10 de junho de 2026

O sentimento de grupo e os grupos de WhatsApp

Grupos de WhatsApp poderiam ser interessantes, como troca de informações e convivência de grupos de afinidade. Poderiam mas, em geral, não são, porque reforçam um dos piores vícios do chamado comportamento de grupo, devido às suas características. 

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Os personagens padrão desse jogo são os seguintes:

1. A montagem do grupo

Em geral, há um núcleo com pensamento semelhante que é o ponto inicial do grupo. Depois, vão sendo incluídos pessoas mais conhecidas, para servir de chamariz para ampliar o grupo. Como essas pessoas, em geral, não se envolvem nas discussões, seu silêncio é visto como aval tácito ao grupo.

2. As unanimidades provisórias.

No início, alguns membros do grupo se soltam mais, gritam suas posições e dão um aparente ar de maioria, especialmente quando quem pensa de forma contrária não quer se chatear. Cria-se, então, uma certa unanimidade, até que surja algum contraponto. Ou o recalcitrante é expulso, ou o grupo modera as posições iniciais. Mas são episódios raros. Como existem muito grupo simultâneos e muita facilidade para mudar de grupos, dissidentes preferem sair e montar seus próprios grupos, nos quais outros dissidentes se manifestarão serão expulsos e sairão para montar outros grupos e assim por diante. Em suma, é raríssimo a possibilidade de uma discussão enriquecedora, que aprimore as opiniões de ambos os lados.

3. O chefe.

Dessa suposta unanimidade emerge o chefe maior, que dispara palavras de ordem dos moldes das assembleias estudantis, recorrendo ao patrulhamento, como se dizia. Parte acata, parte não abre o WhatsApp e parte sai. O silêncio é visto como aprovação. Como o chefe, em geral, o chefe é o administrador do grupo, tem poder de manter ou tirar pessoas do grupo.

4. Os chefetes

Um outro personagem recorrente são os chefetes, pessoas que se colocam como líderes de sub-temas no grupo, tentando montar lideranças sobre seu cercadinho.. É um personagem que aparece frequentemente em grupos de torcida organizada em jogos de futebol. Aproveitando o clima informal dessas manifestações, gritam palavras de ordem esperando aglutinar parte dos membros. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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