Não apressem a fabricação da vacina, por Gustavo Gollo

Enlouquecidos pelo confinamento e à beira do pânico em face da mortalidade do coronavírus (estimada em 0,22%), ansiamos por uma vacina para a doença, mas não podemos permitir que o desespero nos roube a sanidade.

A tecnologia de fabricação de vacinas é hoje bastante conhecida, relativamente banal e dominada por muitos. Assim sendo, por que não se faz logo uma vacina que resolva de uma vez todo esse pandemônio em que nos metemos?

Desenvolver uma nova vacina é relativamente fácil, o que demora é calibrar sua dosagem: se fraca demais, talvez não cause nenhum efeito, se muito forte, talvez cause mais sintomas e mortes que a própria doença.

Uma vez desenvolvida uma nova vacina, ela deve passar por um longo protocolo de testes prescritos para minimizar o risco de desastres. Aplicada em bilhões de pessoas, uma vacina mal calibrada pode ser catastrófica; uma longa sucessão de testes já bem estabelecidos tem como finalidade reduzir esse risco.

Depois de testes em animais, novas vacinas são aplicadas em um pequeno grupo de pessoas, procedimento de alto risco para elas. Verifica-se o resultado obtido nesse grupo e recalibram-se as dosagens até que se consigam valores próximos do ideal. Novos testes vão sendo efetuados sobre grupos maiores, de modo a se avaliar mais claramente os resultados obtidos. Se bem feitos,  demoram em torno de 18 meses.

Uma precaução necessária consiste em avaliar os efeitos retardados provocados pelo medicamento. Haverá algum efeito colateral que só se manifesta 1 mês após a aplicação da vacina? Existirão efeitos que só se revelam ainda mais tardiamente?

Busca-se uma vacina que será aplicada em bilhões de pessoas, em parcela considerável da humanidade, erros em tal escala seriam catastróficos.

Com base no protocolo de testes vigente, estima-se que as vacinas estarão prontas para a aplicação em massa em uns 18 meses. Apressar esse processo envolve um risco sem precedentes que tem que ser evitado a todo custo, enquanto os bilhões de dólares vislumbrados pelos fabricantes de vacina constituem tentação formidável no sentido oposto.

Todas as etapas já estabelecidas necessárias para o desenvolvimento de uma vacina segura devem ser mantidas obrigatórias para o Covid-19.

Não apressem a fabricação da vacina.

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