ou qualquer pessoa pode ser levada a depor de forma coercitiva, então, foi-se o Estado de Direito. Houve uma época em que as pessoas eram levadas para depor de forma coercitiva, como foi o caso de Vladimir Herzog. Mas estávamos num Estado de Exceção. E agora?

    • nota da Lava Jato confirma meu comentário acima

      Na nota da “equipe” da Lava Jato, publicada depois do meu comentário cita especificamento o incidente ocorrido no Forum em São Paulo. Coincidência?!

    • condução coercitiva do Lula

      Dizer que a conduçao coercitiva do Lula, foi para resguarda-lo não é veridico e não merece crédito. como os proprios promotores disseram , mais de cem conduções feitas pela polícia federal, à pedido do mp, foram realizadas de forma coercitiva. Todas elas, teriam o mesmo objetivo, de proteger os presos, de revoltas populares? Não tem cabimento. Além disso, esse tipo de condução só deve ser usado, quando o intimado se nega à comparecer, de livre e expontânea vontade. O ocorrido com o Lula, foi sim, planejado, para ser um show.  Muito malabarismo, pode resultar em resultados desfavoráveis aos orgãos de investigação e punição .

  15. Um país cuja economia é paralisada por uma operação policial!

    Milhares de juízes em 8 milhões de km2, mais de 5 mil municipios, mas só temos um … um “heróico e messiânico” um!

    Que “salvará” o país com 200 milhões de almas … da possibildade de se desenvolver definitivamente!

    Mas a corrupção vai “acabar” …  (sim, aquela do pêtê, já que a de 5 séculos sairá renovada e mais segura!)

    A união de um povo “cordial” estraçalhada entre “petistas” (os malditos 54 milhões que mesmo não sendo, como eu, passaram a sê-lo, compulsoriamente, pois se não for “anti”, então …é petista!) e os que “não toleram” corrupção …  a alheia! …

    Um país onde a crise política, forjada por uma oposição derrotada democraticamente, espalhou-se não só na economia, na governabilidade e na competitividade e imagem do país como também nas piores emoções de uma sociedade insuflada onde o deireito à opinião diversa está sujeito a agressão até no seio dos circulos pessoais, profissionais e familiares.

    E pior do que reverter a economia é reverter um clima cultural envenenado. Aquela,em um ou dois anos.

    A última, uma ou mais algumas gerações!

    • Não é assim, Mírian. A PF na

      Não é assim, Mírian. A PF na casa do Lula mostra que golpistas da direita, quando amparados pela mídia, não têm limites.

  16. Tudo

    Você escolhe:”“aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”; ou aos amigos e inimigos tudo; e também, aos amigos e inimigos,  a lei. Subliminarmente entende-se  que a esquerda prefereria  a segunda hipótese. A malandragem sem preconceitos , sem desigualdade e sem hipocrisia.

  17. Lula para Ministro da Justiça

    Lula para Ministro da Justiça jááa! Pq não!? O que perderíamos!??

    Ele já disse que tá com Tesão! Então una-se o útil ao agradável!!!

    Ainda mais que não estão querendo deixar o Wellington assumir ,então  TOMAAA LULAAA!!!!

  18. O problema desses novos

    O problema desses novos procuradores é que quando eles entraram no mercado de trabalho as coisas já tinham sido ajeitadas pelo Lula, e ,portanto, eles desconhecem o que era o famigerado estresse do primeiro emprego. 

  19. Sabe por quem os sinos

    Sabe por quem os sinos dobram?
    Fatos que deveriam ser considerados pelos juristas e jornalistas.
    O STF e o Conselho Nacional de Justiça poderiam e deveriam tomar uma atitude contra os excessos do Juiz Moro, se não o faz é porque estão sendo impedidos, por quem estão sendo impedidos? Esta é a pergunta que deve ser feita, o Presidente do STF e do CNJ é o Ministro Lewandowiski, que silencia sobre as afrontosas atitudes do Meretrissímo, erros e mais erros que se acumulam, vazamentos, escutas ilegais, prisões temporárias que se estendem indefinidamente, prisões de inocentes, o STF chegou a cumulo de tomar uma atitude ilegal acabando com Art. 5º LVII da Constituição Federal- ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. O STF não tem a procuração do povo para mudar a CF, eles sabem disto, se o fazem é porque são reféns de algum grupo e atendem a interesses escusos, algo que aparentemente começou com a AP.470, pois nunca um Magistrado que se preze condenaria alguém sem provas ou porque a literatura o permite. O Silêncio e compactuação do STF e do CNJ até este momento demonstra que não há algo de podre no Reino da Dinamarca, deixa claro que está tudo apodrecido. Jogaram a culpa no ex-Ministro da Justiça, mas a culpa é toda do Judiciário que se mostra cúmplice de toda esta situação, pois é um assunto interna corporis do Judiciário, que se mantém silencioso. Eles dobram, por ti.

