O dia em que a Globo foi salva pelo BNDES

Em 2002 fui procurado por Fernando Gentil, diretor do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Gentil me tomou quase uma hora de conversa para expor o projeto de capitalização da Globocabo pelo BNDES. A empresa estava literalmente quebrada, sem conseguir honrar seus compromissos com financiamentos externos. A geração de caixa não cobria sequer o serviço da dívida. Sua dívida era de R$ 1,6 bilhão e precisaria rolar anualmente de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões.

O BNDES detinha 4% do seu capital. A proposta era elevar a participação para poder salvar a empresa. A proposta parecia razoável. Sem a capitalização, a Globocabo fecharia e o banco perderia o dinheiro investido.

Na época, ainda havia relativa competição na mídia e alguns colunistas tinham independência inclusive para fiscalizar abusos de outros veículos de mídia. Por isso tinha sido procurado por ele para explicar antecipadamente a operação.

Sem condições de analisar mais profundamente, julguei razoável a ideia de capitalizar a empresa para posterior venda, para evitar a perda total dos ativos. Disse-lhe que, da minha parte, achava razoável a capitalização (http://migre.me/qjUqo)

Deve ter procurado outros colunistas independentes. O fato é que houve uma megacapitalização que elevou para 22,1% a participação do BNDES na empresa, salvando a empresa.

Tempos depois, ela foi vendida para o bilionário mexicano Carlos Slim, tirando a Globo do sufoco.

Não foi a primeira vez que a Globo se aventurou em outros territórios, valendo-se de sua influência política.

No governo Sarney, ganhou a NEC de graça, em uma barganha com Antônio Carlos Magalhães, Ministro das Comunicações, em troca de passar para ela a concessão da emissora na Bahia. E com o valioso auxílio da Veja, ajudando a crucificar Garnero.

No governo Collor, quando as teles caminhavam para a digitalização, foram tentadas duas jogadas para viabilizar a NEC.

No Rio, a Telerj, presidida por Eduardo Cunha, tentou impor os equipamentos da NEC na implantação do serviço celular. O inacreditável Ministro da Infraestrutura João Santana tentou fazer o mesmo junto à Telesp.

Colunista da Folha, Jânio de Freitas ajudou a bloquear a jogada da Telerj. Também colunista do jornal, tive papel no bloqueio da jogada da Telesp.

A jogada de ambos consistia em uma pré-seleção de cinco empresas que tivessem equipamentos compatíveis. Depois, caberia a eles selecionar a vencedora.

Jânio escreveu uma coluna pesada contra a manobra de Cunha, e eu outra coluna denunciando a jogada de João Santana.

Uma semana depois Santana me chamou a Brasília. Entrei na sua sala e ele pediu para o chefe de gabinete entrar e me estendeu uma nova minuta:

–       Mudamos o edital. Veja o que acha deste novo.

Disse-lhe que não era consultor de governo. Ele que divulgasse a nova minuta, eu consultaria minhas fontes e apresentaria minha opinião através do jornal. 

Essa capacidade de auto-regulação da imprensa acabou com a gradativa aproximação dos grupos de mídia, associando-se e, depois de 2005, montando o grande pacto.

A partir daí, houve ampla liberdade e quase nenhuma transparência para os negócios públicos e privados.

19 Comentários

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adolfo donizetti

- 2018-10-10 18:24:55

globomontecarlo FHC bndes

a Globo faliu e, 1994 e FHC com meu dinheiro,aliás nosso,deu uma forcinha mega master plus advanced pros cariocas tipo Lula e seu PT pro rapaz da carne recentemente com 11 bi.

Paulo Gama

- 2017-05-29 23:48:11

Acreditar em uma mulher que

Acreditar em uma mulher que não sabe quem é o pai biológico do filho, filho esse, que tem horror dela. É meio complicado, né?

joão adalberto

- 2015-06-19 13:04:32

Dura na queda

Desde os tempos do O Pasquim (início da década de 1970)  que  a Globo é bombardeada com petardos disparados pela impresa de esquerda, com efeitos desvastadores de estilingues nucleares.

MAureli

- 2015-06-19 10:35:48

Exatamente...eu trabalhava na

Exatamente...eu trabalhava na EMBRATEL no Departamento de Contratos de Telefonia e todos os pagamentos dos contratos da NEC foram bloqueados, por determinação do Minicom, sufocando a empresa que, pouco tempo depois, passou para o controle da Groubo.

