5 de junho de 2026

A extrema-direita convencional está procurando eliminar a extrema-direita bonapartista bolsonarista

Com o estudo mais aprofundado dos movimentos de ascensão do fascismo na Europa, se vê imensa parte da sociedade compreendendo os próprios neofascistas até a esquerda não entenderam a dinâmica dos movimentos fascistas, desde o italiano até os ibéricos, pois se entendessem, principalmente a esquerda não fariam os erros que estão fazendo.
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Durante décadas a esquerda vulgarizou o termo fascista para todos os governos de extrema direita truculentos como movimentos fascistas e no futuro vão pagar alto por este erro em confundir um bonapartismo bolsonarista que pode ter algum viés neofascista.
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O fascismo é um movimento que necessita a criação de um Estado Totalitário , logicamente este movimento está baseado no apoio da grande burguesia local, exemplo da Alemanha ou a Itália, ou de uma burguesia associada ao capital internacional, como os fascismos ibéricos. O fascismo tem que necessariamente ter duas peças básicas, a existência de um único partido chefiado por um líder inconteste deste partido, o Führer ou o Duce, isto é necessário para que seu domínio se estenda aos sindicatos para que as demandas da classe trabalhadora sejam simplesmente reprimidas, também o fascismo deve dominar de forma absoluta toda a superestrutura para poder dominar a infraestrutura existente, estes dois termos devem ser olhados no contexto aqui escrito sob o ponto de vista marxista.
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Quem deseja tomar um poder totalitário e substituir em parte o domínio que as classes dominantes têm sobre a superestrutura em países capitalistas tem que necessariamente moldar a sociedade através de uma expansão a esta da ideologia fascista.
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Como o fascismo é um mero produto de uma sociedade capitalista em que a chamada democracia burguesa mostra incapacidade de controlar a população via a farsa eleitoral, nada mais confortável é que estas eleições sejam eliminadas e substituídas pela vontade do Estado Totalitário que simplesmente governa através do grupo que cerca o líder.
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A presença do líder nos regimes fascistas é essencial para a sua construção e manutenção, pois este deverá em torno da sua imagem e retórica farsesca atrair as multidões criando inimigos externos ou internos que motivem estas massas.
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Para que haja o apoio das massas ao líder fascista há duas condições necessárias, ele deverá acenar para estas com uma construção brilhante de um novo amanhã, mas ao mesmo tempo deve dar uma sensação de empoderamento das mesmas com pequenos ganhos reais econômicos.
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Nenhum país fascista, por mais notável que aparente o líder se sustenta, sem repressão das mesmas massas, a uma situação de crise real em que os ganhos para essas, reais ou futuros, estejam ausentes. Nenhum líder fascista se sustenta prometendo mais perdas e uma espera, mesmo de curto prazo, de uma melhora que deverá passar por uma piora ainda maior do que no presente.
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Na situação brasileira há mais fatores complicadores de uma criação de um Estado Totalitário, do que qualquer coisa. Vamos enumerar alguns.

  1. Apesar da tendência adesista ao fascismo de toda a nossa extrema-direita constituída pelos partidos tradicionais como DEM e outros, o líder por simplesmente não contar com um núcleo de apoio próximo mais amplo do que a própria família ou por alucinados ministros olavistas, não consegue manter estes partidos que pela farsa eleitoral mantinham o poder num arremedo de estado democrático.
  2.  Os falsos discursos contra as elites que criaram no início a adesão de amplos setores da população em estados que se tornaram totalitários, nunca foi claramente desenvolvido pelo pretendente a líder neofascista que atualmente ocupa a presidência.
  3.  A posição de submissão incondicional, a uma liderança externa, com verdadeiras declarações de amor e continências a bandeiras estrangeiras, elimina qualquer imagem de independência e de arroubos nacionalistas do governo.
  4. A total incapacidade de desenvolver qualquer discurso público que chamem massas ao redor de uma falsa liderança, não criam a imagem agregadora que serviria para manter intactos o núcleo do poder.
  5. A recolocação da extrema-direita tradicional com a perda da popularidade do discurso neofascista, faz com que esta, apoiada por setores equivocados de centro esquerda e apoio da mídia, recuperem parte da sua credibilidade, podendo tentar retornar a farsa eleitoral e desta forma evitando o controle de um falso líder fascista que se desmancha dia a dia com suas contradições.
  6. A heterogeneidade da base de apoio do atual alto proposto a líder e seus pequenos líderes locais, faz com que as lutas internas comecem a dissolver a sua base política e de apoio de massas. Ou seja, surgem nas suas próprias fileiras outros líderes ambiciosos para substituir o próprio Lider.
  7. Como o falso líder neofascista é de uma indigência mental de tal forma que agrega em seu redor também outros indigentes mentais, não há uma projeção de seu poder através de replicação de suas ideias.

Não está colocado neste texto nenhum fator que será altamente agravante, esperada crise internacional do capitalismo, que vozes de dentro do próprio capital anunciam para quem quiser e tiver capacidade de ouvir.

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Essa mais do que provável crise do capitalismo, algo que está se apresentando como inevitável pelos próprios economistas burgueses, se vier antes da resolução crise política do país combinará dois aspectos importantes, que sobrepostos podem levar a uma real alteração no equilíbrio mantido a duras penas pelo grande capital e sua oligarquia nas últimas décadas, pois a solução dita de mercado será impossível de ser implantada.
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A expectativa desta grande crise é que talvez ainda dê alguma sustentabilidade ao governo, pois no momento que ela se instalar a solução política, favorecida pela própria esquerda que se nega a propor saídas mais radicais do atual impasse, podem fazer com que Bolsonaro seja o famoso boi de piranha. Neste caso a aventura bonapartista de Bolsonaro deverá terminar da mesma forma do que a de Napoleão III, prisão e exílio.

(1)Estado Totalitário é definido aqui como um Estado organizado sob a forma de partido único, montado por um pequeno grupo de pessoas que domina todos os componentes da sociedade, como sindicatos, meios de comunicação, justiça, educação, polícia, exército e até a religião. O pequeno grupo dominante deve ter a liderança de um líder único e inconteste no partido único. Militarismo e nacionalismo são derivados deste domínio, porém pode-se ver que nos fascismos ibéricos não há capacidade de lidar com o último conceito, o nacionalismo, pois eram países dependentes e para tanto substituíam este por aspectos religiosos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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