4 de junho de 2026

A crítica de Dora Kramer à coletiva aos blogueiros

O artigo de Dora Kramer no Estadão – criticando a entrevista de Lula aos blogueiros – lembra em tudo a reação dos diversos setores do país com a ascensão de novos personagens invadindo a sua praia. Pega-se qualquer motivo para criticar, com um tom superior tipo “olha quem está querendo invadir nossa seara”.

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Foi assim que ela resolveu ensinar direito ao jovem blogueiro que tem se destacado por seu conhecimento jurídico – mesmo tendo posições um tanto radicais.

Confira o trecho da crítica (íntegra do artigo aqui):

Nas entrevistas tradicionais, em que não há seleção ideológica, não se vê, por exemplo, o entrevistado precisar corrigir o entrevistador que estranha o fato de as indicações ao Supremo Tribunal Federal não terem deixado a Corte com “a cara do governo Lula”.

“Graças a Deus o Supremo não ficou com a cara do governo”, respondeu o presidente a um rapaz que se identificou como representantes de um “blog jurídico”, ensinando-lhe, em seguida, algo sobre a independência dos poderes inerente à República.

Uma pergunta é relevante pela resposta que arranca. No caso, a pergunta permitiu a Lula esclarecer compromissos republicanos de seu governo nas indicações ao Supremo.

Até pouco tempo atrás Dora não conhecia essa linha de pensamento de Lula. Se conhecesse, certamente não escrevia o que escreveu em 15 de outubro do ano passado, sob o título “Uma Nação de cócoras”:

Lula controla o Congresso, indicou quase todos (7 dos 11) ministros do Supremo Tribunal Federal, fez a Petrobras retroceder aos tempos de controle político e agora quer dar um chega para lá em Roger Agnelli, porque o presidente da Vale não lhe presta a reverência exigida.

É por essas e muitas outras que o presidente da República vocifera contra os “excessos” do Tribunal de Contas da União. À exceção de seu ex-ministro das Relações Insti­­­tucionais José Múcio Monteiro, Lula não conseguiu emplacar uma indicação ao TCU.

Graças à pergunta do Túlio Vianna, Dora corrigiu o que pensava sobre as indicações de Lula ao Supremo. 

Tomo emprestada uma frase de efeito de Dora:

Cada um fala com quem quer, mas respeito, inclusive aos fatos, é bom e todo mundo gosta.

Só assisti o início da entrevista. Mas pela matéria do Estadão – “A blogueiros, Lula crítica mídia antiga”, a entrevista trouxe as seguintes novidades, impensáveis em uma coletiva convencional de Brasília:

* Sua opinião sobre a Internet como fator moderador da velha mídia.

* Sua opinião sobre o capital estrangeiro na mídia. Um dos temais mais controversos do momento – que envolve diretamente interesses da velha mídia – e só se soube a opinião de Lula em uma coletiva de “blogueiros sujos”.

* a posição do governo em relação aos arquivos sobre o Araguaia.

* o pior momento de seu governo, quando durante um mês a velha mídia tentou explorar politicamente o acidente com a TAM em Congonhas. Quem desarmou a farse foi a blogosfera, inclusive marcando definitivamente Ali Kamel como o “testador de hipóteses”

* sua posição clara em relação ao Plano Nacional de Direitos Humanos.

Por razões inexplicadas, a reportagem não colocou suas gozações sobre a bolinha de papel que afundou a testa de José Serra.

O primeiro comentário colocado debaixo do artigo de Dora foi o seguinte:

Bad Streaming

Comentado em: Militância digital

25 de Novembro de 2010 | 8h47

Jornalismo é negocio como outro qualquer. Grupos de midias estão defendendo o seu, independente do interesse do país. Ninguém votou no Estadão/Folha/Veja/Globo como donos da verdade. Não são e nunca tiveram compromisso com isso. E por mim tudo bem. É direito deles. Colunistas apenas repetem o que os donos do jornal lhes permite fazer. Ta ai a Maria Rita q não nos deixa mentir. Nesse contexto os blogues fazem um contra ponto interessante com relação as noticias dos jornalões. Existem blogueiros comprados? Sim, provavelmente. Mas não todos, e estes incomodam pacas. A farsa da bolinha de papel veio de uma pessoa comum. A hipocrisia da esposa do Serra sobre aborto veio do Face Book. Em outros tempos só saberiamos anos depois da eleição. Quem le apenas os meios convencionais recebe a noticia pela metade e fica mal informado. Hj os blogues fazem um papel importante ao acesso as informações, queira a Dora Kramer ou não.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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