Marcos Antônio

- 2015-06-18 23:24:47

Tenho que tirar o Chapeu para

Tenho que tirar o Chapeu para a Globo!

Um sócio da globo está DEMOLINDO A FIFA junto com outros corruptos que se arrependeram diante do FBI e justiça americana.

Confessou que pagou propina, mas quem levou vantagens sobre este negócio?

Foi que transmitiu com EXCLUSIVIDADE!

O que falta o FBI falar é quanto a globo está envolvida ou se fez algum acordo com a justiça!

Um parceiro da globo está ZELOTES, cadê notícias da Zelotes..

Forçou a barra no mensalão que só foi o que foi por que ela quiz...

E o mensalão do PSDB? Ela NEM LEMBRA...

E os cartolas querem dinheiro para o Futebol SEM CONTRAPARTIDA?

Yacov

- 2015-06-18 18:52:48

      E essa história de

 

 

 

E essa história de exigir ÈTICA do OUTROS quando não se tem nenhuma, e apontar o dedo sujo para o rabo do outro quando se está sentado em cima de um rabo quilométrico é pior ainda !!!

 

"O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÂO & GOLPES - O que passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO & GOLPES é um braZil-Zil-Zil para TOLOS"

 

Wsobrinho

- 2015-06-18 15:03:53

Expertos foram os tucanos, aparelharam tudo que até hoje mandam

TIJOLAÇO: QUEM É O SANTO DO TCU QUE QUER APONTAR PECADOS EM DILMA

:

 

Ministro Augusto Nardes, que ameaça rejeitar as contas da presidente Dilma Rousseff no TCU, teve sua nomeação no órgão devido “à inobservância do requisito constitucional da reputação ilibada e idoneidade moral”; Nardes respondia ao Inquérito 1827-9 - crime eleitoral, peculato e concussão, doação de campanha eleitoral

 

18 DE JUNHO DE 2015 ÀS 05:16

 

 

Por Fernando Brito

O Brasil é um país curioso, porque o passado é lembrado ou esquecido seletivamente.

Por exemplo: quando Severino Cavalcanti elegeu Augusto Nardes – deputado pela Arena e suas sucessivas reencarnações – para uma vaga destinada à Câmara no Tribunal de Contas, o então presidente do órgão, Adylson Motta escreveu ao presidente Lula pedindo que não sancionasse a nomeação devido “à inobservância do requisito constitucional da reputação ilibada e idoneidade moral”.

Nardes era processado – respondia ao Inquérito 1827-9 – crime eleitoral, peculato e concussão, doação de campanha eleitoral, segundo a publicação “No banco dos réus”, do site Congresso em Foco – pelos quais alguma alma caridosa le fez um “desconto” para pagar mil reais e fazer palestras em escolas públicas, o que, segundo a “prestigiosa” revista Veja, que publico acima, foi uma “malandragem”.

Lula o nomeou, porque a vaga pertencia à Câmara e a Câmara o escolheu.

Curioso é que, nove anos depois, Nardes pegou emprestado os argumentos que usaram contra ele e, já na Presidência do TCU, ameaçou vetar a posse do senador Gim Argelo por falta de “reputação ilibada e idoneidade moral”. De novo, minha fonte é a revista Veja, onde, aliás, o moralíssimo Ricardo Setti o saudou entusiasticamente dizendo que, ainda bem, existem homens como Nardes, “com vergonha na cara”.

Agora, Nardes – redimido pela mídia – assume uma postura agressiva como jamais se viu no TCU, sob completa cumplicidade dos veículos de comunicação, sem que um único deles aponte e recorde quem é este senhor.

A Folha chega a dizer que os “Ministros temem desmoralização do TCU ao julgar contas de Dilma“. Ora, quem teme desmoralização tem um presidente da corte que foi acusado de crime eleitoral, peculato e concussão, doação de campanha eleitoral e se acertou com uma multa e algumas palestras como pena alternativa?

O Brasil virou o país onde o cinismo é virtude, a hipocrisia é a verdade e a imprensa transforma em vestais as figuras mais sombrias, desde que isso ajude a derrubar o governo que – absurdo! – foi eleito pelo voto popular.

Se para isso precisam esquecer – como disse FHC – que escreveram, pouco se lhes dá.

