O jornalismo que mata

Contei esse episódio no meu livro “O Jornalismo dos anos 90”.

A Santa Casa de Poços de Caldas criou um grupo de transplante de rins. Ao longo de anos, foram operadas mais de 200 pessoas, todas pelo SUS, uma apenas pelo plano de saúde do Banco do Brasil.

Em 2000 ocorreu um episódio trágico. Um menino caiu do terceiro andar de um prédio. O pai o levou até um hospital particular, onde o menino ficou internado na UTI. Quando ocorreu a morte cerebral, aceitou doar os órgãos para transplante. O corpo foi transladado para a Santa Casa.

Aí o hospital particular decidiu cobrar do pai não apenas a internação como até o custo do transporte do corpo para a Santa Casa.

Valendo-se da Internet, o pai sujeito deu início a uma campanha impiedosa e desequilibrada contra os médicos da Santa Casa. O caso foi parar no “Fantástico” que, com uma reportagem sensacionalista, irresponsável, acabou de acender a pira que liquidou com o grupo de transplante da Santa Casa -pouco tempo antes, o próprio “Fantástico”  quase liquidou com a obra portentosa do Dr. Pasquini e seu grupo de transplante de Curitiba, apelando para outra reportagem manipulada. A repórter contou com o endosso de um secretário do Ministério da Saúde.

Com a repercussão, promotores da cidade investiram com gana sobre a Santa Casa e a equipe médica. A Santa Casa acabou descredenciada do SUS. Agora, toda a cidade está empenhada em conseguir o recadastramento.

Estima-se que, nesse período, morreram na região cerca de 200 pessoas que necessitavam de transplante de rins.

Clique aqui para um histórico dessas reportagens médicas. O caso em questão está nja página 145.

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