A demissão da direção da Época: uma perda para o jornalismo, por Luis Nassif

A dureza da nota da Globo pareceu, muito mais, um álibi para solução de conflitos internos, apelando para um estratagema sórdido: a desmoralização de seus próprios jornalistas.

SAO PAULO - SP - COTIDIANO - Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, da ABRAJI . Na foto, a jornalista da Revista Piaui, Daniela Pinheiro - 26.07.2014. Foto Marlene Bergamo/Folhapress.

A reportagem a Época sobre a esposa de Eduardo Bolsonaro pode dar margem a muitas discussões. Mas não foi desabonadora para a personagem, não rompeu sigilo profissional – já que o sigilo é prerrogativa do paciente, não do psicólogo – e tinha interesse jornalístico, posto que a psicóloga é esposa de um personagem público que irradia preconceitos por todos os poros. Por outro lado, não se tratava de personagem público, mas apenas da esposa de personagem público.

O tal Conselho Editorial do Globo – que soltou uma nota condenando a reportagem – teria muitas saídas dignas para tratar do tema, sem sacrificar a direção da Época, inclusive abrindo uma discussão honesta sobre o assunto.

Sob o comando de Daniela Pinheiro, do ponto de vista jornalístico, a Época deu um salto de qualidade. De um simulacro de Veja, transformando qualquer factoide em novela ficcional,  tornou-se uma revista que passou a praticar jornalismo da melhor qualidade, a se empenhar em grandes reportagens.

Não sei sobre seu desempenho comercial, nesses tempos em que as revistas semanais foram os veículos de mídia mais atingidos pela crise do modelo de negócio do setor.

De qualquer modo, a dureza da nota da Globo pareceu, muito mais, um álibi para solução de conflitos internos, apelando para um estratagema sórdido: a desmoralização de seus próprios jornalistas. O pedido de demissão de Daniela Pinheiro,  do redator-chefe, Plínio Fraga e do editor Marcelo Coppola mostra espinha ereta, típica dos grandes carácteres e à altura do jornalismo que praticavam. Mas os deixa vulneráveis às ações judiciais já anunciadas por Eduardo Bolsonaro, desmonta o pique jornalístico da revista e acende a luz amarela para todos os demais jornalistas, sobre os tênues fios de lealdade com que são tratados por seus empregadores.

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Com parentes do Lula e do pessoal do PT, PT, PT jamais houve pedido de desculpas.

Nassif, Atacaram impiedosamente a família de lulalá, uma unanimidade internacional a menos do seu próprio país, apoiado para Nobel da Paz por diversas personagens ilustres do mundo inteiro, e agora se comportam desta maneira, como cachorrinhos abanando o rabo, em relação à mulher de um pústula miliciano tão desqualificado quanto o papai, sujeito tosco que, parece, chegará ao ponto de "fugir da raia", inventar uma facada ou coisa que o valha para não ter que ser vaiado na ONU, ou mesmo ser obrigado a ver diversos da platéia virados de costas durante o discurso redigido pelo formidável Steve Bannon. Quem sabe, os Marinho não estarão em NY para parabenizar o seu novo ídolo pelo show circense.

26 comentários

  1. Sei não, não quero imaginar reportagens sobre esposas de figuras públicas, com justificativas. A Guiomar, por exemplo, seria um prato cheio. Veremos um escarafunchar sem fim de primos e cunhados e por aí vai. Aliás, os parentes da esposa do Jair estão aí para não me deixar mentir.

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  2. …E não se deve descartar a hipótese de não terem publicado tudo, por ordem do comando.

    Ou seja, a matéria saiu fraca e envergonhada, ainda por cima. Daí que pediram as contas.

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  3. Eles não foram demitidos pelo que fizeram e sim por não ter tido sucesso na missão de atacar a imagem da família Bolsonaro.

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    • Vitor Vaz: Ninguém precisa atacar a imagem da família Bolsonaro. A imagem já está destruída irremediavelmente pela própria, não precisa de esforço externo.

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      • Admito que fiz um esforço sincero pra achar alguma particularidade positiva da “imagem” da famiglia, mas é impossível. Eles mesmos fazem questão de expor uma imagem imbecil e de intelectualmente limitados.

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  4. Nas organizações Globo não há uma pausa ou vírgula que saiam sem aprovação do trio marinho. Logo não acho impossível que a aprovação da matéria tenha sido para criar uma justificativa de expurgar quem sai um pouco da marcha. Vejam o caso do pannunzio da band e da de bolle da cbn. A Globo com essa atitude na época e com a exposição da demissao de Mauro naves no jornal Nacional deixa claro que será implacável com jornalista que lhe trazer problemas.

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  5. Nassif,
    Atacaram impiedosamente a família de lulalá, uma unanimidade internacional a menos do seu próprio país, apoiado para Nobel da Paz por diversas personagens ilustres do mundo inteiro, e agora se comportam desta maneira, como cachorrinhos abanando o rabo, em relação à mulher de um pústula miliciano tão desqualificado quanto o papai, sujeito tosco que, parece, chegará ao ponto de “fugir da raia”, inventar uma facada ou coisa que o valha para não ter que ser vaiado na ONU, ou mesmo ser obrigado a ver diversos da platéia virados de costas durante o discurso redigido pelo formidável Steve Bannon.
    Quem sabe, os Marinho não estarão em NY para parabenizar o seu novo ídolo pelo show circense.

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  6. Mas alguém ainda se ilude com a família golpista? Vai ser sempre assim.quem acreditar ficará com a brocha na mão.

