26 de junho de 2026

Torres permanece preso preventivamente, decide Alexandre de Moraes

Para Moraes, o ex-secretário de Segurança cometeu, "no mínimo", omissão. Investigadores levantam provas
O ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, permanecerá preso preventivamente. A decisão é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta (01).

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Ele é investigado por omissão nos atos golpistas de 8 de janeiro, e apontado por investigadores de ter conhecimento prévio e planejado da invasão de bolsonaristas às sedes dos Três Poderes.

Para Moraes, Torres cometeu, “no mínimo”, omissão. Mas informou que outras diligências são necessárias para levantamento de provas.

“Os elementos de prova até o momento coligidos aos autos indicam que Anderson Gustavo Torres teria descumprido, no mínimo mediante omissão, os deveres do cargo de Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal”, traz o ministro do Supremo.

Preso no dia 14 de janeiro, durante audiência de custódia naquele dia, Anderson Torres mostrou-se inocente e disse não ter relação com o “crime horrendo em Brasília e atentado contra o país”.

Até agora, contudo, investigadores encontraram indícios contra Torres, entre eles o de que o ex-ministro deixou o seu celular nos Estados Unidos, impedindo que os investigadores tivessem acesso e extraíssem informações ou provas.

Moraes relata que o MPF apresentou “detalhado histórico das omissões” de Anderson Torres.

As autoridades obtiveram uma mensagem de Torres, em um grupo de WhatsApp junto a membros da Secretaria de Segurança do Distrito Federal e autoridades militares. Nela, o ex-secretário pediu ao seu então subordinado, Fernando de Sousa Oliveira, que “não deixasse” o ato golpista “chegar ao Supremo”.

“Anderson encaminhou a imagem e as informações a Fernando, seu substituto, limitando-se a determinar que não deixasse ‘chegar no Supremo’, ao invés de determinar que as tropas a ele subordinadas impedissem qualquer avanço contra a Praça dos Três Poderes”, apontou o MPF.

Também foi encontrada em sua residência um documento de minuta golpista, para instaurar um Estado de Defesa no TSE, segundo os procuradores, “muito bem guardado em uma pasta do Governo Federal e junto a outros itens de especial singularidade, como fotos de família e imagem religiosa”.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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