Cada vez mais espantosa, continua a horrível metamorfose de Bolsonaro, por Sebastião Nunes

O genocida é tão monstruoso que nem nos meus maiores delírios consigo retratá-lo como é. Nem eu nem os artistas medievais. Mesmo assim continuo tentando.

Cada vez mais espantosa, continua a horrível metamorfose de Bolsonaro

por Sebastião Nunes

Otávio Ramos não aguentou e começou a vomitar. Era o mais sensível dos amigos, totalmente incapaz de suportar os horrores da vida e da morte. E se havia horror insuportável, o maior deles era acompanhar a pavorosa metamorfose de Jair Messias.

De olhos esbugalhados, Adão Ventura, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Luís Gonzaga Vieira, Manoel Lobato, Sancho Pança e Sérgio Sant’Anna continuavam se entreolhando mudos e se perguntando: “Que diabo de transformação é essa?”

Ninguém sabia, ninguém se arriscava a saber.

VIRANDO O BICHO PELO AVESSO

Lentamente, o corpo horripilante de Bolsonaro começou a virar pelo avesso, a partir do focinho. Retraindo-se, o nariz entrou garganta adentro, levando com ele crânio, nariz, boca, orelhas e pescoço. Então parou. Do outro lado, o ânus se abriu como uma flor nojenta e viscosa, da qual surgiram focinho, crânio, nariz, boca, orelhas e pescoço, recompondo-se como era do outro lado, com o agravante de que ressurgia coberto de merda e de outras matérias sanguinolentas que vieram arrastadas das tripas.

– Será uma metáfora? – indagou Sérgio, virando-se para Lobato. – Pode ser uma metáfora para decodificar o genocida-ecocida.

– Duvido – respondeu o velho farmacêutico, afeito a tratar, anos e anos, as mazelas das mulheres miseráveis do baixo meretrício de Belo Horizonte. – Me parece que Jair Messias está apenas se mostrando como realmente é.

Durante algum tempo (lembrando que na eternidade o tempo não existe), o bicho ou o monstro em que Bolsonaro se transformava, permaneceu estático: na frente, ou no que podemos considerar frente, uma massa sanguinolenta e purulenta, que seria, numa tentativa grosseira de comparação, semelhante a uma banca de algum açougueiro, no ato de retalhar um porco; atrás, brotando do ânus, um focinho asqueroso, porém completo, do estranho animal em que Jair Messias estava se transformando.

Reduzido a quadrúpede, suas patas exibiam enormes unhas sujas, rombudas, e a cada segundo maiores, de tal forma que, continuando a crescer no mesmo ritmo, se tornariam imensas, maiores do que árvores ou montanhas, embora na direção contrária, ou seja, crescendo para baixo, enterradas no nada.

O BOLSONARO REAL DA ETERNIDADE

Na Terra (no Brasil), enquanto vivo, Jair Messias aparentava a figura humana que conhecemos: grosseira, arrogante, insensível, cruel, mentirosa, sádica. Seu cérebro, se porventura fosse exposto, revelaria uma gosma escura e pegajosa, na qual raquíticas sinapses se esforçariam dolorosa e terrivelmente para cumprir sua dolorosa tarefa de comunicação.

Agora, no entanto, e na eternidade, Bolsonaro se mostrava, inteira e atrozmente, o monstro espantoso que nossos amigos tinham diante dos olhos.

– Será possível que exista um bicho tão pavoroso? – perguntou Adão Ventura (pergunta puramente retórica), de olhos presos na horrenda criatura.

– Isso aí é o que ele realmente é, em essência e aparência – disse com firmeza Vieira, acostumado com irrealidades físicas e transmutações metafísicas.

Jimi aproximou-se de Janis e sussurrou no seu ouvido:

– Você se lembra do Donald Trump que vimos antes de chegar aqui?

– Claro – respondeu Janis. – Igualzinho. Só era mais louro e mais branquelo.

O MONSTRO SE ALIMENTA

Sendo o monstro o que era, os amigos imaginaram que Jair Messias, à maneira de chacais e abutres, só se alimentasse de carniça, sangue e vísceras podres.

De fato, durante alguns momentos, o animal bifronte recém-transformado abriu as narinas e fungou, movendo-se em círculos. Bolsonaro estava com fome. Não sendo um espírito como os demais, apenas um corpo estranho perdido na eternidade, deveria cumprir as corriqueiras obrigações físicas: comer, digerir e cagar. Mas nada havia ali que lhe satisfizesse o apetite por carne podre, por vísceras sangrentas.

Jair Messias, depois de girar e girar, de fungar e fungar desesperadamente, percebeu que naquela estranha floresta nada havia que lhe apetecesse. Apenas grandes bosques, carregados de livros-frutas, amontoavam-se a perder de vista.

Desesperado, Bolsonaro começou a urrar. As imensas unhas se aprofundaram na tênue e frágil substância que cobria aquela espécie de solo, que permitia a ele se manter equilibrado nas quatro patas.

Viu então que naquela substância começava a brotar capim, um capim similar ao que existia no seu haras, mas onde servia de alimento apenas às galinhas, aos patos e aos coelhos que seus empregados criavam.

A enorme boca de Jair Messias se abriu e ele começou a salivar.

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