“Casas”, texto de domingo por Tony Pelosi

Enviado por Sergio da Motta e Albuquerque

Casas

Por Tony Pelosi

Várias casas existem no meu coração. Como fossem um condomínio, algo assim. Casas boas e outras nem tanto. Algumas já antigas, outras centenárias e – graças aos céus – algumas por construir.

De muitas delas sou o caseiro: tenho que varrer, limpar, cuidar diariamente do jardim e estar sempre atento às mudanças de estação, para plantar e colher.

De outras, sou o senhorio, o que manda, e também o que decide quem está ou não convidado a entrar.

Porém tem as distantes, que ocasionalmente visito por serem de difícil acesso. Estas, apesar de serem minhas, tomo muito cuidado ao entrar. Sempre há um risco de desabar alguma telha ou de surgir algum animalzinho indesejado para assustar. Mas quem sabe, talvez dentro delas eu encontre algum quadro raro no sótão ou alguma mesa de madeira nobre que eu possa reformar e por em uso diário? 

Mas de todas elas, a minha principal tem paredes de madeira, para que o vento soe sempre macio e envolvente. Nela os timbres são carinhosos e ela me acarinha nos dias frios e refresca nos de calor. Sem ela o condomínio fica triste. Pois sem Música, o mundo não existe.

——————————————————–

Conheci Tony Pelosi como luthier há muitos anos atrás, em Copacabana. Ele já estava entre os melhores, no universo da música carioca. Pelosi, lá pelo final dos anos de 1970 e na década seguinte, já era um dos profissionais mais dedicados e capazes na arte do cuidado, reparo e fabricação artesanal de instrumentos musicais no Rio de Janeiro. Pelosi era muito mais que isso. Sua modéstia ainda me era desconhecida.

Há poucas semanas o reencontrei no Facebook. Tony é engenheiro de som, músico e compositor. Conheceu de perto o My Mothers Place, em Washington (DC) – um dos mais importantes clubes de rock e blues nos anos de 1970 e 1980, onde compareciam Alvin Lee, Keith Richards, Rick Derringer e o fenomenal e desconhecido Roy Buchanan, um dos guitarristas mais geniais da história do rock e do blues.

Tony faz parte da cultura da minha geração. Foi testemunha pessoal de grandes momentos da história do rock. Conhece música a fundo e tem uma sensibilidade delicada. Ele continua a colaborar com a música de diversas maneiras, em seu dia a dia. Tony Pelosi tem muitas histórias para contar.   Bom domingo a todos. E paz no Brasil.

                                                                                                 Sergio da Motta e Albuquerque

 

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome