A eleição presidencial do Peru terminou sem um vencedor definido. Com mais de 92% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori aparecia com 50,2% dos votos, contra 49,8% do candidato de esquerda Roberto Sánchez, em uma disputa marcada por diferença mínima. As projeções das empresas de pesquisa e dos observadores eleitorais apontavam empate técnico, indicando que o resultado final só deverá ser conhecido em meados de julho. As informações são do jornal argentino Clarín.
Levantamentos de contagem rápida apresentaram cenários distintos, mas todos dentro da margem de erro. Uma projeção da Ipsos e da Transparência Internacional atribuía 50,3% dos votos a Sánchez e 49,7% a Fujimori, enquanto pesquisas de boca de urna divulgadas anteriormente indicavam vantagem da candidata conservadora. Especialistas ressaltaram que a contagem rápida, baseada em atas oficiais de votação, oferece maior precisão do que as pesquisas realizadas na saída das urnas.
Apesar da indefinição, os dois candidatos adotaram discursos opostos após o encerramento da votação. Sánchez celebrou o desempenho eleitoral e afirmou a apoiadores que pretende conduzir um governo voltado à população. Fujimori, por sua vez, rejeitou qualquer declaração antecipada de vitória e defendeu a conclusão integral da apuração antes de qualquer anúncio oficial.
A Junta Nacional Eleitoral informou que os resultados definitivos deverão ser divulgados apenas em 15 de julho. O atraso decorre da implementação de um novo procedimento obrigatório de recontagem para seções eleitorais com questionamentos ou irregularidades. Segundo a autoridade eleitoral, o número de atas com observações cresceu mais de 50% em relação ao pleito anterior. A posse do novo presidente está prevista para 28 de julho.
Os números também evidenciam a forte polarização do país. Em Lima, Fujimori obteve ampla vantagem, enquanto Sánchez registrou desempenho dominante no interior. Os votos dos peruanos residentes no exterior, tradicionalmente mais favoráveis à direita, ainda não haviam sido totalmente contabilizados. Durante a votação, foram registrados incidentes pontuais envolvendo a invalidação irregular de cédulas e tentativas de interferência em locais de votação, mas a autoridade eleitoral descartou indícios de fraude e afirmou que os casos não comprometem a validade do processo.
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