As duas mortes do japonês da Escola Base

A primeira morte de Ucushiro Shimada ocorreu quando ele, esposa e sócios foram alvo de um crime de imprensa, cruel e generalizado, que liquidou não apenas com os sonhos dos pequenos empreendedores como estraçalhou com sua vida familiar.

A segunda morte foi quando acionados na Justiça, os grupos de mídia apelaram para todas as manobras previstas na sistema legal para postergar o pagamento.

Na série de vídeos abaixo, há o depoimento de uma das jovens sócias na época, hoje ganhando pouco mais de R$ 600,00 e sem dinheiro para pagar as dívidas.

O caso “Escola Base” foi uma das minhas primeiras incursões contra os linchamentos periódicos da mídia que se seguiram à campanha do impeachment de Fernando Collor – episódio que ensinou aos grupos de mídia o poder sem limites da escandalização mais abjeta amparada pela visão vesga de liberdade de imprensa e pelo apoio de uma malta de leitores brutalizados pelo jornalismo-espetáculo.

Em um dos vídeos está o repórter que primeiro levantou o tema de forma escandalosa, explicando as lições que aprendeu com o episódio.

A Escola Base nada ensinou. Depois dela vieram o caso Bar Bodega e uma infinidade de novos linchamentos, sempre obedecendo à sede de escandalização, sem direito à defesa e sem se importar se atacava inocentes ou culpas, desde que o espetáculo não parasse, explicitando o universo de (não) valores midiáticos, mostrando um nível civilizatório que remonta a República Velha.

Foi o início da um estilo generalizado de selvagerias que envergonharia qualquer sistema civilizado de mídia. Como no episódio Vilma (a senhora que sequestrou uma criança e a criou com carinho), com as câmeras do Jornal Nacional invadindo sua casa; ela escondendo-se debaixo de um sofá e a câmera indo atrás, com a mesma gana de um meganha colocando suspeitos em pau-de-arara. Ou no episódio Agroceres, em que policiais e jornalistas inescrupulosos armando uma ação espetacular em Pato Branco, com o helicóptero da Globo filmando todos os detalhes de uma perseguição cinematográfica e inútil contra o filho suspeito de ter matado o pai – e que tinha ido à cidade com passagem de volta para São Paulo já comprado para acompanhar a esposa dando à luz

Aqui, o texto introdutório do capítulo sobre a Escola Base que constou de meu livro “O jornalismo dos anos 90”.

Escola Base

O caso “Escola Base” foi herdeira direta da campanha do impeachment contra o ex- presidente Fernando Collor. Depois que a campanha se esgotou, criou-se um vácuo nos leitores. Estavam todos viciados em noticias catárticas, no escatológico, do mesmo modo que viciados em morfina. A cada dia a mídia se obrigava a buscar manchetes e temas que substituíssem o lixo da campanha do impeachment.

Foi nesse contexto que surgiu o episodio da Escola Base.

Como todo brasileiro, particularmente como pai, interessei-me vivamente pelo tema, assim que a imprensa passou a divulga-le No primeiro dia, havia declarações do delegado responsável pelo inquérito sobre supostas orgias com crianças de quatro anos. A imprensa ecoou em core as acusações. Pouco espaço era dado aos acusados.

Eram eles Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada , donos da Escola Base; Maria Cristina Franca, professora da escola, acusada de abusar sexualmente de uma criança de 4 anos, coleguinha de seu filho na escola; Saulo e Mara da Costa Nunes, perueiros da escola, acusado de abusar das crianças dentro da Kombi; e Mauricio Alvarenga e sua mulher Paula Milhin, sócia e professora, acusados de participarem do esquema todo.

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Uma das poucas experiências que eu tive com cobertura policial foi no inicio dos anos 80, no rumoroso episodio da corretora Tieppo Na época era proibido investir fora do pais, especialmente devido a crise cambial brasileira. A corretora montou um esquema de captação de recursos para aplicar nos novos mercados de derivativos que surgiam. Apostou mal, perdeu dinheiro e explodiu o escândalo.

