Prima de Dallagnol ficou entre maiores beneficiados por recursos agrários no país em 2016

A advogada Ninagin Dallagnol é casada com o juiz André Gahyva que chegou a ser afastado do cargo quando tramou favorecer candidato em eleições municipais

Deltan Dallagnol apresentando as 'Dez medidas contra a corrupção'. Foto: Vladimir Platonow/ Agência Brasil

Jornal GGN – Ninagin Prestes Dallagnol é advogada, filha de Xavier Leônidas Dallagnol, irmão de Agenor Dallagnol, pai de Deltan, o membro mais conhecido da família de latifundiários, por coordenar os trabalhos da Lava Jato em Curitiba (PR).

Em um novo capítulo da série “Os Latifúndios dos Dallagnol na Amazônia“, o site De Olho nos Ruralistas mostra que a prima de primeiro grau de Deltan ficou entre os dez maiores beneficiários de recursos agrários liberados pelo Instituto Nacional de Colonização Agrária (Incra) no país, em 2016.

Por lei, no processo de desapropriação de extensões de terras improdutivas para famílias de pequenos agricultores – a reforma agrária -, o Incra paga uma indenização aos ex-proprietários do local. Em uma outra reportagem da série, o De Olho nos Ruralistas mostrou que o clã Dallagnol foi beneficiado com R$ 36,9 milhões dos R$ 41 milhões pagos no processo de desapropriação de 37 mil hectares, para fins de reforma agrária na Gleba Japuranã, distrito do município Nova Bandeirantes, no Mato Grosso.

Ninagin recebeu a maior indenização, R$ 17 milhões, em dezembro de 2016. No mesmo processo, seu irmão, Belchior Prestes Dallagnol, ganhou R$ 9,5 milhões e a mãe de Ninagin, Maria das Graças Prestes, R$ 1,6 milhão. O pai de Deltan, o procurador de Justiça aposentado do Paraná, Agenor Dallagnol, recebeu R$ 8,8 milhões. Os dados são do Portal da Transparência.

Em 2016, Ninagin Dallagnol ficou entre os dez mais em lista de quem mais recebeu do Incra por desapropriações agrárias. (Imagem: Portal da Transparência)

No dia 10 maio deste ano, o Conselho Diretor do Incra, presidido pelo general João Carlos de Jesus Corrêa, instaurou um procedimento para investigar irregularidades na desapropriação de imóveis da Fazenda Japuranã. A resolução do órgão, que inclui bloqueio dos bens depositados, apontou “indícios de irregularidades nos atos praticados por servidores públicos”.

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Ninagin é sócia do pai em um escritório de advocacia em Cuiabá (MT), responsável pelos negócios fundiários da família. Assim como o pai, ela advoga para José Pupin, o dono da JPupin que já foi considerado “o rei do algodão”, envolvido hoje em diversas ações por grilagem de terras.

Ninagin também é casada, desde 2017, com o juiz André Luciano Costa Gahyva, que chegou a ser afastado do cargo depois da acusação de favorecer um candidato nas eleições municipais de 2012, em Lucas do Rio Verde (MT), quando atuava como juiz eleitoral.

Em uma gravação vazada para a imprensa, entre Gahyva e o então candidato a prefeito Rogério Ferrarin (MDB), os dois combinaram formas de barrar na justiça Otaviano Pivetta (PDT), que acabou saindo vitorioso na disputa.

A reportagem do De Olho nos Ruralistas destaca ainda que a família de Ferrarin é a responsável pela comercialização do agrotóxico Topatudo, liberado pelo Ministério da Agricultura em janeiro, mesmo sendo uma variação do glifosato, substância classifica como “extremamente tóxica”.

Quando juiz de Tangará da Serra (MT), o marido de Ninagin respondeu pela acusação de favorecer credores da massa falida da empresa Álcool Branca, em uma disputa por uma área de terra de 25 mil hectares. Na denúncia, feita pelo agricultor Eliseu José Schafer, Samantha Gahyva, prima do juiz, estava representando os credores da massa falida, beneficiados na decisão de André Gahyva.

Em sua defesa, o juiz disse que a prima entrou no caso apenas na segunda instância, quando ele já não estava mais com o processo. Samantha Gahyva também advoga para José Pupin.

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Mais recentemente, em fevereiro deste ano, já como juiz em Diamantina (MT), André Gahyva teve o nome mencionado no noticiário nacional por dar uma decisão favorável a família de ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, denunciada pelo Ministério Público do Mato Grosso por uso excessivo de agrotóxicos na área de proteção ambiental Nascentes do Rio Paraguai.

Clique aqui para ler a reportagem do De Olho nos Ruralistas na íntegra.

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8 comentários

  1. Com frequência se vê um parente de algum crápula enlameado sem nenhuma culpa, apenas por possuir um determinado sobrenome. Mas essa família, hein ! Escapa alguém ?

  2. Com alguém desta família Dallagnol, é perigoso até mesmo tomar um café na esquina.
    Esta profusão de pilantras pode explicar o comportamento pilantra do Deltanzinho, que foi capaz de enfrentar o Edital do concurso público em que foi aprovado, levando a tal aprovação na marra, ajudado pelo papai também procurador.
    Quando se vê um indivíduo como o empregadinho do moro, de família muito rica, comprando duas unidades habitacionais do programa MCMVida (programa para atender a quem precisa de imóvel) para especular, fica terminantemente proibido acreditar na lisura da figuraça, que já deveria estar preso desde o segundo “painel” do Intercept.
    Quando o calhorda do bolsonaro diz que Greenwald, simplesmente um prêmio Pulitzer, não é jornalista, fica evidente que o despreparado amigo do Queiroz tem uma equipe para fabricar fakenews diariamente, logo, não será surpresa o surgimento de uma delas fazendo referência à vazajato,

  3. Na minha opinião, estes que se auto intitulam “paladinos da luta contra a corrupção”, aliás qualquer figura dos poderes, deveriam por lei tornar público qualquer valor, gerado em qualquer transação, que incrementasse seu patrimonio acima do que fosse gerado em ganhos salariais.
    Inclusive suas igrejinhas para lavagem de grana.

  4. É preciso primeiro investigar todo o caso para depois julgar, conforme foi feito com o lula, na 1 e 2 instancia.

  5. Vocês não fazem ideia da violência dessa gente. As famílias citadas, são as maiores grileiras de terras, que odeiam sem terra, índios etc.

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