Marcelo Bretas nega acesso da imprensa a presos, mas concede entrevistas

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Colaboração de leitor

Marcelo Bretas nega acesso da imprensa a presos, mas concede entrevistas

Algumas vezes me parece que o Dr. Marcelo Bretas tem exagerado no uso de seu poder de juiz federal. Ele tem conquistado a fama de severo sobretudo pelo uso de mandados de prisões preventivas, conduções coercitivas e penas longas. Mas uma de suas decisões que mais me deixou perplexo foi quando ele usou sua posição para limitar a imprensa.

Os jornais O Globo e Folha de São Paulo pediram ao juiz federal Marcelo Bretas para entrevistar o ex-governador Sérgio Cabral na prisão, enquanto o SBT solicitou uma conversa com Eike Batista. Marcelo Bretas simplesmente negou todos os pedidos, alegando não haver interesse público nessas entrevistas. Ora, não há interesse da população em escutar o que tem a dizer os condenados por crimes que envolvem tanto dinheiro público?!

Bretas afirmou que qualquer depoimento fornecido pelos condenados será juntado aos autos do processo, que são públicos. Mas parece que ele esqueceu que a população brasileira, em sua grande maioria, não é formada por juízes e juristas. O acesso a todo e qualquer documento do processo não está ao alcance tão fácil do público como uma reportagem em um jornal de grande circulação ou uma matéria exibida na TV.  Isso sem levar em consideração a linguagem utilizada nos autos do processo. A língua portuguesa em sua forma mais culta, essa não está ao alcance dos cidadãos leigos, para que realmente possam entender como os crimes eventualmente cometidos os afetam diretamente.

Dr. Bretas disse ainda que o interesse da imprensa se limita “em obter do ora réu a revelação de algum dado novo, com exclusividade”. Mesmo que haja esse objetivo, Bretas não deveria se preocupar quanto a isso. Afinal, os réus condenados já prestaram seus depoimentos a ele e aos delegados da Polícia Federal. Será que ele teme que os jornalistas sejam mais eficientes que os oficiais ao extrair informações?

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E se novos dados vierem a ser revelados, seria isso algo ruim? Seria isso prejudicial à população? Saber a verdade é um direito nosso! Ou a verdade só pode ser aquela contada pela 7ª vara Federal do Rio de Janeiro?! Queremos ouvir a versão daqueles que um dia foram nossos líderes e hoje estão presos, nem que seja para escutarmos um simples pedido de perdão.

Porém, já reparou que seu posicionamento é diferente quando o juiz é o foco da mídia? Ele não se importa em conversar na TV com o Pedro Bial ou dar entrevista para o Jornal Nacional e para outros grandes veículos, como Estadão e O Globo. Às vezes ele até acaba falando mais do que devia. Quando foi entrevistado pelo jornal Valor Econômico, por exemplo, o Dr. Bretas chegou a adiantar informações à imprensa. Ao mencionar um dos processos contra Sérgio Cabral que ainda está em curso e envolve a compra de joias na loja H. Stern, Bretas afirmou que existe uma dúvida: “se a joia era propina e ostentação ou se era lavagem de dinheiro”. Desta forma, ele disse que já estava certo de que há um crime – só resta analisar qual – e que a sentença não será favorável a Cabral. Na mesma entrevista, ele próprio admitiu que ainda não tinha decidido sobre o caso e que tinha que “ver com calma”. Então por que afirmar uma condenação prévia?  Não é o tipo de informação que deveria ser obtida primeiro em caráter oficial e posta nos autos do processo?

Isso só mostra mais claramente o que eu já tinha observado e depois tinha sido alertado por amigos e colegas que o conhecem. As decisões do Dr. Marcelo Bretas são majoriatariamente intuitivas. Na época em que o conheci, ele não lia todo os materiais da acusação e da defesa. E as audiências, mero cumprimento de formalidade, pois ele já chegava a elas com uma opinião pré-formada. Não lembro de algum caso em que sua opinião tenha sido realmente influenciada pelo o que foi discutido na audiência. Ao insinuar um pré-julgamento na mídia, ele deixa escapar que seu comportamento não mudou muito daquele tempo para cá, mesmo em casos de tanta relevância como os da Lava Jato.

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Então, se o juiz federal Marcelo Bretas considera relevantes suas declarações sobre julgamentos, como as versões do outro lado não são de interesse público? Será realmente que o cidadão de bem não quer ouvir aquele que antes era o líder do poder executivo do Estado do Rio de Janeiro e hoje se encontra atrás das grades?! E no caso de Eike Batista, que um dia foi considerado um dos homens mais ricos do mundo, orgulho do povo brasileiro, será que o Brasil não tem interesse em ouvi-lo?

O comportamento de se expor cada vez mais reforça a especulação sobre um possível envolvimento mais próximo com a política do que o Dr. Marcelo alega ter. Eu digo “especulação” porque ele tem negado aspirações políticas, quando é questionado publicamente sobre o assunto. Mas eu sei que é uma hipótese completamente possível. Não são poucas as pessoas que já o ouviram mencionar o desejo de fazer algo mais pelo povo brasileiro, que fosse além das competências do judiciário.