Todos os jornais cercaram os delegados incumbidos da investigação, entre eles Romeu Tuma. Havia ampla disputa na cobertura, todos os jornais tratando de incensar os delegados, para obter informações. Todos bebendo da mesma fonte.

Como chefe de reportagem de Economia do “Jornal da Tarde”, orientei os repórteres a buscarem outras fontes. Em pouco tempo descobrimos uma versão totalmente diferente daquela apregoada pela mídia. O caso era tocado por dois delegados do DOPS, um deles o futuro senador Romeu Tuma.

A imprensa inteira estava atrás do caixa dois da corretora, que revelaria o nome dos investidores que aplicaram no exterior. Um dia Tuma convocou os jornalistas para informar que o caixa dois havia sido descoberto em um pequeno sobrado do bairro do Ipiranga.

Corremos por fora. O repórter Celso Horta foi incumbido de conversar com as telefonistas da corretora. Com elas levantou a informação de que as ligações para clientes especiais tinha umas frases em código, para evitar grampos. E nenhum dos nomes apurados constava da lista do Tuma.

Outro repórter foi despachado para o sobrado do Ipiranga com fotos de Tieppo e Tuma. Localizou testemunhas que afirmaram que ambos se encontraram varias vezes por ano, uma semana antes do anuncio oficial da descoberta do caixa dois.

Com essas informações convidamos o advogado de Tieppo para uma entrevista no “JT”, onde, apertado por todos os lados, confirmou o acordo entre Tieppo e Tuma para jogar pianos quentes na investigação.

O episodio me deu a certeza de que, a exemplo dos repórteres, delegados e promotores tendem a supervalorizar os casos dos quais se incumbem, obrigando a um cuidado redobrado na analise de suas informações.

No caso Escola Base, o delegado aparecia falando muito, expondo vastas certezas, e não apresentava fatos objetivos. Limitava-se a mencionar testemunho de meninos de quatro anos. Nas poucas vezes em que foi ouvido, o proprietário da escola revelava genuína indignação.

No terceiro ou quarto dia de cobertura, sugeri a chefia de reportagem da TV Bandeirantes que ousasse o caminho oposto: apostar na inocência dos proprietários da escola. Mas o clima, por demais candente, desestimulava qualquer movimento na direção contraria.

No dia seguinte foi anunciada a prisão de três casais da Escola Base. Naquele dia, decidi entrar no assunte Fazia um comentário diário no “Jornal da Noite”, e avisei o editor que falaria sobre o caso.

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Para minha surpresa, o editor me informou que o advogado dos acusados tinha entrado em contato com a repórter da Bandeirantes -a emissora menos radical na cobertura— e informado que dispunha de um laudo sobre o caso, segundo o qual havia dilatamento de um por um no anus do menino Significava que, se houve penetração, não foi de adulto; mas o mais provável e que tivesse sido uma assadura. Em vão o advogado tentava convencer os jornalistas a divulgar o laudo.

Naquela noite fiz um comentário no Jornal da Noite, posteriormente transcrito pelo jornalista Alex Ribeiro no livro “Escola Base – Os Abusos da Imprensa”:

“Bom, hoje eu não vou falar de economia, vou falar de um assunto que me deixa doente. Toda a imprensa esta ha uma semana denunciando donos de escola que presumivelmente teriam cometido abuso sexual contra crianças de quatro anos. Toda a cobertura se funda em opinião da policia. Esta havendo um massacre. Mais que isso, esta havendo um linchamento. Se eles foram culpados, não e mais que merecido E se não forem? Uma leitura exaustiva de todos os jornais mostra o seguinte: não ha ate agora nenhuma prova conclusiva de que a criança foi violentada por adulto. Não ha nenhuma prova conclusiva contra as pessoas que estão sendo acusadas. Tem-se apenas a opinião de policiais que ganharam notoriedade com denuncias e, se eventualmente de descobrir que as denuncias são falsas, vão ter muita dificuldade de admitir. Por isso, a melhor fonte não e a policia, neste momento A imprensa deve as pessoas que estão sendo massacradas, no mínimo, um direito de defesa, de procurar versões fora da policia. Repito: e possível que as pessoas sejam culpadas. Mas e possível que sejam inocentes. E se forem inocentes?”

