Redução de emissões de poluentes beneficiaria PIB brasileiro

Da Academia Brasileira de Ciências

 
O estudo “Implicações Econômicas e Sociais: Cenários de Mitigação de Gases de Efeito Estufa (IES-Brasil) “, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), apresentou seus resultados mais recentes à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no dia 22 de setembro, em Brasília.
 
Coordenada pelo AcadêmicoLuiz Pinguelli Rosa e pelo professore Emílio La Rovere, ambos do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), a pesquisa revelou que a adoção de medidas mais ambiciosas para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) poderá contribuir para a economia do país, gerando até R$ 609 bilhões* a mais de Produto Interno Bruto (PIB) do que o projetado para o período de 2015 até 2030.

 
Aumento do uso de biocombustíveis está entre as medidas
 
Segundo o estudo, o estímulo à economia poderá ser alcançado por meio de ações de redução de emissões como o aumento no uso de biocombustíveis e de investimentos no setor de transportes. A pesquisa aponta, ainda, a agricultura de baixo carbono e o incentivo ao carvão vegetal na siderurgia como alternativas para alavancar uma economia verde no país.
 
Secretário-executivo do FBMC, Luiz Pinguelli Rosa destacou a abrangência do estudo. “Este trabalho é resultado do conjunto de esforços de diferentes setores da sociedade brasileira na identificação de trajetórias de desenvolvimento, alinhadas com objetivos sociais e ambientais”, afirmou Pinguelli, diretor de Assuntos Institucionais da Coppe.
 
Os dados do Projeto IES-Brasil servirão para embasar futuras ações do governo federal nas discussões sobre mudanças climáticas e políticas de redução de gases poluentes. Segundo a ministra Izabella Teixeira, o objetivo é aumentar o sucesso das políticas públicas adotadas no país. “Não pode haver um abismo entre a ciência e os tomadores de decisão. A união de ambos é uma forma de tornar as ações mais eficientes do ponto de vista ambiental e econômico”, afirmou.
 
Impactos sociais
 
De acordo com a pesquisa, os investimentos necessários para a redução dos gases poluentes variam entre R$ 99 bilhões (média ambição) e R$ 372 bilhões (alta ambição) para o período de 2015 a 2030.
 
Esses investimentos causariam o aumento nos preços dos produtos industrializados no primeiro momento, mas também possibilitaria geração de emprego e elevação no nível de consumo entre R$ 182 bilhões e R$ 609 bilhões. “Um dos méritos deste projeto é mostrar que pode haver crescimento no país e aumento do nível de emprego em um cenário de economia verde, com redução da emissão de gases de efeito estufa. Um estudo análogo poderá ser aplicado em outros países para enfrentar o aquecimento global”, disse o professor Pinguelli Rosa.
 
Redução das emissões não provocaria perda de conquistas sociais
 
O resultado do estudo contradiz a crença de que medidas de mitigação representam apenas custos para a sociedade. Ao contrário, o trabalho mostra que elas não significam uma barreira ao crescimento da economia. Foram encontrados impactos positivos sobre diversos indicadores econômicos e sociais, os quais variam conforme a natureza e o alcance das medidas adotadas, assim como dependem do modo e dos instrumentos utilizados.
 
“Dentro da premissa do estudo, de verificar se o corte de emissões faz mal à economia e ao social, a principal conclusão que a gente chegou é que podemos derrubar um certo mito de que com o corte de emissões vai haver recessão ou vai haver perda de conquistas sociais. A gente mostrou pela primeira vez, com uma ferramenta desse tipo, que isso não acontece”, explicou o professor Emilio La Rovere.
 
“Se em todo o mundo for aplicada uma taxa de carbono, a nossa indústria fica mais competitiva, particularmente a indústria que consome muita energia, porque a pegada de carbono da nossa indústria nos produtos finais é menor, graças à nossa matriz energética mais limpa”, afirma La Rovere. “Com isso, o aumento de preço dos nossos produtos seria menor do que o dos outros países e aumentaria a produção nacional dos bens intensivos em energia”, avalia.
 
*OBS: os valores do estudo estão em R$ de 2005, ano-base dos dados utilizados.

 

3 comentários

  1. cowspiracy

    Prezados,

    Alguém já viu o documentário cowspiracy? Segundo o documentário, essa preocupação com poluentes esquece o principal problema de poluição do planeta que são as fazendas de gado. Para termos fazendas, é preciso desmatar amplas áreas verdes. O gado produz gaz muito tóxico nos seus organismos e também elimina toxinas nos seus detritos que acabam parando nos rios. Além disso, tem o problema do consumo de água e de alimentos pela comunidade do gado. Enfim, achei o documentário intrigante.

  2. Previsão ou ciencia?

     Se a premissa é falsa todo o resto perde credibilidade.  Tem gente que ainda ganha dinheiro com este negocio de emissão de carbono e efeito estufa. O argumento deles é baseado em modelos de computador para corroboração para daqui pelo menos algumas decadas. Então os interesses deste pessoal sõ poderia ser confirmado ou refutado nas teorias que defedem, modelos de computador, somente para daqui a 50 ou 100 anos.

    Assim não da né?

    Não existe aquecimento global. 

    Esta provado existir aquecimento regional. As tais ilhas de calor.

    O que existe sim, são mudanças climaticas, o clima regional jamais, foi estavel, as mudanças são fatores naturais a atmosfera é dinamica e instavel por natureza, e globalmente é extraordinariamente mantida por uma estabilidade complexa e simples ao mesmo tempo. Globalmente o que mantem a atmofesfera é a estabilidade, influenciada por diversos fatores internos e externo a propria Terra, como a lua o sol e a propria posição na via lactea. Interno principalmente pelos movimentos do proprio planeta, a precessão dos equinocios demonstra isto muito claramente, é até de estranhar que tantos ditos cientistas não consideram estes fatos tão implicitamentes evidentes.

  3. Eu, o simplório

    Oh gênios de todos os olimpos, perdoem a insistência deste neófito desinformado, mas um dia alguém (de fora da economia de papel) vai se mancar.

    Algumas dezenas de milhares de mini-destilarias de álcool, segundo modelo daquele ex-presidente da antecessora da ANP (aprimoradas pela Embrapa, seguras e produzidas em escala industrial por algumas dezenas de metalurgias de médio porte – as mesmas que poderiam gerar bilhões para a economia com aquecedores solares de água num cenário de incentivo governamental), espalhadas pelo Brasil, quer em sistema de pequenos negócios quer como cooperativas, poderiam até tirar um pouco dos negócios da Petrobras e da COSAN no curto prazo, mas em termos de cinergia econômica TODOS ganhariam.

    Se é que pensamos o Brasil como potência, e não apenas como apêndice…

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