Por Stanilaw Calandreli II
Príncipe Igor (Knyaz Igor): a ópera de Alexander Borodin, baseado no épico medieval “A Balada da Luta de Igor”, narra a passagem do príncipe Igor e seu filho Vladimir no cativeiro durante a guerra com os Polovtsianos. Dirigido por Yury Lyubimov, com nova redação musical por Pavel Karmanov no Palco Principal do Teatro Bolshoi, nesta quarta-feira, dia 06.

O povo Polovtsi:
Cumans ou Kumans, nômades que vieram juntos com os Kipchaks da Turquia Oriental (hoje Cazaquistão), e conhecidos pelos russos como Polovtsis, conquistaram o sul da Rússia e a Valáquia no final do primeiro milênio, e durante quase dois séculos, guerrearam intermitentemente contra o Império Bizantino, Hungria e Kiev. Eles fundaram um estado nômade nas estepes ao longo do Mar Negro, e mantinham um comércio ativo com a Ásia Central e Veneza. No início do século 12, as principais forças Polovtsianas foram derrotadas pelos eslavos orientais. Os mongóis, no século 13, exterminaram completamente as forças Polovtsianas. Alguns foram vendidos como escravos, e muitos se refugiaram na Bulgária e também na Hungria, onde eles foram gradualmente assimilados pela cultura local. Outros se juntaram ao Canato da Horda Dourada (também chamado de Kipchaks Ocidental), organizado no antigo território Polovtsi na Rússia.
Prólogo
Na cidade-estado de Putivl (Rússia), o príncipe Igor com seu filho, Vladimir, reúnem seu exército para uma campanha militar contra os Polovtsianos. Uma súbita eclipse solar põe todos em polvorosa. Os mais íntimos de Igor (os boiardos) assumem isso como um mau presságio e imploram a Igor para adiar a campanha. A esposa de Igor, Yaroslavna, também defende que Igor permaneça em sua terra, mas ele não desiste. O príncipe se despede da esposa e a deixa aos cuidados do príncipe Vladimir Galitsky (irmão de Yaroslavna). O exército de Igor e Vladimir parte para sua campanha. Despercebidos, dois soldados-Skula e Yeroshka – decidem desertar, e voltam para Putivl.
Ato I
Nas estepes Polovtsianas., a batalha é perdida. O exército de Igor é destruído. Igor e Vladimir são feitos prisioneiros de Khan Konchak, o chefe dos Polovtsianos. Em sua mente, o atormentado Igor repete exaustivamente tudo o que aconteceu. A bela Konchakovna (filha de Khan), que está apaixonada por Vladimir, aparece para ele. Ele pensa em Yaroslavna. Na visão, Ovlur o instiga a fugir do cativeiro. Então, Khan Konchak, pretendendo ganhar um aliado, o visita e oferece sua amizade, declarando-o um convidado de honra. Igor tem uma visão de viver a vida em sua plenitude.
Ato II
No palácio de Yaroslavna. Terríveis pesadelos e premonições assombram Yaroslavna. Não recebe notícias de Igor desde longo tempo. Suas acompanhantes acusam Galitsky de agitação exagerada em Putivl. Elas se queixam que Galitsky raptou uma de suas amigas e pedem à Yaroslavna que intervenha e exija que a moça seja devolvida. Porém, Yaroslavna não tem poder sobre seu irmão. Galitsky ameaça a irmã e Igor.
Na corte do príncipe Galitsky, os homens participam de uma festa regada a bebida alcoólica. Buscando ainda mais poder, Galitsky pretende exílar Yaroslavna em um convento como parte de seu plano para substituir Igor e ser o novo Príncipe de Putivl. Skula e Yeroshka (os desertores) apoiam as intenções de Galitsky. Numa tentativa desesperada, as jovens donzelas aparecem para pedir diretamente à Galitsky que liberte sua amiga, mas os convidados bêbados desdenham dessas e as expulsam do local. A festa dos bêbados atinge o seu clímax; todo mundo se prepara para a revolta.
No Palácio de Yaroslavna. Os boyars trazem a trágica notícia da destruição do exército e do cativeiro de Igor. Enquanto isso, Galitsky e seus seguidores aproveitam o momento e dão início à revolta. Sinos de alarme anunciam o perigo iminente: o inimigo avança em Putivl. Durante o pânico que se seguiu, Galitsky é morto.
Ato III
Putivl é destruída e deixada em ruínas. Yaroslavna perde todas as esperanças do retorno de Igor e chora a perda do marido. Igor escapa do cativeiro e retorna à destruída Putivl. Visões torturantes continuam a acompanha-lo. Os embriagados Skula e Yeroshka descobrem Igor. A fim de escapar da punição merecida por traição, o astucioso Skula sugere ao companheiro que sejam os primeiros a convocar as pessoas e compartilhar a boa notícia. Igor interrompe o júbilo da multidão e se dirige às pessoas com palavras de arrependimento. Ele se culpa por tudo o que aconteceu, e convida a todos para se unirem e reconstruírem suas vidas.
No vídeo temos a Dança dos Polovtsianos, com a bela música de Borodin conhecida como “Estranhos no Paraíso”, nome dado pelos autores do musical Kimet, de 1953.
Você pode assistir a ópera completa aqui (2:44;06).
https://www.youtube.com/watch?v=iIQFb9PRbmk
Referências:
http://www.themoscowtimes.com/arts_n_ideas/article/prince-igor-and-the-king-of-waltzes–what-to-do-in-moscow-on-wednesday/520211.html
http://encyclopedia2.thefreedictionary.com/Polovtsians
http://www.koczownicy.pl/en/content1.php
http://www.nytimes.com/2014/02/08/arts/music/a-new-vision-for-prince-igor-at-the-met.html?_r=0
Celso Giovannetti Brambilla
8 de maio de 2015 6:42 pmLindo demais!!!!!!!!!!!!!
Borodim um gênio, químico de merecer um Nóbel, filantropo e mesmo assim nas horas pouco disponíveis devido a intensidade de seus compromissos um artista ultra russo e moderno até os dias de hoje, inspirou muitos conjuntos de rock e até o músico americano Ray Connoff não resistiu à modernidade desse maravilhoso e popular som.
Morreu muito cedo e não concluiu esse brilhante trabalho foi preciso que Rinski Korsakov desse um acabamento para poder tocá-la com toda a intensidade. O balé é arrepiante e emociona nos faz entrar numa sintonia com o ambiente da época da história, parabéns pelo bom gosto acreedito que essa arte é completa e unânime.
stanilaw Calandreli II
8 de maio de 2015 9:25 pmBravo!
Brambilla
Robson Moreno
10 de maio de 2015 2:25 amBravo!! Magnífico!! Belíssima
Bravo!! Magnífico!! Belíssima òpera! E….obrigado por compartilhar e pelos históricos desse rico e desconhecido passado dos povos eslavos (para nós ocidentais!!). Adoro Verdi e Puccini mas não acho que o universo da ópera seja restrito a apenas esses dois mestres.