Na manha seguinte, aumentei o tom das criticas no programa da radio Bandeirantes, no qual participava ao lado de Salomão Esper e Jose Paulo de Andrade. Naquele dia, escrevi a coluna na “Folha” sobre o episodio, que saiu publicada no dia posterior. Foi a primeira manifestação denunciando os erros de cobertura.

O massacre do japonês da Aclimação se dava no mesmo momento em que um banqueiro de atividade polemica se firmava na mídia, particularmente nas colunas sociais, como o novo grande mecenas da cidade. Sua incensação serviu de contraponto ao massacre da Escola Base.

 

8/04/1994 O japonês da Aclimação e o Mecenas

O japonês da Aclimação vai ajudar a brava sociedade brasileira a purgar seus erros e permissividades. Desconfiou-se que em sua escolinha donos, professores e pais de aluno praticavam abusos sexuais contra pequenos alunos de 4 anos de idade. Um roteiro para Marques de Sade nenhum botar defeito

Não ha nenhuma prova conclusiva para as acusações. Não ha sequer laudos que comprovem definitivamente a pratica de abusos sexuais. Um exame comprovou dilatamento de um por um no anus de uma das crianças. Pode ser vestígio de penetração, seguramente não por parte de um adulto. Pode ser fruto de uma assadura. Depois disso, ha apenas informações arrancadas de crianças de 4 anos por pais desesperados.

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Ha o quadro já conhecido de policiais que se deslumbram com episódios que podem lhe render popularidade, e de cobertura jornalística burocrática que se vale exclusivamente da versão oficial.

Mas pode haver algo de maior impacto, para policiais e jornalistas, do que a suposição de crianças de 4 anos—que poderiam ser filhos dos próprios leitores—sendo utilizadas em sessões de filmes pornográficos?

Não ha nenhuma foto, nenhum filme que comprove a versão, mas o que importa? Como tem-se 50% de possibilidade do japonês da Aclimação ser culpado, estase cometendo apenas 50% de injustiça.

E toca-se a linchar o japonês e os pais de outros alunos de 4 anos, valendo-se dessa grande prerrogativa de sentir-se fortalecido na companhia da unanimidade, para melhor poder exercitar o supremo gozo de participar de um linchamento, sem riscos e sem remorsos—uma espécie de realidade virtual da Disneyworld com vidas alheias, em que se vive a sensação de perigo, sem correr riscos.

Pouco importa se o resultado final dessa investigação vier eventualmente a comprovar a inocência dos acusados. Se errar, terão o álibi de estar errando em ampla companhia.

Lei e ética

O combate a corrupção não se faz em cima de leis, mas de princípios éticos desenvolvidos pela sociedade como um todo. O primeiro circulo a coibir práticas erradas é a família. O segundo, o circulo social. Se houver conivência com desvios, não ha aparato legal que resolva.

Em São Paulo, um banqueiro foi acusado de integrar o esquema PC Farias junto a fundos de pensão e ao sistema Telebrás. Um grande empresário carioca, homem de vida publica conhecida, e de boa reputação, acusou-o frontalmente de ter exigido propinas para liberar uma licitação Outro empresário, do setor de telecomunicações, acusou-o de te-lo procurado em nome do próprio PC Farias.

Nenhuma medida foi tomada pelo Ministério Publico Federal para apurar os fatos. Fosse apenas um empresário paulista, o banqueiro provavelmente teria sua vida investigada. Mas e também genro de um senador da Republica.

A brava elite paulista transformou-o em seu mecenas particular, sem se preocupar sequer em cobrar-lhe explicações cabais para as acusações. Ele e personagem ativo das colunas sociais, sua casa e frequentada por personalidades conhecidas da vida intelectual e empresarial, suas festas elogiadíssimas, assim como suas virtudes de enólogo Tem dinheiro e é grande amante das artes. Um grande praça, sem duvida.

