O programa TVGGN 20H da última segunda-feira (24) contou com a contribuição de Ahmad Shehada, presidente do Instituto Brasil-Palestina, para comentar o caso do palestino Muslim M. A. Abuumar Rajaa e sua família, que além de detidos no aeroporto de Guarulhos na última sexta-feira (21), foram deportados na noite de domingo para a Malásia, país asiático onde a esposa de Rajaa nasceu.
Shehada reiterou que a família palestina foi perseguida pelo Mossad (Instituto de Inteligência e Operações Especiais de Israel), mas o que determinou a deportação foi uma ordem do serviço de inteligência dos Estados Unidos (FBI).
Na última sexta-feira, a Polícia Federal abordou os palestinos ainda no avião da Qatar Airways, a mando da embaixada dos EUA. O delegado Camilo Graziani acatou a ordem e determinou que Rajaa e família fossem barrados e mandados embora.
“Não sabemos o porquê da ordem. É um perigo para o Brasil? Não. Já visitou o Brasil? Visitou ano passado. Fez alguma coisa? Nada. Ele é terrorista? Não”, indigna-se o entrevistado.
Muslim é professor universitário e tem um irmão no Brasil. Ele é também diretor do Centro de Pesquisa e Diálogo da Ásia, é professor e está empregado, além de reafirmar que não tinha interesse em se estabelecer no País.
Porém, o viajante também é ativista da causa palestina, fato que o teria levado à Terrorist Screening Center (TSC), uma lista que reúne mais de dois milhões de cidadãos de todo o mundo, críticos do governo de Israel e seus aliados.
“Quem critica Israel, quem critica os regimes aliados, imperialismo se torna suspeito de terrorismo. Vários juízes nos EUA não aceitam a lista por ser ideológica e xenofóbica contra muçulmanos e palestinos”, acrescenta o presidente do Instituto Brasil-Palestina.
A única prova que a PF usou contra Muslim e sua família foi uma foto em que o professor aparece ao lado do ex-primeiro ministro da Autoridade Palestina, agora líder do Hamas. “Isso é crime?”, emenda o convidado.
Shehada comenta ainda que o delegado Camilo Graziani seria favorável ao posicionamento israelense, tanto que não barrou e deportou quem tirou foto com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Diversos esforços foram feitos para liberar a entrada da família no País, até porque eles tinham passagem de retorno e almejavam passar apenas alguns dias no Brasil para visitar parentes, entre eles cartas de seis deputados enviadas ao Itamaraty.
“O governo inteiro tem medo da extrema direita e dos EUA e, por isso, vai chegar o dia em que eles vão ser perseguidos pela extrema direita. Eles esqueceram do 8 de Janeiro”, conclui o entrevistado.
Veja a entrevista completa na TVGGN:
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cicero.soares de araujo
25 de junho de 2024 11:46 amE por que o STF não foi acionado? Nenhuma matéria menciona isso.
Paulo Nogueira
25 de junho de 2024 12:39 pmO Ministério da Justiça deve uma boa explicação a sociedade brasileira, haja vista que a soberania brasileira não pode ser vilipendiada pelas autoridades estadunidenses.
Considerando que todos os indivíduos que contrariam as arbitrariedades cometidas pelas autoridades estadunidenses são, por eles, rotuladas como terroristas, o Brasil deveria ter feito uma investigação isenta e profunda antes de deportar o indivíduo, não se baseando exclusivamente nas informações do FBI, para tomar tal decisão.
DCD
25 de junho de 2024 4:31 pmA nomeacao do delegado de Polícia Federal (PF) Valdecy Urquiza para a INTERPOL, bem hoje, me parece totalmente relacionada com esta deportacao ordenada ..!
ed
29 de junho de 2024 5:09 pm…”Polícia Federal abordou os palestinos ainda no avião da Qatar Airways, a mando da embaixada dos EUA. O delegado Camilo Graziani acatou a ordem”…
É isso mesmo ou li errado?
MARTHA MASSAKO TANIZAKI
1 de dezembro de 2024 10:53 pmO governo brasileiro precisa nos esclarecer sobre essa questão de que a FBI está orientando a extradição de palestinos no.nosso país!! Isso é inaceitável!!! O Lula condenou aberta e claramente Israel pelo genocidio do povo palestino e portanto a PF está desrespeitando a posição do presidente. Orgulhosos da posição do presidente sinto que o país deveria cortar as relações diplomática com o país genocida também para deixar bem claro o nosso horror!!!