Afinal, nessa história de ausência de reputação ilibada e idoneidade moral a mídia brasileira não é melhor que os personagens desta história.

   

 

 

Geraldo de Carvalho Jr

- 2015-06-18 12:54:08

Essa mania de justificar um

Essa mania de justificar um erro apontando outro  do adversário é uma grande idiotice. A visão distorcida do PT e PSDB e o radicalismo da direita raivosa arruinarão o Brasil. Precisamos de bom senso, esquecer a luta pelo poder e pensar no país.

Gustavo Horta

- 2015-06-17 22:16:05

Comer, se lambuzar e se fartar
Já comeram e se lambuzaram.Já obtiveram todas as benesses em outros tempos e agora querem posar de vestais de honestidade.GBOBO Gboebbels, quem não te conhece que te compre.Cambada de cretinos, canalhas e covardes.

Calvin

- 2015-06-17 20:42:03

E como o BNDES salvou as empreiteiras?

BNDES não. Nós!

Principalmente as da Lava-jato. Conta, conta...

Mauro Doria

- 2015-06-17 20:04:51

você acertou na mosca!

Exatamente, a Globo e demais membros da grande mídia, apostam que o público é incapaz de correlacionar eventos. Por isto apresentam as notícias como se não tivéssemos memória. Em resumo apostam na burrice alheia o que para mim parece ser o suicídio de um meio de comunicação.

Sérgio Rodrigues

- 2015-06-17 16:33:56

Sempre assim...

A globo aposta na falta de memória dos brasileiros. Só que não é mais assim, os tempos mudaram e ela ainda não entendeu....Vai se ferrrando cada vez mais!...

Trunfim

- 2015-06-17 15:00:05

GOVERNOS LULA E DILMA também forneceram

bolsa-auxílio para os Bancos Votorantim, PanAmericano, pros Governos Tucanos de São Paulo ao comprar o Banco Nossa Caixa - Nosso Banco.  Para os Governos Tucanos de SP podemos usar a frase que Delfim Neto usou para explicar Governos FHC: "o FHC vendeu as joias da família e aumentou a dívida da família"

Eme Gómez

- 2015-06-17 12:40:04

 Seu Daniel Quireza,
 

Seu Daniel Quireza, esqueceste de tomar o remédio certo? Está aí embaixo, uma das heranças malditas do maldito do FHC. Mas essa esculhambação aí ainda é café pequeno na frente da "Privataria".

A batalha do Proer não acabou, 20 anos depois

JOÃO VILLAVERDE

29 Abril 2015 | 08:45

 

Vinte anos após o polêmico programa que injetou dinheiro público em 7 bancos privados que quebraram, a batalha continua. Três bancos ainda devem quase R$ 30 bilhões ao governo. Documentos inéditos revelam parte importante de uma história viva do País:

DanielQuireza

- 2015-06-17 11:43:09

No Governo FHC houve ajuda à

No Governo FHC houve ajuda à Globo.

Nos Governos Lula e Dilma houve ajuda à JBS e ao Eike Batista. No Governo Dilma houve ajuda  á Silvio Santos.

O que os Governos, precisam, sempre, é de mais transparência.

Interessante que no caso SS, nem a imprensa, que é sempre foi toda contra o Governo Dilma explorou a manobra para ajudá-lo. Lembro-me que eu e algum outro comentarista aqui que apontou os abusos. A maioria foi a favor.

 

 

Jorge Viana

- 2015-06-17 04:31:39

Roupa de presidiário

Então não foi só a partir do governo Lula que a Veja passou a manipular manchetes de capa? Que inocência a minha!

taturanous

- 2015-06-17 02:21:53

que o diga

toninho malvadeza ne  sr nassif

romério rômulo

- 2015-06-17 01:55:35

grande, Nassif!

lembrados estes fatos, GLOBO, FHC, Eduardo Cunha e outros devem botar a viola no saco.

existem ainda umas estranhezas sobre a NEC destes tempos.

romério

josias favacho

- 2015-06-17 01:40:38

CADÊ A NEC?

Nassif, explica pra moçada que aquela jogada da compra da Nec passou pelo enxovalhamento do antigo dono, Mario Garnero, com direito a boicote aos pagamentos pelo Ministério das Comunicações (ACM) e capa da Veja com Garnero de roupa de presidiário. Teus leitores merecem a verdade completa.

Josias Favacho 

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