Não se assuma a presunção da culpa. Pode ser que seja inocente. Pode ser que seja culpado O fato e que em nenhum momento as suspeitas provocaram sequer o constrangimento, que e o sinal mais tênue de existência de princípios éticos regendo relações sociais.

Mas pouco importa. O poderoso japonês da Aclimação esta ai mesmo, para mostrar que com a sociedade brasileira não se brinca.

 

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41 comentários

  1. Esse aparato midiático-penal criminoso continua intacto

    Esse  aparato midiático-penal  crimionso continua intacto por todo esse tempo, foi vitorioso com o julgamento do “mensalão”, uma mentira que virou verdade de tão bem arquitetada e repetida e agora, missão cumprida, estão vindo com com o mesmo esquema para mandar Dilma para a Papuda, foi isso que ouvimos ontem no comício do prá lá de “ético”  Aécio Neves

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=0_i0lLEg924%5D

     

  2. A proliferação dos datenas e

    A proliferação dos datenas e rezendes, é assutadora. Como esse senhores conseguem olhar para seus filhos, netos sabendo que estão recebendo salários, de forma tão indigna? Como ficam os filhos dos “bandidos do povo”, que os bandidos da mídia tripudiam e necessitam para terem seus salários? Trabalho sujo, com certeza, mas lucrativo para os idiotizantes berrões da mídia. Parece que tem um tal de coronel num helicóptro do estado de sp que trabalha para esses senhores. Só entendo isso, porque vivemos num país dominado pela máfia midiática e jurídica e, seus aliados, tudo podem. Qual país tem helicóptero púbico trabalhando para privado, descaradamente?

  3. Um descendente de japones,

    Um descendente de japones, mesmo vivendo no Brasil hah 5 geracoes vai ser sempre considerado japones no Brasil e estrangeiro no Japao.

    Pq nao dizer “As duas mortes do brasileiro da escola base?” No minimo o seu titulo estah errado, jah que ele nao eh japones.

    Esse mesmo preconceito existente nas Americas em relacao aos asiaticos, que nunca serao considerados americanos e podem ser exemplificados nos casos de descendentes japoneses que foram mandados a campos de concentracao nos EUA e Canada e a cidadania removidas durante a segunda guerra mundial. Em ambos os casos o governo pediu desculpas formais e pagou indenizacoes (revisao historica somente acontece em paises desenvolvidos).

    • Mas eu não vejo a expressão

      Mas eu não vejo a expressão “japonês” ser usada com sentido pejorativo. É só para dizer que a pessoa é descendente de japonês. Claro que todos a consideram brasileira. Que outro termo poderíamos usar? nipodescendente?

      O preconceito muitas vezes está nos olhos de quem vê. É o mesmo que achar que  a expressão “crioulo” é uma manifestação racista, quando muitos negros a usam para definir outros negros ou  a si próprios.

       

      Com a palavra, os descendentes de japoneses.

    • Nâo há preconceito em chamar

      Nâo há preconceito em chamar o cidadão de japones. Primeiro que ele não é chamdo de japa em sentido pejorativo. Segundo que, na verdade, no Brasil, os que têm aparencia de japones geralmente são mais bem tratados do que os que não tem esta aparencia. Via de regra eles tem fama de trabalhadores e inteligentes.

  4. Mesmo depois de desmascarada

    Mesmo depois de desmascarada a mídia, no caso Escola de Base, essa mesma mídia, parece que aperfeiçoou  o seu modo de agir, pois o que tem se visto e lido ultimamente, não tem nada a ver com liberdade de imprensa, e sim, é pura libertinagem de imprensa. E as autoridades competentes, fecham os olhos para os devios de conduta, como se isso não estivesse prejudicando pessoas, famílias e diretamente ou indiretamente o país.

