Hy-Brazil: 14-JUN, Rio de Janeiro

quando começava a escurecer e a Igreja da Candelária reluzia, iluminada por um brilho em tom esmeralda, a gigantesca manifestação também começou a se movimentar pela Av. Pres. Vargas, em direção à Central do Brasil.

após o dia de Greve Geral (14-JUN), dezenas de milhares de pessoas então e ali se congraçavam não apenas contra o desmonte da previdência pública, mas principalmente por uma vida que valha a pena ser vivida.

então e ali esta vida se trazia à experiência.

em cada palavra de ordem. em cada canto de guerra. nos abraços entre velhos amigos. nos apertos de mão de novas amizades.

então e ali esta vida se vivenciava. cada qual dos presentes constituía a plenitude de um corpo não segmentado por órgãos, simultaneamente singular e múltiplo. prenhe de vida.

então e ali, pelo vigor da luta travada em comum, cada qual se tornava nosotros.

como um imenso caleidoscópio recombinando formas heterogêneas, o deslocamento da multidão gerava uma atmosfera de júbilo. muito embora nada houvesse para se rejubilar, a não ser então e ali se estar irmanados na e com a luta.

entretanto, um pouco mais adiante as forças da ordem já haviam se perfilado para impor a disciplina, o controle e a submissão.

no Panteão de Caxias, o Duque patrono do Exército Brasileiro, um grupo de soldados da PE portava equipamento anti-multidão, contando com o apoio da cavalaria e de dois blindados, para guarnecer o imponente monumento e bloquear o acesso à pista em frente a ele.

enquanto a manifestação reivindicava melhores condições de vida, a tropa defendia mármore, ferro, bronze e restos mortais.

se os manifestantes lutavam por um presente no qual os vivos se tornem maioria, os militares garantiam a hegemonia do passado, para a tradição de todas as gerações mortas seguir oprimindo como um pesadelo o cérebro dos vivos.

nada deveria macular o mausoléu de um Duque promotor do genocídio da população paraguaia, e sempre fiel servidor dos interesses do imperador e do imperialismo ao liderar campanhas de “pacificação” das revoltas populares.

um quarteirão antes do Panteão, coube à tropa de choque da PM-RJ dispersar a manifestação com bombas de efeito moral, tiros de balas de borracha e muito gás lacrimogêneo.

em cada ato da repressão nitidamente era possível distinguir seu lema sinistro: viva la muerte!

se a Guerra sem Fim se tornou o hardware no qual se processa atualmente o Capitalismo, o terrorismo vem a ser a continuidade infinitamente capilar desta guerra, não importa por qual meio. sem qualquer limite de atrocidade, toda crueldade se justifica com o objetivo de perpetuar uma permanente síndrome de pânico mundial.

os Brasis: viva la muerte

26/12/2017

vivemos todos, queiramos ou não, saibamos ou não, numa guerra. a guerra de um mundo contra todos os demais. uma guerra de extermínio.

não temos e nunca tivemos outra opção: ou lutamos ou não sobreviveremos, pois a sobrevivência se tornou sinônimo de luta.

Muera la Muerte! Gracias a la Vida!

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