Cerca de 95% do desmatamento recente foi ilegal, revela plataforma

Em seis meses, foram 4.577 alertas de corte de vegetação. Entre março e abril, cerca de 11 mil hectares foram desmatados sem autorização na bacia do Xingu

Entre março e abril, cerca de 11 mil hectares foram desmatados sem autorização na porção mato-grossense da bacia do Xingu

Do Instituto Socioambiental

Em pouco mais de três meses, 89.741 hectares foram desmatados no Brasil, uma área equivalente a duas vezes e meia a cidade de Belo Horizonte (MG), segundo detecção do MapBiomas Alerta. 95% desse território não tem autorização registrada nos sistemas federal e estadual de licenciamento. “Essa vasta extensão de vegetação nativa não foi autorizada e tem grande chance de ter ocorrido de forma ilegal”, observa Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas Alerta.

Lançada nesta sexta-feira (7), a plataforma consiste em um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento que abrange todos os biomas brasileiros, e que, em apenas seis meses, registrou 4.577 alertas. ACESSE AQUI A PLATAFORMA.

A ferramenta está disponível na internet, de forma pública e gratuita, para subsidiar o monitoramento ambiental e as ações de prevenção e combate ao desmatamento ilegal. Com informações detalhadas e validadas, os alertas gerados pelo sistema podem ser usados pelos órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção de áreas ambientais.

Por meio da ferramenta, é possível detectar que 40% dos alertas validados no primeiro trimestre de 2019 ocorreram em áreas que não poderiam ser desmatadas – Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Áreas de Preservação Permanente, e de nascentes. Parte das bases de dados de áreas protegidas foram fornecidas pelo Instituto Socioambiental (ISA).

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A maioria dos alertas ocorreu no Cerrado (53%), e na Amazônia (30%). Juntos, esses dois biomas foram responsáveis por 2.989 alertas. Os números para Amazônia podem ser ainda maiores, uma vez que a maior parte dos alertas da região ainda precisam ser validados e refinados. Já os Estados que mais desmataram foram Mato Grosso (10,3%), e Pará, com 5,8%. “O que chama a atenção é que todos os estados tiveram registros de desmatamento durante o período analisado pelo MapBiomas Alerta”, observa Marcos Rosa, coordenador da Equipe da Mata Atlântica e Pantanal no projeto.

Ibama apreende 7.387 toras de desmatamento ilegal extraídas da Terra Indígena Pirititi, na região Sul de Roraima – Foto: Felipe Werneck-Ascom-Ibama

Como funciona a ferramenta

Para cada Alerta validado, o MapBiomas Alerta fornece imagens de alta resolução de antes e depois do desmatamento. O Alerta é delimitado de forma precisa, incluindo as datas das imagens. Em poucos segundos, o sistema gera um laudo sobre as informações desse desmatamento detectado: se foi feito em uma propriedade particular ou em uma área protegida, e se foi autorizado.

Isso é feito a partir de cruzamentos com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC), territórios indígenas e outros limites geográficos (biomas, estados, bacias hidrográficas), e de autorizações de manejo e supressão de vegetação do Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (SINAFLOR/IBAMA).

O sistema resulta de consultas com os órgãos governamentais usuários de sistemas de alertas de desmatamento – como o Ministério do Meio Ambiente (MMA), IBAMA, Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas da União (TCU) – e com os provedores de alertas, como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), Universidade de Maryland, Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

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