  5. Parafraseando Borges, esse

    Parafraseando Borges, esse foi dos muitos capítulos da história nacional da infâmia, no campo da mídia. Imagine-se o que foi a vida de Shimada, quando sua honra e seu trabalho foram destruídos pela mídia que alimenta também o que há de pior na humanidade, e se alimenta disso. Quando por acaso vejo um desses âncoras de programas policialescos da TV aberta temo pela de-formação do nosso povo, e pelo destino de outras vítimas dessas práticas hediondas como as que o Nassif denunciou.

  6. Vai haver sempre injustiça

    E a coisa continua sem peias. Que dizer de um Ministro do Supremo que deixa um réu em prisão ilegal durante tanto tempo? Nada acontece. Assistimos boquiabertos e apenas nos indignamos. Isso é a democracia: o direito a lastimar e ponto final. Quem vai parar esses crimes se os próprios julgadores não dão exemplo de insenção e respeito à lei? 

  7. Era um teste.

    Aquilo era só um teste para aferir o quanto estavam livres para cometer todo tipo de crime. A justiça se fez como “eles” esperavam e a partir d’ai se sentiram livres. Foi um teste que deu certo. Mostrou que no país se é livre para cometer crimes de imprensa.

    O pig deve muito a este teste vitorioso.

  8. E o que dizer do público

    A infâmia sobre a Escola Base foi alimentada por espectadores e leitores truculentos. E o que dizer, hoje, desses sites a favor de milicias, nazismo, anti-nordestinos, verdadeiramente ilegais e fascitas que tem mais de 500.000 participantes. Está aí para quem quiser acessar. O que parece é que a estupidez humana é que precisa ser combatida. Mas vivemos esse clima hostil de partidariazações, fundamentalismos e culta ao pensamento dos iguais. Ou seja, necas de pluralidade, respeito à diferença. 

  9. É por isso que eu


    não me canso de afirmar que se a Dilma não sofrer um golpe esse ano sofrerá num futuro bem breve. Ela só escapará de um golpe por parte da mídia se fizer o marco regulatório da imprensa. Os maiores erros políticos que o Lula cometeu foram: ter escolhido os ministros para o stf sem conhecê-los e não ter feito pelo menos um debate nacional sobre o marco regulatório da imprensa. A mídia junto com a elite endinheirada  raivosa é uma máfia institucionalizada.

  10. Interessane nessa história da

    Interessane nessa história da Escola Base é que sabe-se o nome de quase todos os envolvidos, mas e o nome das mães zelosas? Não me lembro de ter lido nem meia declaração com pedidos de desculpas, muito menos o nome de uma delas. Alguém é capaz de me esclarecer ou dar uma dica dos motivos?

  11. É muito fácil e prático para

    É muito fácil e prático para as empresas do ramo confundirem liberdade de imprensa com atividade comercial. Como atividade comercial, a empresa busca a venda da notícia. O estardalhaço é o grande chamariz das vendas. Não se trata de informação pura e simples,  de notícia. Notícia não precisa ser informação, como por exemplo, quando se divulga que a celebridade estava vestindo branco quando comeu caviar no tal restaurante. Isso não pode ser classificado de informação – se o fosse seria “informação inútil”, uma antinomia, ao meu ver. Os veículos de baixo nível vivem do estardalhaço. Do absurdo, do inverossímil. Quanto mais extravagante – e odiosa – for a notícia, mais ela irá vender. Não se trata de uma opção ideológica. Mas de uma questão de sobrevivência comercial. Acho que a imprensa deveria receber um tratamento semelhante ao das instituições financeiras. O erro tem conseqüências sistêmicas. Irreversíveis. As vítimas não conseguiram se recuperar, nunca. Liberdade de imprensa é outra coisa. Às vezes difícil de ser definida, sua ausência é palpável. Podemos não saber dizer com objetividade o que é liberdade de imprensa. Mas quando ausente, todos percebem sua importância. Durante a ditadura militar a venda de notícias era francamente livre. A atividade comercial não era de modo algum cerceada. Mas não havia liberdade de imprensa. A esperteza e associar a liberdade da atividade comercial – dizer qualquer coisa sem punições exemplares – com a liberdade de imprensa.

