A culpa nem sempre é do mordomo, José Manoel F. Gonçalves

É preciso que diminuamos as emissões dos gases que destroem a camada protetiva e, portanto, geram aquecimento global.

Ilustração Nestlé

A culpa nem sempre é do mordomo

por José Manoel Ferreira Gonçalves

Uma Visão Ampla sobre Emissões

Existe uma grande preocupação quanto às emissões de dióxido de carbono (CO2) a ponto de ele ser conhecido como gás de efeito estufa. De fato, ele é o mais significativo deles, responsável por cerca de 64% da influência sobre o aquentamento global, de acordo com relatórios da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos da América do Norte).

Acresce que, desde o princípio da era industrial, ao redor do ano de 1750, a sua concentração na atmosfera aumentou em 39%, devido sobretudo às emissões provenientes da combustão de fósseis, ao desmatamento e às mudanças nos processos da agricultura. Sendo que, antes disso, por pelo menos cerca de 10 mil anos, o dióxido de carbono permaneceu praticamente constante na atmosfera.

Mas é preciso que diminuamos as emissões dos demais gases que destroem a camada protetiva e, portanto, geram aquecimento global.

Metano

O metano é o segundo gás em importância na geração do chamado efeito estufa. E, quando falamos de Brasil, devido à amplitude do território e vocação agropecuária da sua economia, podemos nos tornar divisor de águas neste quesito. Daí a importância em aumentar a conscientização sobre este tema.

Desde 1750, a concentração de metano aumentou em 158%, devido exatamente às atividades de pecuária, agricultura, exploração de combustíveis fósseis e aterros sanitários. As atividades econômicas hoje representam 60% das emissões de metano; os 40% restantes são provenientes de fontes naturais, como as zonas úmidas. 

Há um fato importante a ser considerado, que é o ciclo vicioso, ou seja, o metano gera aquecimento, e o aquecimento aumenta as emissões de metano devido ao papel potencial do degelo do norte, o permafrost (gelo permanente, rico em metano) e o aumento das emissões de zonas úmidas tropicais devido ao aumento da temperatura média global. 

Óxido Nitroso

Cerca de 6% do aquecimento global se deve ao N20, óxido nitroso, emitido a partir da queima de biomassa, o uso de fertilizantes, além de variados processos industriais. Atualmente é o terceiro gás do efeito estufa em importância. Detalhe importante: o N20, que desempenha um importante papel na destruição da camada de ozônio da estratosfera, camada que nos protege dos nocivos raios ultravioletas vindos do sol, tem tido um aumento exponencialmente maior de emissões quando comparado ao dióxido de carbono. 

Outros Gases de Efeito Estufa 

A emissão dos halocarbonos, como os clorofluorcarbonos (CFCs), que foram anteriormente largamente utilizados como gases refrigerantes em equipamentos como geladeiras e congeladores, como propelentes spray e como solventes, está diminuindo lentamente, como resultado de uma ação internacional decisiva para preservar a camada de ozônio. 

Por outro lado, as concentrações de gases substitutos dos halocarbonos, por serem menos prejudiciais à camada de ozônio, como o HCFC e o HFC, estão aumentando rapidamente. São também gases de efeito estufa muito potentes e duram muito mais tempo na atmosfera que o dióxido de carbono. 

O hexafluoreto de enxofre (SF6) é um dos gases de efeito estufa de vida longa, controlado pelo Protocolo de Kyoto, produzido artificialmente e utilizado como um isolante elétrico na distribuição de energia. Sua concentração aumentou para mais que o dobro desde meados da década de 1990. 

Aqui estão relacionados os principais, mas a lista é bem mais longa. Esses gases, além do efeito estufa produzem outros efeitos nefastos, como chuva ácida, e alterações químicas do solo, quando se infiltram nele por meio das precipitações pluviométricas em geral.

Alguns outros poluentes (tais como monóxido de carbono, nitrogênio óxido e compostos orgânicos voláteis), embora sejam praticamente nulos como gases de efeito estufa, têm efeito indireto sobre o aquecimento global, através do seu impacto na troposfera, interagindo com o ozônio, o CO2 e o metano. 

É essencial que ampliemos nossa visão, considerando não apenas os agentes mais discutidos, mas também aqueles que, silenciosamente, estão moldando nosso futuro climático.

Os impactos destas emissões transcendem os dados e estatísticas, manifestando-se em nossa realidade diária através de eventos climáticos de extrema severidade. Estes fenômenos têm provocado tragédias com um saldo de mortes que chega às dezenas de milhares, como o lamentável caso recente na Líbia. Este país, já profundamente abalado por intervenções imperiais e conflitos internos resultantes de ações externas, ainda enfrenta a ironia de ser vítima de nações que lideram as estatísticas de emissões, mas que relutam ou se negam a comprometer-se com acordos de redução.

José Manoel Ferreira Gonçalves – Engenheiro, Advogado e jornalista. Presidente da Ferrofrente, Frente Nacional pela Volta das Ferrovias

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