10 de junho de 2026

Novas delações “têm alta relevância”, diz Odebrecht ao desmentir jornal

 
Jornal GGN – Desde o início da semana, entre a estratégia dos meios de comunicação de trazer visibilidade a ações contra Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba e herdeiro da empreiteira, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Folha de S. Paulo dedicou espaço para mirar contra Marcelo, em meio ao avanço das delações dos 77 executivos e ex-funcionários da companhia.
 
Em reportagem publicada nesta segunda-feira (13), por exemplo, o jornal veiculou que os demais delatores guardam “mágoa” do então presidente da Odebrecht por ser responsabilidade dele a inclusão dos executivos na lista de investigados da Operação Lava Jato.
 
O diário atribuiu, ainda, a Marcelo que ele seria o grande comandante do suposto esquema de corrupção, envolvendo a estatal brasileira Petrobras e a empresa. “Em conversas reservadas, executivos e ex-executivos alegam que somente cumpriam ordens dele sobre decisões envolvendo pagamentos de vantagens a políticos”, disse o jornal, de forma vaga.
 
Em resposta, o grupo Odebrecht enviou uma carta à Folha de S. Paulo, desmentindo as afirmações e publicação, que não traz uma sequer fonte aberta: a Odebrecht assinou os acordos de delação e leniência com a Lava Jato de forma “espontânea e voluntária”, disse.
 
A empresa destaca, ainda, que a reportagem é frágil e as próprias informação colhidas dentro da empresa mostram a manipulação de informação. “Não é verídico que haja conflitos entre integrantes ou ex-integrantes [do grupo] relativos a este tema, como fazem supor as fontes da matéria”, publicou.
 
Disse que, devido ao sigilo dos acordos com a Procuradoria-Geral da República e o trânsito da leniência, não pode se manifestar sobre “temas específicos como os mencionados na reportagem”, mas que esses assuntos serão esclarecidos de forma maior no futuro.
 
“O procedimento de homologação das colaborações das pessoas físicas já está concluído e nele foi confirmado pelo STF que todos os relatos foram feitos de forma espontânea e voluntária. Sendo assim, e baseado em informações colhidas pela empresa internamente, não é verídico que haja conflitos entre integrantes ou ex-integrantes relativos a este tema, como fazem supor as fontes da matéria”, afirmou a Odebrecht.
 
A empreiteira lembra ainda que “todos na empresa estão imbuídos deste espírito, com o objetivo de ajudar a reformar as relações entre as empresas e o Poder Público”.
 
Por fim, a nota faz um alerta à Folha de S. Paulo, na contramão de sua tentativa de menosprezar Marcelo Odebrecht e, respectivamente, o teor dos acordos e das delações, que irão trazer muitas revelações:
 
“Importante também ressaltar, conforme tem afirmado o MPF em suas manifestações, que as colaborações das pessoas físicas e o acordo de leniência têm alta relevância pública, devido ao valor dos fatos e dados apresentados pela Odebrecht, que contribuem para a continuidade e aprofundamento das investigações em curso”, concluiu a empresa.
 
https://jornalggn.com.br/assine
 
Leia, abaixo, a carta enviada:
 

O acordo de leniência firmado pela Odebrecht junto ao Ministério Público Federal (MPF) teve como ponto de partida os fatos apresentados espontaneamente nas colaborações das pessoas físicas (executivos e ex-executivos). Mas o objetivo da leniência é coletivo, não individual. Todos na empresa estão imbuídos deste espírito, com o objetivo de ajudar a reformar as relações entre as empresas e o Poder Público. Com esta mudança de atitude e baseado no Compromisso Público de Ética, Transparência e Integridade, a empresa está buscando recuperar a confiança da Sociedade. Além disso, a Odebrecht já vem há tempos implantando as melhores práticas de governança e conformidade –que inclusive estarão sob escrutínio de monitor independente, por um período de três anos.

