Na UERJ, a derrota de Barroso, o avesso de Joaquim Nabuco, por Luis Nassif

Luís Roberto Barroso foi um aluno anódino da Faculdade de Direito da UERJ (Universidade do Estado  do Rio de Janeiro). Como professor, teve seus méritos, mas foi mais um de um corpo docente brilhante. Espelho, espelho meu mostraria um arquipélago de estrelas, sem nenhum rei-sol se destacando.

Indicado Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, nosso bravo Barroso ganhou a força. Como um menino com brinquedo novo, sua palavra passou a chegar ao público leigo e não bastava mais exarar conceitos de constitucionalista reputado ou do penalista sofrível. Ele passou a exercitar a opinião em todas as instâncias, em palestras, entrevistas, declarações, com uma falta de senso de ridículo própria dos grandes vaidosos vazios, valendo-se de um recurso dos palestrantes espertos: falar mal do país, deblaterar contra este país do jeitinho, da desonestidade, da malandragem, da falsa intimidade.

Com o apoio da mídia, soltava um arroto sociológico e o eco devolvia um trovão, na forma de manchetes de uma imprensa vazia.

Suas verrinas em favor do punitivismo resultaram em um “liberou geral”, que foi o principal estimulador, na ponta, dos abusos cometidos por policiais, procuradores e juízes, prendendo e humilhando reitores de universidade, professores e quem mais simbolizasse o “inimigo”, igualando-os a malfeitores contumazes.

E eis que a velha senhora resolve voltar para casa UERJ e  valer-se do status conquistado para a vitória final: tirar a Faculdade de Direito da universidade, de um campus multidisciplinar, e entrega-la ao Partido do Judiciário, abrigando-a em um prédio do Tribunal de Justiça e colocando-a a serviço do punitivismo.

Pensador plano, não conseguiu entender as virtudes da interdisciplinaridade, a função essencial da Universidade, de permitir a interação de intelectuais de diversas áreas, a relevância do livre pensar.

E o caso foi a votação, com participação de estudantes e professores, desrespeitando a meritocracia do voto qualificado de quem mudou de status e se tornou Ministro do STF.

Ontem, a votação foi maciçamente contra a posição desse avesso de Joaquim Nabuco.

A votação manteve o Direito na UERJ.

26 comentários

  1. Meu filho estudou direto na
    Meu filho estudou direto na UERJ.
    Teve aula com os três ministros do STF.
    Fux, Barroso e Joaquim Barbosa.
    É unânime entre os ex aluno, a surpresa e decepção com a mudança de postura dos ex mestre.

    Em nada lebram o que eram como mestre.
    Em nada lebram os seus ensinamentos em sala de aula.

    Eram pessoas simpáticas e acessíveis. Diziam que Fux sempre foi meio fanfarrão.

    Como esses homens mudaram suas personalidades.

    Nesse caso vale a máxima. Dê dinheiro ao homem, mas nunca lhe dê poder.

  2. Nem tanto ao mar nem tanto à
    Nem tanto ao mar nem tanto à terra. O curso de direito da UERJ continuará positivista, concurseiro, coxinha, totalmente apartado do resto da vida da Universidade.

    Só se revelaram um pouco mais.

    Nada mudou. Alias, foi mais um pouquinho pra lá, pra irracionalidade antissocial; a identidade ficou mais demarcada.

    • Exato. Os futuros doutores

      Exato. Os futuros doutores sem doutorado já tinham o hábito de não se misturar com a plebe, principalmente os seus colegas de áreas de ciências humanas que muito tem a contribuir e dialogar com o Direito, como os cursos de Ciências Sociais e História. Do mesmo modo que a Faculdade de Direito não se abre para o resto da universidade ao se negar a oferecer disciplinas eletivas universais para que os alunos dos outros cursos possam assistir no sétimo andar do prédio.

  3. Informação errada!
    UERJ (Universidade estadual do Rio de Janeiro) E não Universidade Federal do Rio de Janeiro que por sua vez é a (UFRJ)

    • Fazendo correção

      O nome da universidade do estado do RJ ,na qual o Ministro Barroso fez seu Curso de Direito, é 

      Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

      No estado existe outra universidade estadual : a de Campos. Apenas uma retificação.

      Helena Leal

  4. O filho ingrato da educação
    O filho ingrato da educação pública Barroso,deveria ser alvo de campanha desmoralizante por parte do povo brasileiro e principalmente por parte dos acadêmicos de universidades públicas.

  5. O post me fez lembrar daquele

    O post me fez lembrar daquele antiga propaganda televisiva do papel higiênico neves. O sujeito estava a dar um barro e começa a gritar para a empregada doméstica:

    – Maria, me traz o neves. Aqui não tem!

    – Acabou doutor! Não sobrou nenhum.

    – Então me traz a CF88!

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