  20. Partidarizados e parciais desde a formação

    Toda a estrutura de formação e renovação de quadros para o Judiciário, MPs, Auditores, PF, PMs, PCs é altamente conservadora e sem pluralidade. O problema começa aí: com os cursos de Direito e Administração e cursinhos para concurso público. A elite domina essas áreas e exerce um controle rígido sobre elas. A lavagem ideológica é profunda e o produto final, em grande parte, é um profissional reacionário, arrogante e cheio de privilégios sustentados pelo povo.

    O mesmo se dá nas Forças Armadas. No filme “Os militares  da democracia: os militares que disseram não”, de Sílvio Tendler, há vários depoimentos no mesmo sentido. As instituições militares não se oxigenam nem se democratizam porque o ensino nas escolas de cadetes, oficiais ( e nas escolas militares de primeiro e segundo graus, vale lembrar) segue transmitindo os mesmos valores autoritários de décadas atrás.

    É por isso que não temos uma democracia plena. O Brasil saiu da ditadura, mas a ditadura não saiu do Brasil. Nossas instituições estão impregnadas de lixo autoritário, falta de tranparência e ausência de controle social.

  21. O ápice

    O ápice do cinismo e da canalhice da imprensa foi o posicionamento do helicóptero da Globo antes da incursão da PF.

    Tudo combinado e acertado.

    E Moro tem certeza absoluta do que se passa na imprensa e na vitrine que é a Lava Jato. Moro é intencionado e sabe que a panela que trabalha na LJ também é. Sabe que a opinião pública manipulada, condizente com a classe conservadora, apoia tudo o que possa condenar o PT e suas figuras.

    Tempos atrás eu ainda não vislumbrava o que motivava Moro a agir dessa forma, mas ficou claro que é a busca por holofotes. Talvez ele pense em entrar para a história., restando saber de que forma. Certamente como heroi não será.

    • Alguma dúvida de que o Partido da Imprensa Golpista existe?

      E a reportagem da Folha que chegou à casa do  Lula às 5p5, antes da Polícia Federal? E o famigerado editor-chefe  da Época, Diego Escosteguy que twittou a operação de guerra no meio da madrugada? Etc e tal…

  22. as mãos do povo

    Trata-se de uma justiça historica, ávida, irresponsável e convenientemente caolha, que entrega a todo momento elementos pra que o povo exploda e faça justiça com as próprias maos.

    Enquanto os processos de justiça dos amigos correm no mais seguro e lento esquema de “segredo de justiça” , dos inimigos vazam, vazam, vazam e vazam….

    Saia por aí e pergunte pras pessoas o nome do principal político envolvido no tipo de corrupção mais sórdido, mais baixo (roubo de merenda de crianças no estado de SP) e ninguém vai saber falar nada…

    pergunte a quantas anda o processo que investiga a gestão milionaria do metrô de SP ( gerida há mais de 20 anos por um mesmo partido). Sem notícias, sem vazamentos, sem nomes…

    espero que o PT pague por todos, absolutamente todos, malfeitos, desvios e corrupção.

    Mas JUSTIÇA, nessa eu só acreditaria e respeitaria se ela deixasse de ser caolha…. Como acho que isso não vai acontecer nunca, resta ter esperança nas mãos do povo..

     

     

  23. O caso Maluf é um bom exemplo

    Paulo Maluf é um notório bandido, condenado em várias instâncias e foros internacionais. Seu nome é fichado na lista de procurados da Interpol e mesmo enquadrado na lei de inelegibilidade, teve sua diplomação confirmada pelo TRE de São Paulo. A lei é inócua nesse país. Todas as leis são criadas para duas realidades: punir os pobres e os não pertencentes ao status quo e, ao mesmo tempo, permitir brechas acintosas para que, sob o mesmo crime, pessoas “de bem” não sejam punidas com o mesmo rigor dado aos pobres. É por isso que a diminuição da maioridade penal empacou no congresso. Era preciso criar uma fórmula para punir o menor infrator pobre e evitar que filhinhos de papai sejam condenados por “brincadeiras” como incendiar um indígena em praça pública ou espancar uma empregada num ponto de ônibus pensando se tratar de uma prostituta, Como se com as prostitutas se pudesse agir dessa forma. A polícia militar de todos os estados sabe dessa sutil diferença. A abordagem de um carro de luxo com um senhor engravatado é completamente diferente da feita a um carro com anos de uso e ocupado por um serviçal. 

    O pior disso tudo é que a classe média pequeno burguesa se acha incluída no mesmo grupo de abonados e sai as ruas protestando para a manutenção desse mesmo status quo que, eventualmente, as condena.

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