10 de junho de 2026

Para além do espaço e do tempo: O pensamento crítico de James Onnig

Acompanhou as agruras que decorreram das transformações do tempo e do espaço na concepção da geopolítica e da geoeconomia global.

Morreu James Onnig Tamdjian, geógrafo e analista político brasileiro de ascendência armênia, no dia 19.
Onnig destacou-se por suas críticas à geopolítica e pela preservação da memória do genocídio armênio.
Diversos intelectuais e instituições brasileiras homenageiam seu legado e contribuição ao pensamento crítico.

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Para além do espaço e do tempo: O pensamento crítico de James Onnig

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Enquanto o mundo mergulha nas turbulentas águas da geopolítica contemporânea, o Brasil acaba de perder um importante e qualificado analista do cenário político internacional. 

James Onnig Tamdjian, geógrafo de ascendência armênia, que dedicou sua vida ao magistério, à incansável crítica da geopolítica e ao dever de manter viva a memória do genocídio ao povo armênio pelo então Império Otomano, entre 1915 e 1923, nos deixou no último dia 19.

Fruto da diáspora do povo armênio, James aglutinou gerações de descendentes em torno da manutenção das tradições e da luta pela reparação histórica.

Dentre suas incontáveis qualidades, pessoais e intelectuais, é impossível que a escolha de uma, ou mesmo algumas, o sintetizem com a devida justiça.

Afável e humilde, imaginamos que James gostaria que destacássemos sua atuação como professor e analista geopolítico, sempre recebido nos mais reputados centros de ensino e de comunicação do país e do exterior.

Mais ainda: como herdeiro de uma tradição histórica e moral coletivista e socialista, seria indevido, de nossa parte, tratar apenas do indivíduo, essa figura mítica e tirânica que acompanhou a construção, consolidação e hegemonia do imperialismo europeu e norte-americano no último quarto de milênio.

Devemos, portanto, dar destaque ao gênero humano, ao sujeito ativo da História, das histórias das sociedades e das histórias da política e da economia global.

Ao deslocar-se o eixo da crítica do indivíduo para o sujeito social, como o fizeram todos os grandes pensadores da modernidade, o papel da crítica abandona o caráter moralista, que atira balas, canhões e opiniões, contra tudo e todos. A crítica torna-se elemento de transformação social comprometida com a observação do movimento real da história humana.

Enquanto o mundo assiste ao contra-ataque do Império Americano, os intelectuais midiáticos refregam-se com seus esquemas simplórios e antídotos milagrosos, nos quais: isto é isto, e aquilo é aquilo.

Contra essa corrente, as análises críticas de James Onnig sobre o cenário internacional foram farol de esperança para os mais jovens, centelha capaz de manter viva a chama dos desanimados, monolito inabalável de clareza e sobriedade para os que ainda resistem.

Geógrafo de formação, o professor Onnig acompanhou, ao longo da vida, as agruras que decorreram das transformações do tempo e do espaço na concepção da geopolítica e da geoeconomia global.

O espaço-mundo encolheu-se com a aceleração do tempo de trabalho, com a velocidade dos meios de comunicação e transporte, e, sobretudo, com as desventuras do saber humano. Enquanto o conhecimento científico, os mecanismos informacionais e a multiplicidade de habilidades práticas se multiplicam exponencialmente, a capacidade crítica das novas e velhas gerações se esvai.

James também era profundamente ligado às artes. Por isso, deixamos essa singela mensagem, da genialidade de Gilberto Gil:

“Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena
Parabolicamará”

Nos tempos que correm, praticamente não se produzem mais intelectuais militantes, mas sim acadêmicos burocratas. Não se encontra mais o ferro que forjou, em outros tempos, mestres que inspiram, mas conteudistas empenhados na reprodução de manuais.

Em um mundo onde rareiam as ideias e já não se encontra capacidade crítica, que falta fará James Onnig!

Nosso pesar e sentimentos aos familiares, colegas, amigos e à toda comunidade armênia.

Ao mestre, com carinho.

Assinam esta homenagem:

Nathan Caixeta – Economista

Daniel Veras – PUC Minas

ALADAA

RIBSI

Alexandre Uehara – ESPM

Luciana Bauer – Advogada

Bruno Lima Rocha – Cientista Político

Danielle Makio

Sami El Jundi

Lourdes Nassif – jornalista

Centro Acadêmico Bertha Lutz – Facamp

Luiz Gonzaga Belluzzo – Economista

André Luiz Passos Santos – Economista

Pedro Costa Junior – Cientista Político

Márcio Sampaio – Professor

Murilo Tambasco – Economistas

Professores e profissionais da FACAMP.

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  1. Mary Aparecida Pires

    28 de janeiro de 2026 11:27 pm

    Que linda homenagem ao Querido James!!
    Como já dito no texto, fará muita falta nesse mundo conturbado e em transformações profundas!!! Sentimentos a família, amigos, alunos e companheiros de luta!

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