E sua ambição não me parecia ser por um cargo menor que o da presidência da República. Em várias ocasiões, Dr. Bretas comentava como agiria diferente se estivesse nessa posição. Cada decreto assinado, cada discurso presidencial que repercutia era alvo de seus comentários e análises, descrevendo como seria a situação se fosse ele quem estivesse ocupando o mais alto cargo público do Brasil.

E como em qualquer eleição é necessário um mínimo de popularidade, as atitudes de Marcelo Bretas fazem todo sentido com esse projeto que, a meu ver, está virando um plano e se tornará realidade. No Rio de Janeiro, seu nome já é forte na mente da população, pois há muito é recorrente nas notícias. Porém, aparecendo em veículos de projeção nacional, o juiz se lança a uma popularidade muito maior. Dessa maneira, acredito que o Dr. Bretas esteja ocupando a lacuna deixada pelo Dr. Sérgio Moro, que alcançou a fama por todo o país, mas não conseguiu agradar a todos.

Não que Marcelo Bretas não venha recebendo críticas. Pelo contrário. Mas as que se dirigem a ele têm circulado principalmente no meio jurídico e não são tão comentadas no dia a dia por pessoas que não têm tanto contato com as questões de tribunal, ou seja, a maior parcela da população. Os fatos são: em 2017, o Dr. Bretas fortaleceu seu nome e sua imagem. Em 2018, haverá eleições presidenciais. Parece que está tudo se encaixando, não é mesmo?

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Ao povo, resta aguardar pelas articulações dos (quatro) poderes e pelos próximos passos do Dr. Bretas. Com a grande mídia a seu lado e a caneta de juiz em sua mão, ele faz sua campanha e consegue restringir alguns acessos da imprensa. O que não podemos esquecer é de estarmos sempre atentos, não só às atitudes explícitas, mas principalmente àquelas publicadas nas entrelinhas.

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11 comentários

  1. Direto ao ponto: O descrito

    Direto ao ponto: O descrito só evidencia a incompetência dos juízes brasileiros e a forma medieval como eles entendem o conceito de justiça, aonde o juíz citado deixa ridiculamente claro como ele acredita que só a opinião dele têm valor e que todos os discordantes devem ser calados à força.

    Eu não obedeceria nenhuma decisão de um pateta desses.

  2. Entrevista a órgão de
    Entrevista a órgão de imprensa não tem nada a ver com depoimento a justica. Esse juiz reduz o condenado a condição de vaca leiteira, cuja existencia se reduz a estar a disposição do dono para ser ordenhada.

    • bem por aí mesmo…

      todo reú ou condenado é um não cidadão ou uma não pessoa………………………………sem direito a mais nada

      após ter negado o acesso da imprensa deve ter pensado:

      ai da minha utilidade pública se não fosse eu

  3. Assim como Barroso hoje é o

    Assim como Barroso hoje é o Gilmar de ontem, Bretas é o Moro do momento. Tudo muito alinhado com o Facismo Judicial em voga no país.

    Marcelo Bostas é o Sujo Moro que chia no lugar de ranger. Facistóides, nenhum deles sobrevivem a luz do sol.

    A Farsa-Jato é o instrumento maior do golpe.

    Hoje, mais que em qualquer momento, defender Lula do facismo judicial não é apoiar o PT é lutar pelo Estado de Direito golpeado também por este Judiciário elitista e canalha.

    São poucos dias até dia 24/01, o momento é de juntar forças contra estes canalhas do PJ e do MP, desnudar o esquema de compra de delação e de  fábrica de “provas” de Curitiba. É hora de desmascarar o modus operandi facista de Bretas e Companhia.

    Ou acabamos com a Farsa-Jato com punição de todos os que com ela praticaram crimes contra o povo brasileiro, ou serão décadas de miséria, violência e fortalecimento do arbítrio classista de sempre.

     

     

  4. Liberdade da imprensa tolhida por Bretas

    Sendo verade que o juiz Bretas proibe entrevistas à imprensa de prisioneiros, a liberdade da imprensa no Brasil está ameaçada. Mas me causa espanto saber disso agora e não ter visto nenhum protesto na imprensa, seja em editoriais ou artigos assinados. Ou da ABI. A imprensa está sendo leniente, conivente? É grave.

     

  5. nenhum desses juízes da lava jato…

    sairia incólume de um estudo mais aprofundado…………………..da parte de um tribunal internacional

    O que muitos deles estão considerando rigor, nada mais é que o sentimento de repugnância aos direitos e garantias

    algo que podemos notar tanto nos elementos narrativos das denúncias como nos das sentenças

    • e não só nas denúncias e nas sentenças…

      praticamente em tudo o que eles colocam nas redes sociais……………………….

      merecendo destaque o incentivo para que as pessoas desenvolvam um medo crônico a qualquer réu

      o que esses merdas querem mesmo é pena de morte para qualquer infeliz que esteja ao alcance deles

  6. Sobibor – Bretas

    Esta é a justiça que se espera para todos no futuro.

    Você poderá ser detido para não atrapalhar investigações em curso e ficará incomunicável, torcendo para que as investigações acabem.

    Na Alemanha isto era chamado de campo de concentração.

  7. Juiz deveria ser proibido de

    Juiz deveria ser proibido de falar aos meios de comunicação de massa – TV, rádio, jornal. Sob pena de perda do cargo.

    Deveria ser proibido de ter Facebook, Tweeter, etc., também.

    Quer ser estrela, faça Artes Cênicas, não Direito.

  8. + comentários

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