O mercado financeiro capixaba enfrenta um colapso sem precedentes com a crise da Apex Partners, instituição que geria um ecossistema de R$17,5 bilhões em ativos. O caso, apelidado nos bastidores de “Master Capixaba” e classificado por interlocutores como um cenário de “Compliance Zero”, atingiu seu ponto mais crítico com a revelação de um rombo financeiro que escalou de R$500 milhões para estimativas de R$1,4 bilhão.
A gravidade da situação resultou em uma demissão em massa de cerca de 80% do quadro de colaboradores e no afastamento da cúpula diretiva, após a própria empresa identificar graves inconsistências financeiras.
O impacto transcende os extratos bancários: a presença de herdeiros das principais linhagens políticas do Estado no quadro societário transforma o rombo financeiro em uma crise de influência no alto escalão do poder.
Quem são os Parentes de Políticos na Apex
A estrutura acionária da Apex Partners revela uma intrincada rede de conexões com o governo estadual.
Documentos da companhia e atas de assembleias confirmam que filhos do atual e do ex-governador ocupam postos de relevância na instituição.
| Nome do Envolvido | Parentesco Político | Função/Relação com a Apex |
| Victor Casagrande | Filho de Renato Casagrande (Ex-governador) | Sócio e Diretor Institucional |
| Pedro Chieppe | Filho de Ricardo Ferraço (Governador) | Sócio e Acionista |
Em meio ao avanço das investigações internas e do desgaste público, Victor Casagrande manifestou-se no Dia dos Pais através das redes sociais. O empresário adotou um tom emocional para blindar a imagem de seu pai, Renato Casagrande, separando a crise corporativa da honra familiar. “O caráter não se revela nos dias fáceis, mas justamente quando somos colocados à prova.”

Victor afirmou que o ex-governador está sendo “atacado e envolvido” em uma situação pela qual não possui qualquer responsabilidade direta. O empresário destacou que escolheu enfrentar o momento “trabalhando e assumindo as responsabilidades” que lhe cabem como executivo da Apex, buscando soluções para os investidores.
Victor Casagrande também ressaltou que o apoio da família é seu maior suporte e que sua conduta na empresa visa honrar os valores que recebeu dentro de casa.
A Conexão com o Governo: O Caso Rogério Salume
A cronologia dos fatos sugere uma ponte estreita entre operações privadas da Apex e nomeações estratégicas no Governo do Estado, centrada na figura do empresário Rogério Salume.
- Fevereiro de 2024: Rogério Salume vende 100% da Wine em uma operação sigilosa liderada por Fernando Cinelli (Apex) via Carbyne Mercados Regionais.
- Maio de 2024: Três meses após a venda, Salume é anunciado por Renato Casagrande como o primeiro presidente da Invest-ES.
- Julho de 2025: Salume ascende à Secretaria de Estado do Desenvolvimento (Sedes) e assume a presidência do Conselho Gestor do Fundo Soberano (Funses).
- Janeiro de 2026: Sob a supervisão do conselho presidido por Salume, o BTG Pactual (parceiro histórico da Apex) passa a operar o Fundo de Descarbonização, que conta com R$500 milhões em recursos do Funses.
O Impacto nas Eleições de 2026
O desdobramento do “Caso Apex” ocorre sob a sombra do calendário eleitoral. O risco reputacional é latente para as lideranças políticas cujos filhos figuram na estrutura da empresa.
Com Ricardo Ferraço buscando a reeleição ao governo e Renato Casagrande pleiteando uma vaga no Senado, a associação das famílias a um rombo bilionário e ao termo “Compliance Zero” torna-se um flanco aberto para os adversários. A capacidade de isolar o desgaste da iniciativa privada da gestão pública será determinante para a viabilidade dessas candidaturas.
O que dizem os Envolvidos e o Governo do Estado
As defesas e o Poder Executivo têm buscado estabelecer linhas claras de demarcação sobre as responsabilidades:
- Governo do ES: Nega veementemente qualquer aporte de recursos públicos na Apex Partners. O Estado afirma que não há ativos do Tesouro ou do Fundo Soberano (incluindo os R$500 milhões do Fundo de Descarbonização) investidos diretamente na plataforma.
- Victor Casagrande: Reitera que seu pai não possui qualquer responsabilidade sobre as operações da empresa de investimentos.
- Defesa de Fernando Cinelli: O fundador, afastado da presidência, afirma em nota estar comprometido em colaborar com a preservação da companhia e esclarecer os fatos com total transparência e idoneidade.
- Direção Interina (Marcelo Murad): Foca na continuidade operacional e na contratação de auditoria independente para dimensionar o impacto real das inconsistências.
O Próximo Passo para o Investidor e para a Política
O destino da Apex Partners e de seus investidores — muitos deles empresários locais que aportaram cerca de R$300 milhões — depende agora da auditoria externa e do rigor das instâncias judiciais. A obtenção de uma liminar cautelar para blindar o patrimônio da empresa e evitar execuções imediatas oferece um fôlego temporário de 60 dias.
No entanto, para o cenário político capixaba, o relógio corre de forma diferente. A transparência absoluta sobre as relações entre o Fundo Soberano e os parceiros da Apex será a única forma de evitar que o terremoto financeiro de Vitória se transforme em um naufrágio eleitoral em 2026.
Deixe um comentário