Datafolha, direita x esquerda, limites da influência da mídia, por Percival Maricato

Datafolha, direita x esquerda, limites da influência da mídia

por Percival Maricato

Os resultados da crise econômica, erros de gestão do governo Dilma, o Lava Jato e  a intensa campanha da mídia contra o PT, Lula, e a presidenta, podem ser medidas pela pesquisa Datafolha publicada neste domingo. Reduziu pouco a parcela de simpatizantes de esquerda da população, aumentou na mesma proporção a direita e manteve o centro, que ganhou da esquerda o que perdeu para a direita.

Na preferência dos candidatos a presidência, nos vários cenários, Lula sempre chega na frente no primeiro turno, com 22% a 23%, seguido por Marina, que tem entre 14% a 17%; o terceiro lugar fica com os tucanos,  Aécio com 14%, Serra  11% e Alckmin em 8%. A campanha de mídia influenciou na rejeição de Lula, que fica em 46%, seguido de Aécio e Temer, 29%.

Nos cenários de segundo turno, Lula perde dos tucanos Aécio e Alckmin por 2% , por 5% para Serra e 8% para Marina.Esta ganha todas as simulações contra seus adversários, tucanos ou petistas. As diferenças  são pequenas. Lula atinge 36% contra 34% dos tucanos e 32% contra 40% de Marina. Com o tempo de TV e o microfone na mão Lula tem muita probabilidade de ganhar em 2018, no segundo turno, se sua candidatura não for inviabilizada por Moro, Globo e Cia. A probabilidade diminui porém se tiver que enfrentar Marina. Nesse caso, centro e direita convergirão para a candidata da Rede. Da mesma forma, se tivermos um tucano contra Marina no segundo turno, esta terá a soma dos votos da esquerda.Tudo que ela tem que ela tem que fazer para ter chance imensa de ser presidente é chegar ao segundo turno. Terá que enfrentar antes suas próprias fragilidades.

Quanto a escolha de rumos para o país, podemos dividir a população mais facilmente entre esquerda, direita e  centro. Na pesquisa podemos colocar a esquerda Lula, Ciro Gomes e Luciana Genro, que juntos, nos vários cenários, somam 29%  a 31%. À direita estão os tucanos, Bolsonaro, Caiado e Eduardo Jorge, que batem em 23%, no máximo. Mas temos em um dos cenários, considerados os votos de Temer, a direita chegando a 27%. Os votos de Marina, entre 17% e 18%, podem ser considerados mais para o centro.  Se fossem de esquerda, esta seria bem majoritária, e vice versa se forem considerados de direita. As simulações de segundo turno, sem Marina, mostram que uns 2/3 de seus eleitores votam nos tucanos, contra 1/3 que prefere Lula, embolando a disputa, tal como a tivemos nas últimas eleições.  Mas agora são os adversários do PT que lidam com insatisfações.

A esquerda perdeu parte do centro na campanha presidencial anterior e ainda não o recuperou. A campanha do impeachmente demais fatores acima referidos fizeram seus efeitos: lembremos que Lula tem muito mais apelo que Dilma. No entanto, conclui-se que direita, centro e esquerda estão bem implantados no país e portanto, o respeito a democracia tem que voltar a prevalecer nas disputas políticas. Como disse mestre Garrincha após ouvir Feola, alguém tem que falar com os russos.

Tudo indica que também se chegou aos limites possíveis de influência da mídia na formação de opinião. Nesses últimos anos, após a criação do Instituto Millenium, ela apostou em um projeto, prometeu e se transformou em partido de oposição ao PT, arriscou sua credibilidade (perdeu o que lhe restava com os 30% da população que apoia a esquerda), patinava até surgir a Lava Jato. A direita retomou a franja de poder (o governo) que estava com a esquerda. Esta terá que se reconstruir. Manteve o essencial para isso, é opção preferida para 30% da população, como demonstra a pesquisa.

Percival Maricato

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