Globo desmoraliza combate aos abusos no caso Garotinho

O Globo mostra que o uso do cachimbo entorta a boca, e continua praticando o direito penal do inimigo.

Confira o paradoxo.

Têm-se, de um lado, a imprensa combatendo as ameaças ao estado de direito, às arbitrariedades, à truculência, às ameaças aos direitos representadas por Bolsonaro.

Mas O Globo mostra que o uso do cachimbo entorta a boca, e continua praticando o direito penal do inimigo.

O grupo tem rixa histórica com o ex-governador Garotinho. Nos últimos tempos, Garotinho foi alvo de quatro prisões preventivas. Ele tem, entre seus adversários, a própria Globo e o desembargador Luiz Zveiter, de ampla influência sobre a Justiça no Rio, cujo escritório de advocacia da família atende o grupo Globo.

É evidente que quatro prisões preventivas sucessivas configuram perseguição política, atropela qualquer princípio justificador das prisões.

O casal Garotinho consegue um habeas corpus do desembargador Siro Darlan, conhecido no Rio por suas posições garantistas e por suas críticas às mordomias do Tribunal de Justiça do Rio. O que faz O Globo? Imediatamente providenciar uma reportagem com ataques a Siro. Toda vez que Siro toma uma medida que contraria o império, é alvo da mesma reportagem.

Pergunto: não é de uma extraordinária burrice estratégica recorrer aos instrumentos de abuso da imprensa em um momento em que se combate os instrumentos de abuso do Executivo e que as próprias prerrogativas da imprensa estão sob ameaça?

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