O presidente designado da conferência COP30, embaixador André Corrêa do Lago, divulgou neste sábado (8) sua nona carta aberta à comunidade internacional, onde convoca governos, instituições e atores globais a enfrentar a mudança do clima com ação determinada, cooperação reforçada e propósito compartilhado.
Com base na urgência científica e no legado do Acordo de Paris, a carta convida os países que chegam a Belém a transformar as lacunas climáticas globais em alavancas de transformação.
Corrêa do Lago cita relatórios recentes — como o Global Tipping Points Report, o Relatório de Lacuna de Emissões e o Relatório de Adaptação do PNUMA — para reconhecer que o mundo já dispõe de instrumentos para agir, mas ainda carece de ambição e coordenação.
“O desafio que se coloca não é apenas identificar o que falta, mas mobilizar o que impulsiona – converter os déficits de ambição, financiamento e tecnologia em forças de aceleração”, escreve o embaixador.
Acordo de Paris em operação plena
A carta reafirma que o Acordo de Paris está funcionando. Após a conclusão do seu livro de regras na COP29, a COP30 será a primeira conferência em que todo o ciclo de políticas do tratado climático entra em operação plena.
Instrumentos como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), os Planos Nacionais de Adaptação (NAPs) e os Relatórios Bienais de Transparência (BTRs) passam agora a integrar a Estrutura Aprimorada de Transparência (ETF) — base de governança do regime climático global.
Três prioridades para Belém
A Presidência brasileira delineia três eixos interconectados para orientar a COP30: reforçar o multilateralismo e o regime climático sob a UNFCCC; conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia; e acelerar a implementação do Acordo de Paris.
No centro dessa visão está uma mudança de foco: “acelerar” passa a ser a nova medida de ambição. O texto defende que, da energia limpa à restauração florestal, da mitigação do metano à infraestrutura digital, o mundo precisa agir com rapidez e equidade.
Essas soluções estarão reunidas na Agenda de Ação da COP30, estruturada em seis eixos temáticos. A agenda funcionará como plataforma de cooperação global voltada a pontos de inflexão positivos — de finanças a florestas, de energia a empreendedorismo — consolidando Belém como símbolo da convergência entre esforços locais e globais.
“Em Belém, a verdade deve encontrar a transformação, e a ciência deve tornar-se solidariedade. A COP30 pode ser a COP em que mudamos o rumo da luta climática”, afirma Corrêa do Lago.
Leia abaixo a íntegra da carta.
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