25 de junho de 2026

Entre versões e interesses: o caso Amanda Ungaro e a disputa pela narrativa

O caso não é apenas uma disputa judicial ou familiar. É um exemplo contemporâneo de como conflitos privados se tornam espetáculos globais
Amanda Ungaro - Reprodução

Amanda Ungaro foi presa nos EUA por fraude, solicitou sua própria deportação e firmou acordo judicial sobre guarda do filho.
Conflitos surgiram após mudança ao Brasil, com divergências sobre residência e acusações de abuso materno.
Caso ganhou repercussão internacional com acusações contra Melania Trump e Paolo Zampolli, gerando disputa de versões.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O caso envolvendo Amanda Ungaro expõe um daqueles enredos em que justiça, mídia e disputas pessoais se entrelaçam a ponto de tornar difícil separar fato de versão. O que emerge, ao organizar os episódios, não é apenas uma disputa familiar — mas um conflito ampliado, com ramificações internacionais e forte disputa de narrativa.

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1. Prisão, deportação e o ponto de inflexão

A trajetória recente de Amanda começa nos Estados Unidos, onde vivia em situação migratória irregular. Após ser presa em Miami por acusações de exercício ilegal da profissão e fraude, foi transferida para a custódia do sistema de imigração (ICE).

Um ponto central — e frequentemente distorcido no debate público — é que a deportação não teria sido imposta, mas solicitada pela própria Amanda durante audiência, ainda em 2025.

Esse detalhe altera significativamente a leitura posterior de perseguição ou manobra externa.

Poucos meses depois, já fora dos EUA, ocorre um movimento inesperado:
um acordo judicial firmado na Suprema Corte de Nova York estabelece:

  • guarda compartilhada do filho
  • residência da criança no Brasil (Londrina)
  • pagamento de valores expressivos:
    • cerca de US$ 100 mil em atrasados
    • pensão mensal entre US$ 3.500 e US$ 4.000
    • cobertura de escola, saúde e despesas adicionais

O acordo sugere, naquele momento, uma tentativa de estabilização da disputa.

2. O acordo que não se sustenta

A aparente pacificação dura pouco.

Após a mudança para o Brasil, surgem conflitos sobre o cumprimento do acordo:

  • divergência sobre o local de residência (Londrina vs. Rio de Janeiro)
  • tensões familiares envolvendo o filho
  • acusações de comportamento abusivo por parte da mãe

Segundo relatos, o ambiente doméstico teria se deteriorado, culminando em um episódio emblemático: o filho, adolescente, teria deixado o país sozinho rumo aos Estados Unidos, utilizando milhas aéreas próprias e relatando, em vídeo, os motivos da decisão.

Esse episódio desloca o eixo da disputa: de jurídico para psicológico e familiar.

3. A explosão pública e a guerra de versões

A partir de dezembro de 2025, o caso ganha uma dimensão pública explosiva.

Com o ressurgimento de temas ligados ao escândalo Epstein, Amanda passa a fazer acusações graves em redes sociais e entrevistas, envolvendo figuras internacionais como:

  • Melania Trump
  • Paolo Zampolli, com quem foi casada por 17 anos.

As alegações incluem intermediação de mulheres para Jeffrey Epstein. De fato, aos 17 anos, Amanda rumou para os Estados Unidos no Lolita Express, o jato de Epstein. Lá, ela conhece e se torna amiga de Melanie, futura senhora Trump. A mãe de Amanda é dona de cartório em Londrina, e goza de situação econômica de bom nível.

Do outro lado, há reação imediata: negativas públicas, ameaça de ações judiciais e histórico de vitórias judiciais em casos de difamação

A disputa deixa de ser apenas pessoal e passa a ser uma batalha por credibilidade internacional.

4. O papel da mídia: fato ou espetáculo?

Talvez o aspecto mais revelador do caso não esteja nos fatos em si, mas na forma como são consumidos.

A imprensa privilegia a versão mais explosiva — mesmo quando há inconsistências verificáveis.

Exemplo central:

  • a narrativa de “deportação forçada” ganha mais tração do que o registro de que a própria Amanda teria solicitado o retorno ao Brasil
  • acusações sem comprovação circulam com mais velocidade do que reconstruções documentais

5. Personagens e zonas cinzentas

O caso envolve uma rede de personagens que ampliam sua complexidade.

O primeiro deles é Paolo Zampolli — ex-companheiro e figura central nas disputas. Esteve no Brasil, montou uma agência de modelos, é filho de família tradicional da Itália, arrogante até o limite. Mas quem esteve com ele sustenta que não teria vocação para seguir Epstein.

Em sua estadia em hotel brasileiro, Zampolli conheceu um motorista, especializado em condução para hóspedes estrangeiros. Acabou levando para os Estados Unidos e montando empresa para ele.

O caso Amanda Ungaro não é apenas uma disputa judicial ou familiar. É um exemplo contemporâneo de como conflitos privados se tornam espetáculos globais, versões competem mais do que fatos e a verdade passa a depender menos de documentos e mais de quem consegue impor sua narrativa

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. AMBAR

    27 de abril de 2026 5:55 pm

    Interessante. Como é que essa senhora ficou casada com o ítalo-americano nos estados unidos por 17 anos, teve filhos com ele e ainda estava em situação irregular? Será que não deu tempo de regularizar?
    Outra questão curiosa é de como ela conseguiu conviver por 17 anos com aquele elemento de aparência sinistra e ainda fazer filhos com ele?
    Sobre a fama das brasileiras nos isteitis, é de se notar que os gringos sofrem muito nas mãos delas, sim, mas nem por isso deixam de aprecia-las. Enquanto as deslumbradas procurarem o pote de ouro no fim do arco-íris americano e os assanhados americano quiserem as “brasileiras gostosas e liberais”, as coisas continuarão acontecendo.

  2. Iracema

    28 de abril de 2026 12:58 pm

    O que mais me choca na mídia progressista é que há um discurso de verdade e justiça para tudo, menos para as mulheres. In dependente do que esta senhora seja, o que o brutamontes italiano falou em entrevista pra todo mundo ouvir foi absurdo, humilhante para todas as brasileiras. E o que os homens brasileiros fazem? Correm em defesa do brother….pode cometer violência doméstica, assédio de todo tipo, feminicídio…mesmo com provas contra o agressor, a mulher vai ser desacreditada, difamada e cancelada. O patriarcado está mais forte do que nunca!!!

  3. Eliete Rodrigues

    30 de abril de 2026 5:37 am

    Como um menor de idade compra passagem e voa para os USA? Essa premissa não pode ser verdadeira.

    1. ELOISA BARBOSA CARDOSO

      30 de abril de 2026 8:36 am

      Quando há autorização expressa no passaporte autorizando a viajar desacompanhado. Isso ocorre muito na Europa e EUA em razão de excursões da escola e pela autonomia que os jovens ao trabalhar e ter o próprio dinheiro. No Brasil tmb é possível, desde que conste essa autorização feita em cartório e levada para o Policía Federal quando se faz o passaporte para menores (a autorização fica registrada no passaporte), dispensando qualquer outra.

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