Em 1999, Veja publicava contratos irregulares da Petrobras com Efromovich

 
Jornal GGN – Em dezembro de 1999, a Veja publicava uma reportagem contando como crescia o patrimônio empresarial de Germán Efromovich. Posteriormente veio a criar a OceanAir, transformá-la na Avianca, e angariar para o seu rol empresas do setor de petróleo, energia, aviação e construção naval. Mas em 1995, Efromovich fez sua pequena empresa Marítima, então responsável por verificar equipamentos de companhias marítimas colocando mergulhadores no fundo do mar, na empresa agora líder do grupo Synergy. 
 
O meio: vencendo quase todas as concorrências da Petrobras, sem cumprir contratos, sem ter os requisitos necessários, mentindo ter as condições, mantendo-se inadimplente e com a ajuda de seu amigo pessoal Antônio Carlos Agostini, que veio a se tornar superintendente de Engenharia da Petrobras, justo quando Efromovich venceu uma licitação de 720 milhões de dólares.
 
Hoje, a Petrobras é investigada por contratos irregulares desde 1999; os irmãos José e Germán Efromovich multiplicam seus lucros, e a Veja divulga a corrupção da Petrobras a partir de 2003.
 
Leia a reportagem de 1999:
 
 
Como a pequena Marítima ganhou quase todas as concorrências da gigante Petrobras
 
Até o final de 1994, o empresário German Efromovich era dono de uma empresa de pequeno porte que prestava serviços de manutenção submarina na área de petróleo, a Marítima. Seu trabalho era colocar mergulhadores no fundo do mar para verificar se os equipamentos das companhias para as quais prestava serviço estavam em ordem. Nessa época, a empresa funcionava numa casa ao pé de uma favela num subúrbio do Rio de Janeiro. Até aí, tudo normal. O que causou estranheza mesmo foi o fato de, menos de um ano depois, a insignificante Marítima, cujo patrimônio não chegava a 1 milhão de dólares, começar a ganhar quase todas as concorrências da Petrobras para a construção de plataformas de perfuração e exploração de petróleo. Uma área em que Efromovich não possuía a mínima experiência e que envolvia contratos superiores a 2 bilhões de dólares.
 
Essa façanha empresarial seria digna de figurar no livro de recordes. Mas a Marítima não conseguiu fazer mais nada direito a partir daí. Começou a descumprir todos os contratos, sempre contando com a vista grossa de quem deveria ser rigoroso com ela, a Petrobras. Entre os contratos estava o da superplataforma P-36, a maior do mundo, que chegou ao país há alguns dias, com um atraso de quatro meses. Pior: a P-36 só ficou pronta depois de a Petrobras ter sido obrigada a desembolsar 45 milhões de dólares, porque a Marítima não cumpriu sua parte no contrato. Se não fizesse isso, a plataforma só entraria em operação no final do ano que vem – e cada dia de atraso custa muito dinheiro, já que se inviabilizam todas as metas de produção de petróleo.
 
As proezas de Efromovich começaram a ser notadas no final de 1995, alguns meses após o superintendente de Engenharia da Petrobras, Antônio Carlos Agostini, ser promovido a diretor da área de exploração e produção da companhia. Agostini era conhecido de longa data de Efromovich. Nessa época, a Petrobras decidiu abrir concorrência para a construção de duas plataformas de produção de petróleo. O edital de licitação trazia, no entanto, uma cláusula que todos os participantes diziam ser impossível de cumprir: prazo de dezoito meses para a plataforma entrar em operação. Mas a Petrobras, então presidida por Joel Rennó, manteve-se irredutível alegando que havia empresas que se diziam capazes de cumprir o prazo. Essas “empresas” a que a Petrobras se referia era apenas uma – a Marítima. Para surpresa do mercado, foi ela a vencedora da concorrência de um contrato de 720 milhões de dólares. O que aconteceu a partir daí foi uma sucessão de absurdos. A Marítima não tinha projeto nem estaleiro contratado para a execução da obra e tampouco financiamento. Mas a Petrobras pareceu não se importar muito. Em 1997, a estatal fez nova concorrência e declarou vencedora a inadimplente Marítima.
 
A tendência de Efromovich, de 49 anos, para o blefe sempre pautou sua vida profissional. Quando sua empresa ainda estava começando, ele costumava impressionar os potenciais clientes marcando reuniões no Hotel Sheraton, um cinco-estrelas carioca. Na verdade, por causa do dinheiro curto, ele se hospedava em hotéis baratos na zona de boemia do Rio. Pegava o ônibus duas horas antes do encontro, atravessava toda a Zona Sul da cidade para chegar ao hotel e dar a impressão de que estava hospedado ali. Seu pulo-do-gato, porém, foi com a Petrobras. A companhia pediu que ele fizesse a manutenção de uma plataforma em 1988 e perguntou a Efromovich se o barco que ele possuía tinha condições de fazer o serviço. Efromovich não pestanejou. Disse que sim. Era mentira. Fez, no entanto, das tripas coração para adaptar seu barco ao serviço, comprometendo-se a trabalhar três anos de graça para um estaleiro que concordou em fazer a adaptação. Agora, pode estar chegando ao fim a era de Efromovich na estatal. A Petrobras se prepara para cancelar o restante dos contratos que estourarem o prazo combinado. “A Petrobras está sendo injusta”, afirma o empresário, um boliviano de forte sotaque, naturalizado brasileiro.
 

21 comentários

  1. Pena de morte

    A todos que comentaram acima… meu único desejo era um plebiscito para pena de morte para corruptos… apenas isso.. não iríamos mais discutir quem roubou quem… está na cara que o José efromovich subiu do nada, já trabalhei em uma empresa do grupo, a sede era na rua Carlos Weber em uma casa velha… isso em meados de 1990.. agora tem um prédio de 7 andares que é a atual sede na rua columbus.. 

    Só não entendo porque o Sr. José Efromovich ainda anda até hoje com o seu versailles 1995 vinho… 

+ comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome