Sem permissão, Doria usa música de Marisa Monte e Arnaldo Antunes

Publicado às 9h10 e atualizado às 11h10 para inclusão de nota da Secretaria de Comunicação do gestor João Doria Jr
 
 
Jornal GGN – Sem permissão, o gestor João Doria se apossou de uma música de Marisa Monte e Arnaldo Antunes para divulgar obra da Prefeitura de São Paulo no Ibirapuera. Assim como Skaf se apossou do pato do artista plástico holandês, sem pedir. Os autores foram surpreendidos pela campanha do gestor nas redes sociais. E proibiram a veiculação.
 
Segundo a nota de esclarecimento que soltaram, os autores relatam que existe um vídeo, com mais de 100 mil visualizações e inúmeros compartilhamentos, que usa indevidamente “Ainda Bem” como música de fundo, promovendo o gestor e suas parcerias institucionais e comerciais. Eles notificaram o prefeito sobre o uso ilegal da obra e a pediram a imediata retirada de circulação, além de um esclarecimento público de que a música foi usada sem permissão dos autores.

 
O fato se deu em agosto, dia 21. Portanto, há dois meses. E, só então, o gestor João Doria Jr., enviou uma resposta. O prefeito argumentou que “a música foi captada de forma espontânea no ambiente das gravações”. Os autores foram obrigados a ler isso, nem discutem a veracidade, mas informam que isso não encontra abrigo na Lei de Direitos Autorais.
 
Na nota a afirmação dos autores de que, é claro, trata-se de uma peça audiovisual de propaganda política, que foi produzida, editada e finalizada, com a música sendo usada como trilha sonaora do vídeo, sincronizada com as imagens por mais de 40 segundos. Eles argumentaram com o gestor sobre isso, elucidando de forma técnica e clara sobre o argumento furado utilizado por ele.
 
Mas nada aconteceu. Nem o gestor nem sua equipe fizeram nada para arrumar a desarrumada peça publicitária dos feitos comerciais. Daí os autores precisaram solicitar a remoção nas redes sociais. Conseguiram com Facebook e Instagram, mas o vídeo permanece no YouTube.
 
Os autores afirmam que sua motivação para retirada da peça publicitária não foi financeira, mas sim educativa. E que esperam respeito à Lei de Direitos Autorais. Foram por demais pacientes e cuidadosos na questão, e tentaram resolver tudo de forma amigável. Mas como nenhuma providência foi tomada e nenhuma sugestão foi acatada, redigiram a nota para que seu público soubesse do que aconteceu. E lembram que gestores políticos deveriam ser os primeiros no respeito à Legislação.
 
A Secom, ou Secretaria de Comunicação, de João Doria Jr respondeu à nota de Marisa Monte e Arnaldo Antunes. A nota do gestor pode ser lida após nota dos artistas.
 
Leia a nota a seguir. 
 
NOTA DE ESCLARECIMENTO
 
No dia 21 de agosto, fomos surpreendidos por um vídeo publicado pelo atual prefeito de São Paulo, João Dória Jr., em suas redes sociais, divulgando a inauguração de obra da Prefeitura no Parque do Ibirapuera.
 
O vídeo em questão, com mais de 100 mil visualizações e diversos compartilhamentos, faz uso não autorizado da canção “Ainda Bem”, de nossa autoria (em gravação com interpretação de Marisa), como música de fundo, visando promover as atividades do prefeito, suas parcerias institucionais e comerciais, inclusive citando nominalmente uma marca de artigos esportivos.
 
Notificamos o prefeito, em conjunto com nossas editoras (SonyATV e Universal Music Publishing), sobre o uso ilegal de nossa obra, solicitando a retirada imediata do conteúdo de circulação e o esclarecimento ao público de que a canção havia sido usada sem nosso consentimento.
 
Apenas 2 meses depois, recebemos uma resposta assinada por João Dória Jr., argumentando que a música no vídeo havia sido captada de forma espontânea no ambiente das gravações, justificativa esta que, ainda que fosse verdadeira, não encontra qualquer abrigo na Lei de Direitos Autorais.
 
O vídeo é claramente uma peça audiovisual de propaganda política, produzida, editada e finalizada, com o evidente objetivo de autopromoção. A música é mantida como trilha sonora do vídeo, sincronizada continuamente por mais de 40 segundos ao fundo de imagens sequencialmente editadas.
 
Na tentativa de informar o prefeito sobre as regras de utilização de autorias e fonogramas em obras audiovisuais, enviamos uma nova notificação elucidando tecnicamente a impropriedade de seus argumentos.
 
A despeito de nosso pedido, não houve nenhuma iniciativa de João Dória Jr. ou de sua equipe para retirada do conteúdo do ar.  Tivemos que solicitar sua remoção diretamente às redes sociais. Fomos atendidos pelo Facebook e Instagram, mas o vídeo  ainda pode ser acessado no canal oficial do prefeito no Twitter  e no YouTube, atestando o seu descaso com os criadores, em uma atitude consciente e deliberada de perpetuação da infração.
 
Nos sentimos ultrajados e lesados em nosso direito patrimonial e moral, uma vez que, além de não termos sido sequer consultados, nunca permitimos o uso de nenhuma de nossas canções para fins políticos. Queremos deixar claro que a nossa motivação jamais foi financeira, e sim educativa. Enquanto autores e artistas, esperamos respeito à Lei de Direitos Autorais.
 
Fomos extremamente pacientes e cuidadosos na condução da questão. Sugerimos, inclusive, como forma de solução amigável que, num gesto de boa vontade, respeito e reparação simbólica à classe dos autores, fosse efetuada uma doação à Sociedade Viva Cazuza, que cuida de crianças portadoras de HIV na cidade do Rio de Janeiro e se sustenta de direitos autorais do autor e artista Cazuza.
 
O fato é que nenhuma das nossas sugestões de solução foi atendida e, por este motivo, redigimos este comunicado para esclarecer ao nosso público que não concordamos com essa postura desrespeitosa e também para reafirmar a importância do cumprimento da legislação de direito autoral, principalmente por aqueles que, como autoridades e gestores públicos, independentemente do seu viés político, deveriam ser os primeiros a dar exemplo na sua aplicação.
 
São Paulo, 29 de novembro de 2017,
 
Marisa Monte e Arnaldo Antunes
 
A nota enviada pela Secom da prefeitura de São Paulo em nome do gestor João Doria Jr
 
NOTA DE ESCLARECIMENTO

Leia também:  De olho na Presidência, Doria investe R$ 2 bi em região pobre de São Paulo

A respeito da nota divulgada por Marisa Monte e Arnaldo Antunes em redes sociais nesta quarta, a Prefeitura de São Paulo esclarece que em nenhum momento o prefeito João Doria fez uso de qualquer canção de forma indevida. No vídeo em questão, publicado na página pessoal do prefeito, a música aparece como som ambiente, pois estava sendo tocada no local da gravação, em evento realizado no Parque Ibirapuera. Assim, não cabe cobrança de direitos autorais sobre uma musica que apenas vazou para o vídeo, já que era um som de fundo.

Para dar transparência aos fatos, cumpre ressaltar ainda que, ao realizar a notificação, o advogado dos artistas solicitou à pessoa física do prefeito a negociação de valores a serem pagos por supostos direitos autorais devidos a eles. Em contato telefônico, foi solicitado o pagamento de R$ 300 mil ao prefeito. O pedido foi negado já que, como dito, não houve utilização indevida.

Mesmo assim, diante de manifestação do advogado representante dos músicos, o prefeito orientou sua equipe pessoal de redes sociais a retirar o vídeo de seus perfis, o que foi feito. Não procede, portanto, a informação que o vídeo teria sido removido pelo Facebook e pelo Instagram, o que pode ser comprovado por uma consulta às duas empresas.

O canal João Doria News, do YouTube, onde o vídeo ainda permanece, não pertence ao prefeito, nem tem relação com ele.

Diante da primeira negativa de pagamento, o advogado dos artistas novamente procurou o prefeito para exigir pagamento, desta vez, a ser destinado a uma instituição beneficente. O prefeito negou a solicitação feita por eles, pois não reconhece legitimidade no pleito apresentado. Não se trata de desprezar a entidade recomendada, reconhecida pelo prefeito como de grande relevância. Como é sabido, todos os meses o prefeito João Doria doa seu salário integral a entidades do Terceiro Setor

O prefeito João Doria reitera que é admirador de Marisa Monte, não teve nenhuma intenção de utilizar sua obra, ou de quem quer que seja de forma indevida.

