21 de maio de 2026

Cúpula dos Povos encerra atividades com críticas ao capitalismo, repúdio a “falsas soluções” e apelo por continuidade da luta

O documento afirma que o modo de produção capitalista é a principal causa da crise climática e denuncia processos de privatização
Crédito: Tânia Rego/ Agência Brsail

1. Cúpula dos Povos encerra-se em Belém com críticas ao capitalismo global e propostas ineficientes para a crise climática.

2. Declaração final alerta sobre falsas soluções climáticas e defende transição justa e respeito aos saberes tradicionais.

3. Raoni Metuktire pede paz e respeito entre povos, enquanto cúpula destaca participação popular e diversidade cultural amazônica.

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A Cúpula dos Povos, maior espaço de participação social paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrou-se neste domingo (16) na Universidade Federal do Pará, em Belém, com fortes críticas ao modelo capitalista global, às guerras e às propostas consideradas ineficientes para enfrentar a emergência climática. O evento também foi marcado por um chamado enfático à continuidade da mobilização popular e à defesa dos territórios e modos de vida tradicionais.

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Realizada entre 12 e 16 de novembro, a cúpula reuniu cerca de 70 mil participantes, entre movimentos sociais, povos indígenas, camponeses, quilombolas, trabalhadores urbanos, juventudes, povos de terreiro, população em situação de rua, comunidades pesqueiras e extrativistas, além de organizações internacionais. As atividades incluíram painéis, assembleias, apresentações culturais, uma “barqueata” com 250 embarcações na Baía do Guajará e a Marcha Mundial pelo Clima.

Declaração Final

Ao fim dos debates, foi apresentada a Declaração Final da Cúpula dos Povos, construída ao longo de dois anos e assinada por mais de 1,1 mil organizações. O documento afirma que o modo de produção capitalista é a principal causa da crise climática e denuncia processos de privatização, mercantilização e financiarização dos bens comuns.

O texto também rejeita propostas debatidas nas negociações formais das COPs, classificadas pelos organizadores como “falsas soluções”, incluindo iniciativas empresariais na chamada transição energética. Segundo os articuladores da cúpula, tais propostas servem aos interesses das grandes corporações, que teriam se apropriado dos espaços de decisão e impedem avanços efetivos.

“A produção capitalista é a principal causa dessa crise do clima. E porque nós estamos dentro desse sistema, somos bombardeados com supostas soluções climáticas, que, na verdade, são falsas soluções”, afirmou Thauane Nascimento, da Comissão Política da Cúpula do Clima.

A declaração defende uma transição justa, com financiamento público, taxação de grandes fortunas, reforma agrária, agroecologia, demarcação de terras indígenas e fim dos combustíveis fósseis. O documento também reitera que saberes tradicionais e ancestrais devem orientar políticas climáticas.

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, recebeu a carta final e afirmou que a levará às negociações de alto nível. “Espero que a COP30 seja a COP da virada”, disse.

Guerras

No encerramento, o cacique Raoni Metuktire dirigiu uma mensagem emocionada aos participantes. Ele lembrou que alerta há décadas para a destruição da floresta e para o avanço de projetos que ameaçam povos originários.

“Há muito tempo, eu vinha alertando sobre o problema que, hoje, nós estamos passando, de mudanças climáticas, de guerras”, afirmou. Raoni criticou conflitos armados e pediu “respeito e paz” entre os povos.

Além das questões ambientais, a declaração final condena o avanço da extrema direita, do fascismo e de conflitos em várias regiões do planeta. O texto expressa repúdio ao genocídio na Palestina, solidariedade aos deslocados e apoio ao movimento internacional de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

A carta também critica ações militares dos Estados Unidos no Caribe e alerta para práticas classificadas como imperialistas, que ameaçariam a soberania de diversos países. Manifestou ainda apoio a povos em resistência na América Latina, África e Ásia.

Participação popular

Desde o primeiro dia, a cúpula destacou a centralidade da participação popular e a diversidade cultural amazônica. A “barqueata” que abriu o evento navegou pela Baía do Guajará “em defesa da Amazônia e dos povos tradicionais”, como descreve o documento. O texto também reconhece a presença espiritual dos encantados, expressando a cosmovisão dos povos da floresta.

O documento final reafirma que não há vida sem natureza, coloca o cuidado no centro da transformação social e defende o protagonismo das mulheres e da comunidade LGBTQIAPN+.

O encerramento ocorreu com um grande “banquetaço” na Praça da República, com distribuição de alimentos preparados por cozinhas comunitárias e apresentações culturais abertas ao público — um gesto simbólico de partilha e celebração coletiva.

Ao final, a Cúpula dos Povos reafirmou que continuará pressionando governos e negociadores da COP30. “A multidiversidade de culturas carrega sabedoria que deve orientar soluções para as crises que assolam a humanidade e a Mãe Natureza”, diz a carta.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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