5 de junho de 2026

Editorial do Estadão usa aspas falsas de pesquisador para defender reformas

Marcelo Medeiros diz que nunca concluiu que investimentos públicos no ensino superior privilegiam mais ricos; Estadão usou dados para defender reformas da Previdência, Tributária e mudanças estruturais na educação pública

Jornal GGN – Um dos principais estudiosos sobre desigualdade de distribuição de renda no Brasil, pesquisador de Princeton e colaborador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Medeiros, acusa o jornal “Estado de S.Paulo” de usar informações falsas a seu respeito.

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Nesta terça-feira (28), o jornal divulgou entre seus editoriais o artigo “Cresce a desigualdade de renda” abordando dados sobre o aumento da pobreza e concentração de renda no Brasil com informações que teriam sido ditas pelo pesquisador.

Marcelo Medeiros divulgou em sua conta no Twitter que “jamais” conversou com o Estadão a respeito dos dados divulgados no editorial e muito menos defendeu as informações colocadas pelo jornal como palavras suas.

“O Estadão usa meu nome em seu editorial. Favor retuitar até chegar no @Estadao”, escreveu. “[O jornal] JAMAIS falou comigo sobre educação. Coloca o OPOSTO do que argumento. Sou CONTRÁRIO a aventuras sem fundamento sólido em educação”, pontuou. “Peço que RETIREM o editorial”, completou.


O Estadão disse que Medeiros “demonstrou em estudos recentes o quanto priorizar investimentos públicos no ensino superior privilegia os mais ricos”. Ainda segundo o jornal, o pesquisador teria apontado entre as alternativas para corrigir essa suposta distorção “a criação do ProUni do ensino básico e a distribuição de vale-escola para que estudantes pobres se matriculem em escolas privadas”.

“As universidades públicas, por sua vez, poderiam compensar a perda de recursos através de mensalidades proporcionais à renda familiar de seus estudantes e da flexibilização dos modelos de parceria e captação de recursos junto da iniciativa privada”, completa o Estado de S.Paulo.

O pesquisador afirma que nenhuma dessas informações foram defendidas por ele, rebatendo em outras postagens via Twitter:

“@Estadao, Marcelo medeiros JAMAIS “demonstrou em estudos o quanto a priorização dos investimentos públicos no ensino superior privilegia os mais ricos”. JAMAIS sugeriu “criação do ProUni do ensino básico e a distribuição de vale-escola”. JAMAIS falou com o @Estadão sobre isso”.

“Não faço a MENOR IDEIA do motivo para o @Estadao me usar para defender suas posições.. Posso apenas dizer que é uma invenção SEM QUALQUER FUNDAMENTO. Erro grave do Editorial, porque isso tudo ESTÁ ERRADO, não dou dado a propor aventuras mal fundamentadas”.


Ao longo do editorial, o Estado de S.Paulo diz que “a principal causa do aumento da desigualdade e da pobreza foi o desemprego”, usando a fala de outro pesquisador do Ibre, Daniel Duque, para dizer que “o cenário sem a reforma da Previdência é catastrófico, com o risco de uma reversão do mercado de trabalho”.

O jornal segue dizendo que, a reforma da Previdência “é uma condição necessária” mas não suficiente e que para reverter o processo de crescimento da desigualdade o país precisa ainda “rever o sistema de tributação”.

“Além desses ajustes, a redução na desigualdade de renda depende de mudanças estruturais que garantam maior igualdade de condições”, completou o Estadão abordando em seguida o tema da educação com as supostas falas de Marcelo Medeiros.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Renato Lazzari

    28 de maio de 2019 11:49 pm

    E essa é apenas uma. Quantas mais desonestidades o jornal dessa firma, OESP, tem cometido e está cometendo e que a gente não fica sabendo? E isso falando só dessa firma, hein? E as empresas tacitamente cartelizadas a essa, cartel que forma o oligopólio da unanimidade burra na nossa imprensa…

    Pode dar a desculpa que for, o “erramos” que quiser: confiança a gente não pede; eventualmente recebe e só se fizer por merecer. E nenhuma dessas empresas – OESP, Folha, Globo etc. – faz senão jogar o próprio nome na lata do lixo.

    Muito, mais muito agradecido, GGN!

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