     

  12. E os defensores da imprensa livre?

    Sou totalmente contra qualquer tipo de censura prévia, mas regulação da mídia deve existir, sim. Errou, tem que pagar, ou é só petista, pobre, preto e prostituta que têm que responder por seu erros e muitas vezes por pretensos erros? Gente hipócrita!

  13. Resumo:
    Não acredite no que a

    Resumo:

    Não acredite no que a imprensa diz, apenas no partido.

    Racionalizando, todos erram, o erro do médico pode levar a morte, a do pedreiro é um murro que pode cair, o jornalismo erra como qualquer outra profissão.

    Se a imprensa brasileira erra mais que acerta é o caso de verificar.

    Quem tem interesse em ter uma imprensa desmoralizada, quem é “falcatrua”, lógico. Por isso a campanha contra o “PIG”.

    Politico odeia imprensa, politico corrupto odeia mais ainda pq é quem denuncia, quem  torna publico seus ilicitos.

     

     

    •  
      É claro que todo mundo é

       

      É claro que todo mundo é passível de erros. Da mesma forma que todos devem ser responsabilizados por seus erros. Vários repórteres e veículos destruiram as vidas dessas pessoas e ai, qual foi a punição ? Nenhuma praticamente. Esse é o problema. Não tem nada a ver com partido, o post do Nassif.

      • Não quero colocar  no Nassif

        Não quero colocar  no Nassif a má fé de estar fazendo defesa do partido longe disso, mas existe o efeito de manada em malhar a imprensa.

        Veja, Daniel  a esquerda malha frequentemente a imprensa, agora a justiça.

        E quem tem interesse em desmoralizar a imprensa e a justiça?

        O honesto ou o desonesto?

         

        • Que partido???

          O Nassif denunciou com coragem o papel da mídia nesse erro, com a provável má-fé da polícia e de familiares de crianças, justamente contra o “efeito de manada” criado pela mídia! Isso em 1994! Que partido é esse a que se refere?

          •  Que partido é esse a que se

             Que partido é esse a que se refere?

            Do governo.

            “O Nassif denunciou com coragem o papel da mídia nesse erro, com a provável má-fé da polícia e de familiares de crianças, justamente contra o “efeito de manada”….

            Aprimorar a democracia é necesário a critica contra abusos da imprensa, ninguém esta contra isso.

            Mas o que se vê por parte da esquerda é desmerecer por completo qualquer critica contra o governo.

             

             

             

             

          • Trollagem, pra variar.

            “Do governo”… Estadual ou federal? De 1994 ou 2014? Se for do governo federal, o que ele tem a ver com a questão do linchamento midiático da Escola-Base? O linchamento do próprio governo federal atualmente pela mídia? O que isso tem a ver com o assunto em pauta?

    • A imprensa cometeu um

      A imprensa cometeu um CRIME!!! É essa a grande questão! Não é um caso de “erro jornalístico” ou opção polítca de quem quer que seja! Tá certo que também cometeram o pecado de não respeitar nenhum princípio jornalístico, mas o que houve nesse caso foi um crime coletivo, um linchamento! Com o agravante de que os linchados eram inocentes! 

      Engraçado é sempre encontrar quem defenda criminosos que tem a prerrogativa de serem da direita, ou amigos/sócios da direita nefasta brazuca! R. Azevedo já disse várias vezes que é contra comparar trensalão com mensalão… Os tucanos não deveriam sequer ser investigados! Chegou a dizer, seguindo o discurso do mestre, que J. Çerra fez um favor ao estado em apoiar a constituição de um “cartel” para reformas no metrô! Petista faz “quadrilha corrupta”… Tucano faz “cartel positivo”

      Agora é a mesma situação::: Não podemos denunciar os crimes da mídia, com provas, para não desmoralizá-la, já que a direita precisa dela – a mídia – para desmoralizar quem é sua adversária, mesmo que sem provas! Os condenados da AP470 que o digam!