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  7. Não tenho como julgar os três porque não perco meu tempo com publicações tendenciosas e seletivas. Daí, por não tomar conhecimento e não querer saber o teor do que foi, do que é ou do que será publicado, por ela, eu não posso me aventurar a falar sobre a saída dos três. Contudo, eu penso que quando algum profissional do jornalismo se dispõe a trabalhar em uma mídia que faz parte do grupo rede Globo. me vem na memória a fábula do sapo e do escorpião, ou seja, eu penso que os três (sapo) ingenuamente se iludiram com o escorpião (Época) e subestimaram o poder do instinto natural.

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  8. Houve um tempo em que os patrões da imprensa defendiam seus empregados quando a causa era justa. Hoje, fazem de conta não ter ligação direta com suas edições e oferecem os jornalistas como banquete aos leões para salvar suas rotas empresas.

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  9. No mundo civilizado tudo tem limites. Daqui a pouco estarão escarafunchando o jardim de infância do filho, entrevistando a babá, sem que haja justificativa, ou seja, um crime, ou um fato relevante.

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  10. Nada não minhas senhoras e meus senhores do “mata-piolho” pra cima e pra baixo.É que só agora me dou conta da figura vassala do General Augusto Heleno.Para um certo Senador,encaixa-se na condição de parlapatão.Para o acima assinado,entronizo-o como um paspalhão de conotações infantis.Segundo o confrade Mino Carta,fica cada mais difícil saber em que local do sepulcrário se enterram os fariseus.

  11. Previsível, aliás muito previsível. Tudo continua relativo como sempre foi. A política partidária possui um apêndice não tão desimportante.

  12. Imprensa que pratica censura em comentários que não condiz com o que vcs julgam correto não merece criticar censura. Por favor indicar quais os critérios a serem seguidos para ter o comentário publicado.

    • Companheiro aí de cima,tenho algo a lhe esclarecer.Tenho afirmado peremptóriamente há anos,que Luis Nassif,Nassifão para os íntimos dele,como o mais brilhante jornalista de sua geração,certo.Mas até hoje eu ainda não conseguir entender quais os critérios que os donos de Blogs adotam para censurar comentários.Falo de comentários publicaveis,não dos impublicáveis,se me faço entender.O que posso lhe dizer é que sofri o diabo,depois deixei pra lá.Aconselho fazer o mesmo.

  13. O q essa gente quer fazer está muito bem explicado em um vídeo do canal Buyandhold Brasil em um discurso do Mark Zukenberg em Harvard,muito didático !!

  14. Boa noite, senhor Luis Nassif! O quê você diria se fosse alguém ligando para sua esposa, ou seu filho ou qualquer ente de sua família, sendo questionado a seu respeito, e sem que esse ente soubesse tudo que fora dito um jornalista qualquer publicasse sem seu consentimento?
    Uma coisa vocês aí da não entenderam : quando quiserem saber algo de alguém pergunte para o mesmo. E não a terceiros!
    A falta de limites e respeito ( em nome do jornalismo) de vocês já levou a morte de inúmeras pessoas.
    Quando procuram saber algo da visa de vocês, dizem logo que é perseguição política. O direito de IR e VIR e a PRIVACIDADE, são direitos constitucionais. RESPEITEM!!!!!!!!

  15. Sei que os Bolsonaros são o que há de pior e de mais primitivo na política, mas o que a Época fez foi uma demonstração primária de como não se fazer jornalismo. Coisa de fica, de amadores, fazer um repórter se passar por paciente para tentar arrancar o quê da mulher do cara? Por fim, as demissões soaram como uma emenda malfadada…

  16. os tempos mudaram, impremssa comprada que fazia o que queria acabou, estão tentando de toda forma manchar o nome da familia do atual presidente, não conseguiram nada com o proprio estão migrando para os parentes, acabou as eleições, Bolsonaro e presidente.

  17. somos meros office-boys dos patrões.
    Arruinamos nossa vida para alguém nos demitir hoje ou amanhã.
    frase de qualquer personagem que se queira criar ou que
    se digne chamar de jornalista brasileiro.

  18. A Globo se justifica, em nota, alegando que a esposa do Eduardo Bolsonaro não é uma pessoa pública. Não acho que seja por aí. A matéria jamais deveria ter sido publicada e é um absurdo, jornalisticamente falando, por vários outro motivos. Por exemplo, o repórter mentiu desde o começo, dizendo que era um paciente, que era gay e se negou a revelar nome e sobrenome. O repórter também caiu numa velha armadilha do jornalismo: achar normal fazer parte da notícia.
    Lembro-me, a título de ilustração, de um jornal do Sul do país que, anos atrás, resolveu sequestrar um bebê do berçário justamente para mostrar que os berçários não têm segurança e é muito fácil sequestrar bebês…
    Finalmente, o repórter da Época faz de tudo para mostrar que a psicóloga tem uma postura profissional extremamente conservadora e hoje cobra em suas consultas quase o triplo do que cobrava antes… Ora, que posição política esperar de uma profissional casada com um Bolsonaro? E, sinceramente, quem em sã consciência cobraria o mesmo valor de uma consulta depois de se casar com o filho do presidente da República? A cúpula da Época fez bem em se demitir. O que eles fizeram não é jornalismo porque, para fazer jornalismo, não é preciso mentir.

  19. Com essa equipe a revista estava ótima! Nem parecia uma revista do grupo Globo! A equipe deveriam se unir e relançar a Revista Afinal,ou a Revista Visão!

  20. + comentários

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