Att,

Secom

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6 comentários

  1. sem…..

    Vamos elevar nossas discussões e nossa democracia. Não temos representatividade alguma, ainda mais nesta farsante ditatorial e obrigatória eleição biométrica. Quem manda na cidade de São Paulo é o SECOVI. Não à toa Kassab é o ser humano mais desejado desde a extrema esquerda até a extrema direita. De Maluf, Sarney, FHC a Dilma ou Lula. Político sem votos, Governador sem votos, Ministro sem votos, Prefeito sem votos. A mágia da nossa farsante democracia. Agora Cyrella é o Kassab do Kassab para o factóide Dória. Então descobrimos o porque do METRÔ ir onde os prédios vão. Onde vai a valorização imobiliária na capital e não onde está o Povo. Descobrimos porque o extremo sul, já alcançando a Baixada Santista, detentora de linhas férras há mais de 200 anos, não tem um serviço de transporte público, no mínimo digno. Para não dizer que é mediocre. Descobrimos porque o Aeroporto de Congonhas, cravado no meio da cidade não possuir linha de METRÔ para seu acesso. Descobrimos porque o METRÔ, serviço do governo do estado, não sair de dentro da cidade de São Paulo, mesmo estando há anos nas divisas de Diadema, Osasco, Guarulhos….Agora queremos descobriri em pleno 2017, nesta epopéia do uso de bicicletas e ciclovias, porque as maiores vias, mais planas, que interligam toda a capital desde o Aeroporto Internacional em Guarulhos até o Autodromo de Interlagos no extremo sul da cidade de São Paulo, passando pelo Parque Ecológico do Tiete, USP Leste, Estádio do Canindé, Shoppins Centres, Clube Tiête, Rodoviária do Tiête, USP/Butantã, Estádio de Baseball, Clube Hebraica, Joquei Clube, Parque Villa Lobos, Sambódromo, Campo de Marte, Parque do Anhembi, Casa do Bandeirante… não possuir ciclovias nas laterais das Marginais Tiête e Pinheiros. 120 Kms de ciclovias planas, sem interferência no trânsito de automòveis, interligando toda a metropole (mas na frente da RGT, da Berrini e dos Jardins, “para gente diferenciada” já existe.Por que será?) E aí Haddad, porque a omissão? E aí Dória, trabalhar um pouco faz bem)   

  2. “O canal João Doria News, do

    “O canal João Doria News, do YouTube, onde o vídeo ainda permanece, não pertence ao prefeito, nem tem relação com ele”:

    Impossivel.

    Quanto a Monte e Antunes, porque eles simplesmente nao dizem publicamente que nao querem ser associados a Doria?

    Nao seria mais simples em pais onde lei nao funciona e judiciario nao funciona?

    Quanto ao video, o canal eh uma bagunca so, dos titulos que estao la nao da pra achar.

  3. Dória – um parasita social

    Eu compreendo Dória. Ele acredita mesmo que não cometeu nenhuma ilegalidade.

    Afinal, em toda sua vida, ele nada produziu de útil à sociedade que justifique sua enorme fortuna. Foi por meio de sua vida de parasita social que consolidou seus valores. Portanto, para Dória, nada há de errado em ser um açambarcador.

  4. Dá um bom processo!!!

    Como os autores tentaram a via administrativa sem sucesso, lhes dá uma forte razão para apelar ao judiciário a medida que eles não procuraram judicializar e tentaram uma solução amigável.

    Este caminho agrada muito a justiça e podem fazer o Prefeito tirar o dinheiro do seu bolso.

    • (Maestri, rolei varias

      (Maestri, rolei varias paginas dos videos e nao achei nenhum com mais de 3 mil views, entao nao da pra saber quem esta certo sem a experiencia empirica.  Se alguem o achar e postar aqui, tou prontinho pra estar do seu lado.  Por enquanto, nao da.  Em outras praias…  viu o video que eu postei sobre a funcao Riemann Zeta?)

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