  14. Sadicos

    Nunca compreendi porque as pessoas sentem sede de linchamento, de barbarie, de presenciar enforcamentos como era antes e como ainda é hoje, nesses videos horriveis que correm pela internet. Nunca entendi essa tendência pelo horror, pelo sadismo. Toda vez que vejo gente conclamando linchamentos ou pedindo pena de morte sinto um profundo mal-estar pelo ser humano. E o midiatico é outro tipo de linchamento terrivel, tão cruel quanto o fisico, mas parece que nem todos entendem isso e vão gritando em meio a turba “morte aos cães!” Quisera que amanhã, o cão não seja ele. 

    • “Nunca compreendi porque as

      “Nunca compreendi porque as pessoas sentem sede de linchamento”

      Sofrimento de injustiça acumulado.

  15. Escola Base

    Caro Nassif. Sempre que aparece este assunto tomo o cuidado de levantar um grande esquecido neste episódio todo. Trata-se do Miranda Jordão- diretor do Diário Popular. Não deu uma nota sobre o escândalo. Recordo-me que – em pleno auge das denúncias- encontrei-me com Miranda em um restaurante. E ele foi claro: este delegado é um mentiroso e o caso é uma farsa. E disse mais. O Diário Popular é o único que cobre diariamente delegacia. Este delegado já havia tentado plantar um caso falso no jornal. No dia seguinte- no meio da gritaria da mídia- o Dipo publicou um nota ( quase um editorial) explicando aos leitores porque não estava naquela cruzada . Sei que vc agiu com grande coragem neste caso. Lembro apenas o Miranda Jordão ( não sei por onde anda) por ser de inteiura justiça.

  16. os linchamentos e as blindagens

    Oportuna a lembrança, Nassif. Mas lembro de outro linchamento midiático mais recente: o do casal Nardone. Por causa do escândalo da Escola Base, acompanhei as notícias sobre a morte da menina. Mesmo sem provas conclusivas bem antes do julgamento e sem nenhuma mancha em suas vidas quando foram indiciados, eles foram presos, algemados e jogados num camburão sob as vistas das câmeras e sob as vaias de alguns. A nossa polícia, na ocasião, não se preocupou em preserválos do escândalo, não levou em conta que eles têm família. Depois, após o julgamento, fiquei espantado ao saber que o Policial militar que fez a varredura da cena do crime e que apareceu bastante na TV por ocaisão do escândalo Nardone, suicidou-se no dia em que a polícia foi buscá.lo, prende-lo, sob a acusação de pertencer a uma quadrilha ligada a  pedofilia. Muito estranho: pedifilia, a vitima era uma criança… Mas a imprensa não se aprofundou no caso, “engoliu” tudo o que veio da polícia do promotor veemente e exibido. Mas o oposto também existe. No recente caso do motorista de Olacyr de Moraes, a blindagem surgiu, a Gancia escreveu um artigo defendendo o empresário e nada sabemos o que de fato ocorreu para o motorista ter matado o político boliviano. Assim como nada sabemos sobre a família alemã que deu abrigo ao nazista Joseph Menguele no bairro do Brooklin.

  17. Caro Nassif
    recordo-me

    Caro Nassif

    recordo-me daqueles tempos. Já o acompanhava na TV Gazeta, Folha e Rádio Bandeirantes e assim continuo sempre que posso (a Folha, mandei pras calendas faz tempo).

    À época, passava pela escolinha à noite voltando pra casa após aulas na USP e pude acompanhar o vandalismo, depredação e pixações por dias sem que nenhuma autoridade intervisse (virou até programa noturno). Sua análise – certeira – foca nos abusos da imprensa, claro, mas o pior dessa tragédia precisa ser registrado: o deslumbre da Polícia com a fama, o despreparo investigatório do MP e o amadorismo e a desídia da Justiça!

    Hoje advogado militante (algo que nem imaginava) posso constatar: muito pouco mudou. Assaduras em bumbum de criança continuam sendo usadas para se faturar $$$$ em cima de escolas.

     

  18. fala do Aécio

    No msn, tem uma entrevista em que Aécio Neves diz que ele e o Eduardo Campos vão disputar o segundo turno e que a presidente DILMA vai ficar fora da eleição ou seja, dá a entender que ela não sera candidata. O que ele sabe antecipadamente que ninguem esta sabendo???? O PT tem que abrir os olhos assim como toda a nossa militância.

