Policiais invadem ONG em Alter do Chão e acusam brigadistas de iniciar incêndio na Amazônia

A sede do Projeto Saúde e Alegria (PSA), ONG premiada e que tem parcerias com a Natura, foi alvo de uma operação policial, que também prendeu quatro brigadistas voluntários

Foto: Victor Moriyama / Getty Images

Jornal GGN – Policiais fortemente armados invadiram uma organização não governamental (ONG) que atua com comunidades remotas na Amazônia, na madrugada desta terça-feira (27). A sede do Projeto Saúde e Alegria (PSA), ONG premiada e que tem parcerias com a Natura, foi alvo de uma operação policial, que também prendeu quatro brigadistas voluntários, acusando-os de incendiar florestas para fundos internacionais.

A ONG que fica em Alter do Chão, no Pará, e realiza trabalhos em parceria com os brigadistas, enxergou a medida como perseguição de ambientalistas por parte do governo. Em nota, a Natura manifestou preocupação, ressaltou a importância do Projeto Saúde e Alegria e expressou solidariedade.

A Natura destacou que é parceira do PSA, juntamente com diversas organizações para o fornecimento sustentável de ingredientes naturais para a marca brasileira e disse se preocupar com os meios empregados pelos policiais para tratar de uma questão tão sensível, quanto o futuro da Amazônia.

Entre as atuações do Projeto Saúde e Alegria, são responsáveis por justamente realizar a prevenção de incêndios na região que também atua a brigada de incêndio de Alter do Chão, que tiveram seus integrantes presos pelos policiais na madrugada desta terça. A Justiça local também negou a libertação dos brigadistas, determinando a detenção preventiva por 10 dias seguidos.

Não somente a Natura como diversas outras ONGs, como o Greenpeace, denunciaram a medida como atos de perseguição do governo de Jair Bolsonaro, que é crítico das ONGs e já chegou a insinuar que foram elas as responsáveis pela omissão do próprio governo no desmatamento e incêndios florestais na Amazônia neste ano. As prisões dos brigadistas ocorrem três meses após essas acusações de Bolsonaro.

O caso chegou a ser manchete do jornal britânico The Guardian: “Polícia ataca escritório de ONG brasileira ligada a brigada que ajuda no combate aos incêndios na Amazônia”, é o título do periódico. “É uma situação kafkiana. Todos fomos pegos de surpresa sem entender o porquê”, disse o coordenador do Projeto Saúde e Alegria, Caetano Scannavino, ao The Guardian.

“Esta é uma ONG muito séria, cujo trabalho é reconhecido pela população local e internacionalmente”, disse o professor de humanidades da Universidade Federal da Bahia, Felipe Milanez. A associação indígena de Iwipuragã também saiu em defesa do PSA: “Conhecemos o trabalho sério e a honestidade de nossos brigadistas”.

O delegado responsável pela investigação, José de Melo Jr, negou que a atuação da polícia tenha dimensão política: “Observamos em algumas imagens que os brigadistas voluntários foram responsáveis ​​por iniciar esses incêndios”, disse, de acordo com o The Guardian.

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