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O procedimento de homologação das colaborações das pessoas físicas já está concluído e nele foi confirmado pelo STF que todos os relatos foram feitos de forma espontânea e voluntária. Sendo assim, e baseado em informações colhidas pela empresa internamente, não é verídico que haja conflitos entre integrantes ou ex-integrantes relativos a este tema, como fazem supor as fontes da matéria.

Em virtude do sigilo previsto no acordo com o MPF, a Odebrecht tem limitações para se pronunciar publicamente sobre o teor das colaborações das pessoas físicas e da leniência firmada pela empresa. Esta restrição impede que a empresa se pronuncie inclusive sobre temas específicos como os mencionados na reportagem em referência. A Odebrecht, porém, acredita no esclarecimento maior dos fatos no futuro.

Importante também ressaltar, conforme tem afirmado o MPF em suas manifestações, que as colaborações das pessoas físicas e o acordo de leniência têm alta relevância pública, devido ao valor dos fatos e dados apresentados pela Odebrecht, que contribuem para a continuidade e aprofundamento das investigações em curso.

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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6 Comentários
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  1. Adroaldo Lima Linhares

    14 de fevereiro de 2017 4:53 pm

    Entre 1964 e 1985, parte dos

    Entre 1964 e 1985, parte dos furgões da folha, os de distribuição, eram utilizados pelos donos do jornal, em colaboração com os militares polícias civis e militares, para carregar aos locais de torturas todos os cidadãos suspeitos de que lutavam contra a ditadura dêles! E os que morriam nas macabras sessões de tortura, eram desovados muitos indigentemente pelos mesmos furgões. As famílias desses cidadãos cruelmente assassinados por exaustão às torturas hediondas, simplesmente não viam mais seus entes queridos, e muitas até hoje vivem procurando os corpos. Não podemos por a culpa nos seus motoristas da família frias já que apenas cumpriam ordens. E aí? Será que merecemos conviver e permitir que criminosos hediondos continuem operando livres e incriminando os outros por crimes infinitamente menores que os seus? O que esses criminosos hediondos macabros podem fazer conosco a qualquer momento e com as nossas gerações futuras? Num país um pouquinho sério, essa família já teria apodrecido nas prisões, coisa que um dia ainda vai acontecer.

  2. Walter Bom Braga

    14 de fevereiro de 2017 4:55 pm

    Estou aguardando essas

    Estou aguardando essas delações, pois não acredito que elas trarão muitas implicações contra o Lula ou Dilma, pois se fosse esse o caso, já tinham sido vazados, além disso os jornalões não gastariam tanta energia em reprimir as delações. Vem chumbo grosso para cima dos golpistas e dos tucanos.

  3. romulus

    14 de fevereiro de 2017 5:22 pm

    Cassino Brasil: Odebrecht redistribui cartas no “golpe no golpe”


  4. João Conselheiro

    14 de fevereiro de 2017 5:34 pm

    Lula/Ciro 2018

    Nassif: Xadrez Lula/Ciro 2018

     

    O poder de conciliação de Lula e a porrada de Ciro é tudo que o Brasil precisa no momento. Ganham no primeiro turno. Bastam dois discursos selando a parceria.

  5. Roxane

    14 de fevereiro de 2017 7:12 pm

    Quando convém as torturações

    Quando convém as torturações são espontâneas, agora quando não a Folha já se apressa a insinuar que Marcelo ”’obrigou” todos a participar do ”esquema” . Mas o que eu acho o máximo é o ato de contrição  “todos na empresa estão imbuídos deste espírito, com o objetivo de ajudar a reformar as relações entre as empresas e o Poder Público”.” Só falta combinar com o poder público.

  6. JB Costa

    14 de fevereiro de 2017 9:14 pm

    Quem guarda muita mágoa de

    Quem guarda muita mágoa de Marcelo Odebrecht são os conglomerados de mídia( as “quatro irmãs”) que dão suporte a Operação lava a Jato em razão deste ainda não ter delatado o Lula. Fosse o contrário, aí a estória seria diferente. Se transformaria em herói e já estaria em casa esgravatando os dentes. 

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