Enviado por Antonio Francisco
Por que nos punham a decorar esta poesia?

Ingratidão
Raul de Leoni
Nunca mais me esqueci! … Eu era criança
e em meu velho quintal, ao sol-nascente,
plantei, com a minha mão ingênua e mansa,
uma linda amendoeira adolescente.
Era a mais rútila e íntima esperança…
Cresceu… cresceu… e aos poucos, suavemente,
pendeu os ramos sobre um muro em frente
e foi frutificar na vizinhança…
Daí por diante, pela vida inteira,
todas as grandes árvores que em minhas
terras, num sonho esplêndido semeio,
como aquela magnífica amendoeira,
vão florescer nas chácaras vizinhas
e vão dar frutos no pomar alheio…
***
Esta outra a gente não decorou, não. Não era coisa pra criança.
História antiga
Raul de Leoni
No meu grande otimismo de inocente,
eu nunca soube por que foi… Um dia,
ela me olhou indiferentemente,
perguntei-lhe por que era… Não sabia…
Desde então, transformou-se de repente
a nossa intimidade correntia
em saudações de simples cortesia
e a vida foi andando para frente…
Nunca mais nos falamos… vai distante…
mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
em que seu mudo olhar no meu repousa,
E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
que ela tenta dizer-me qualquer coisa,
mas que é tarde demais para dizê-la…
Sérgio Rodrigues
29 de dezembro de 2015 7:20 pmGrande
Um baita poeta!…
Maria Luisa
29 de dezembro de 2015 7:32 pmLindos poemas
Antonio Francisco, na escola publica francesa, desde a primeira série primaria que as crianças levam para casa um poeminha por mês para decorar. E é assim até o liceu. E muita coisa a gente guarda porque aprendeu quando jovem, não é?
Bom fim de ano.