Renan Calheiros estaria liderando desvios da Petrobras para o PMDB do Senado

Mais de 61% do montante total de “doações” a Renan Calheiros eram de empresas envolvidas nos desvios da Petrobras

Jornal GGN – Em troca de manter Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras, o PMDB de Renan Calheiros e Eduardo Cunha teria arrecadado uma parcela de propina nos contratos de empreiteiras com a Petrobras, da área que era, até então, somente comandada pelo PP. Além dos depoimentos, o MPF constatou que do montante total de “doações” destinadas ao presidente do Senado, mais de 61% eram de empresas envolvidas diretamente no esquema de corrupção da Petrobras.

No esquema envolvendo o Senado, a principal voz seria de Renan Calheiros, respaldado pelo deputado federal Aníbal Gomes.

O ex-diretor Paulo Roberto Costa contou que Aníbal “seria uma espécie de interlocutor de Renan” e que algumas reuniões para viabilizar as licitações de empreiteiras com a estatal, sob a condição de arremeter de 1% a 3% do valor total dos contratos aos partidos envolvidos (neste caso, o PMDB e o PP), ocorriam na casa de Renan Calheiros. Costa também disse que sabia que uma parcela da propina nos contratos da Transpetro eram destinadas ao senador.

Em uma dessas situações, o deputado Aníbal contou a Paulo Roberto que, se atendessem a uma solicitação do Sindicato dos Práticos de reajuste de remuneração da praticagem (profissão que realiza a manobra e o estacionamento de navios), o deputado e o senador receberiam um pagamento por isso. Dentro da área técnica da Petrobras, o assunto foi negociado, atendendo ao pedido do Sindicato.

Costa também disse que entre os anos 2007 e 2008, ele recebeu R$ 500 mil, em espécie, junto a José Sérgio de Oliveira Machado, ex-presidente da Transpetro, pela contratação da Petrobras de navios do sistema bareboat.

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Nessas reuniões que ocorriam na casa de Renan Calheiros, participavam outros parlamentares. O senador Romero Jucá também é citado em encontros para oferecer apoio do PMDB à permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria da Petrobras. A partir de então, encontros de Renan Calheiros, Aníbal e Jucá com Paulo Roberto Costa eram marcados para acertar contratos de obras de interesses dos senadores.

Junto ao TSE, o MPF identificou registros de doações da Camargo Corrêa, OAS, Engevix, Galvão Engenharia e UTC. Todas registradas legalmente, mas que os procuradores acreditam ser de propinas desses contratos. Em 2010, por exemplo, a UTC doou R$ 100 mil ao Comitê Financeiro Distrital para Senador da República (AL).

“Há se referir que o montante de doações recebidas pelo Diretório Nacional do PMDB no ano de 2010 totalizou R$ 85.442.504,46. O que ressai de importante ora destacar são as enormes quantias ‘doadas’ pelas maiores empresas participantes das fraudes e crimes no âmbito da Petrobras ao Diretório Nacional do PMDB para custeio, em princípio, dos gastos de campanha nas eleições do ano de 2010: R$ 32.775.000,00”, informou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Essa quantia corresponde a aproximadamente 40% do total das doações recebidas pelo PMDB.

O MPF também relaciona o estranhamento de o deputado Aníbal Gomes declarar ter R$ 1.300.000 em espécie, no encerramento do ano fiscal de 2010 – “aproximadamente 20% de todo seu patrimônio declarado”. “No ano de 2014, possuía R$1.805.000,00, que correspondia a quase 90% de seu patrimônio total declarado”, completa a petição.

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Além da petição 5254, para apurar os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por Renan Calheiros e Aníbal Gomes, o presidente do Senado também é mencionado em outras petições (5260, 5276, 5277, 5279, 5281, 5289 e 5293) que o investigarão de integrar uma quadrilha.

Nesses inquéritos, é apontado pelo MPF a “forma cristalina a simbiose entre os grupos de políticos que comandavam o esquema ilícito implantado nas Diretorias da Petrobras”, no episódio entre os anos de 2005 e 2006, em que a bancada do Senado do PMDB “entrou em cena”, com os senadores Valdir Raupp, Renan Calheiros, Romero Jucá, e o ministro Edson Lobão, para manter Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da estatal.

“A partir de então, o PMDB passou a receber uma parcela das comissões relativas aos contratos da Petrobras”, cabendo ao lobista Fernando Soares, conhecido como Baiano, fazer as transferências financeiras.

 

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3 comentários

  1. Renan e Consentino Cunha

    Renan e Consentino Cunha estão revoltados com o governo, o Consentino porque acha que a Dilma manobrou para por a cabeça dele na lista e o Renan porque acha que a Dilma não  manobrou para tirar ele da lista. Oras, a Dilma não manobrou nada por ninguém, seria lógico, se ela manobrasse, não haveria nenhum petista na lista. Quando o Lula disse que quem neste país não quiser ser investigado que não faça nada errado e a Dilma falou que quem estiver na roda, roda, eles não acreditaram.

  2. misturaram as bolas?
    como

    misturaram as bolas?

    como averiguar se foi ilícito algo que na origem foi lícito?

    isto é, se o dinheiro veio

    de doação legal de campanha, como incriminar o

    político que recebeu o dinheiro?

    o dinherio foi esquentado antes? como?

    na verdade, acho que o pessoal fala muito e esquece do  principal….

    a saída é aprovar logo o financiamento público de campanha.

    uma vez que está comprovado que o financiamento de empresas dá nisso que está aí..

    e como é que o renan e o cunha  e seus conluiados

    vão defender o financiamento privado a partir de agora?

    espero uma análise dos especialistas.

     

     

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