     

  19. No documentário que assisti

    No documentário que assisti ontem pela TV Brasil foi apresetnado um baita condomínio, com pelo menos duas torres, no local da escola.

    Eu penso que a maior parte dos jornalistas, de caráter, será perseguida até morrer com o pecado que sabem ter cometido. Mas, a bem da verdade, nada neste mundo pagou ou pagaria essas famílias pelos estragos feitos a elas pela imprensa, porque aquele imbecil-delegado foi nada na história. Coube à imprensa todo esse mal, e um mal que não se apaga nem se paga.

  20. A loucura em ressonância

    Nassif, me lembro bem da sua voz dissonante, ao lado do pessoal do DiPo, nesse episódio infame que eu acompanhei com alguma atenção na época. Concordo consigo que o impeachment do Fernando Collor – ao fim e ao cabo – fez mais mal do que bem ao Brasil. Alguma razão tinha o velho Leonel Brizola, que não embarcou nessa história.

    Mas acho que falta uma peça importante na sua análise: durante o segundo semestre de 1993 o público havia sido bombardeado quase que diariamente pela mídia com notícias sensacionalistas sobre as acusações de pedofilia contra o cantor Michael Jackson. Os jornais traziam incessantemente novas notícias sobre o caso: detalhes das buscas na casa do cantor, dos albuns encontrados com fotos de crianças nuas, do exame íntimo a que Jackson foi submetido para verificar se sua genitália batia com as descrições feitas pelo garoto, de novas denúncias e suspeitas de outros casos em que ele estaria envolvido. A receita completa do massacre midiático que se repetiria no Brasil, contra gente inocente e muito menos poderosa.

    O resultado foi um clima de histeria em relação à questões envolvendo pedofilia. O assunto invadindo as casas pelas TVs na hora do jantar e um monte de pais preocupados fazendo perguntas esquisitas aos filhos de 3, 4 anos de idade. Um terreno fértil para episódios de insanidade coletiva, onde as pequenas loucuras individuais encontram ressonância, se propagam e ampliam na sociedade. Não por acaso, é dessa mesma época o início da denúncia altamente polêmica contra os médicos da “seita religiosa” que teriam emasculado crianças em Altamira, no Pará.

    O delegado boçal e irresponsável da polícia de São Paulo apenas deu à mídia o que já procurava desesperadamente: uma chance de replicar no Brasil um escândalo semelhante ao que incendiava há meses o noticiário nos EUA.

  21. Tenho a impressão que a

    Tenho a impressão que a própria mídia não sabe o poder que ostenta. Sem dúvidas nenhuma, numa democracia plena ela é a principal matriz para a  formação da chamada “opinião pública”. Em especial nos assuntos e temas que são de domínio ou de interesse público, a começar pela política.

    Não conheço as disciplinas cursadas nas faculdades de comunição. Mas é lógico se supor a existência de uma em especial: a da ÉTICA. Com esse poder avassalador que encarna se faz necessário instrumentos que sirvam de contra-peso. E o principal deles é a consciência ética. De nada adiantariam eventuais contrôles ou imposições de penas nos casos de extrapolações, se as empresas de comunicação não contarem nos seus quadros profissionais comprometidos com a Verdade, e não com índices de audiências ou vendagens de exemplares.

    Muitos vezes me quedo acerca da extrema virulência que permeia nos comentários feitos em blogs, redes sociais e nos próprios portais da mídia. Nesse sentido, quanto mais violento, radical e irresponsável os respectivos espaços, mais atraem, como mariposas pela luz, apreciadores violentos e extremados.

    Só um pouco mais de humildade, tanto das corporações, como dos profissionais que a lotam, poderia evitar, de futuro, casos horrosos, infames, como esse que trata o post. Nada machuca, fere mais que uma injustiça. Nenhuma manchete ou matéria compensa o risco de cometê-la.  

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