Por Maria Rita
Comentário do post “O recado do Governo Federal foi dado a Civita, dono da Abril“
A mesma imprensa de sempre desde que o Brasil é Brasil. Nos meus guardados encontrei uma folha amarelada de 16 de outubro de 1968. Um artigo assinado por Dilson Ribeiro falava do Globo e de seus jornalistas. Um trechinho para recordar: “Um vespertino carioca, onde se refugiam as penas mais venenosas e vendidas do país, resolveu dar cobertura aos facínoras, que tentam destruir com sangue o impulso transformador dos nossos jovens . Trata-se de uma tarefa inglória, mas com livre trânsito nos círculos oficiais, que vêem no arbítrio um recurso válido de sustentação do poder. A grande arma desses escribas ainda é a mentira e a distorção sistemática dos fatos.”
O texto falava da rebelião do movimento estudantil e a reunião em Ibiuna/SP. Mais um trechinho esclarecedor para justificar a tese de que os jovens brasileiros queriam transformar o país num regime da era stalinista.” (,,,) o jornal do sr. Roberto Marinho citou uma obra do escritor soviético, Alexandre Soljenitsyn em que os crimes do tirano bolchevista são retratados com indiscutível talento”. O autor mostrava a incoerência desse raciocínio global com a realidade das perseguições políticas, a falta de garantias individuais que afetavam até o direito à reunião. Finalizava o artigo com o outro lado da história, a autêntica luta pela democracia em que os estudantes “não sejam tratados como criminosos, o Congresso Nacional não se trasnforme num clube de eunucos e o Poder Judiciário num aglomerado de vestais corrompidos, que se apavoram e obedecem o toque das cornetas marciais”.
Trocando o impulso transformador dos jovens pelo impulso transformador de um presidente operário, os quartéis pelas redações e o toque das cornetas pelos holofotes das celebridades,teremos a base da farsa golpista. O mote de hoje é a recuperação daquele poder, daquele mesmo, ditatorial, onde o medo impera, de forma direta sem a intermediação das Forças Armadas, mais ainda, sem a sombra do povo que elegeu e ainda escuta o presidente mais popular dos últimos tempos. Vejam os ingredientes: criminalizam a política (mas predominantemente os políticos do PT), trabalham com boatos, especulações, mentiras e distorções dos fatos e fazem as regras de um julgamento que será sim, lembrado pela história, por uma outra história que está sendo escrita nas redes sociais.
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