4 de junho de 2026

O uso indevido dos meios de comunicação

Por Maria Rita

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Comentário do post “O recado do Governo Federal foi dado a Civita, dono da Abril

A mesma imprensa de sempre desde que o Brasil é Brasil. Nos meus guardados encontrei uma folha amarelada de 16 de outubro de 1968. Um artigo assinado por Dilson Ribeiro falava do Globo e de seus jornalistas. Um trechinho para recordar: “Um vespertino carioca, onde se refugiam as penas mais venenosas e vendidas do país, resolveu dar cobertura aos facínoras, que tentam destruir com sangue o impulso transformador dos nossos jovens . Trata-se de uma tarefa inglória, mas com livre trânsito nos círculos oficiais, que vêem no arbítrio um recurso válido de sustentação do poder. A grande arma desses escribas ainda é a mentira e a distorção sistemática dos fatos.”

O texto falava da rebelião do movimento estudantil e a reunião em Ibiuna/SP. Mais um trechinho esclarecedor para justificar a tese de que os jovens brasileiros queriam transformar o país num regime da era stalinista.” (,,,) o jornal do sr. Roberto Marinho citou uma obra do escritor soviético, Alexandre Soljenitsyn em que os crimes do tirano bolchevista são retratados com indiscutível talento”. O autor mostrava a incoerência desse raciocínio global com a realidade das perseguições políticas, a falta de garantias individuais que afetavam até o direito à reunião. Finalizava o artigo com o outro lado da história, a autêntica luta pela democracia em que os estudantes “não sejam tratados como criminosos, o Congresso Nacional não se trasnforme num clube de eunucos e o Poder Judiciário num aglomerado de vestais corrompidos, que se apavoram e obedecem o toque das cornetas marciais”.

Trocando o impulso transformador dos jovens pelo impulso transformador de um presidente operário, os quartéis pelas redações e o toque das cornetas pelos holofotes das celebridades,teremos a base da farsa golpista. O mote de hoje é a recuperação daquele poder, daquele mesmo, ditatorial, onde o medo impera, de forma direta sem a intermediação das Forças Armadas, mais ainda, sem a sombra do povo que elegeu e ainda escuta o presidente mais popular dos últimos tempos. Vejam os ingredientes: criminalizam a política (mas predominantemente os políticos do PT), trabalham com boatos, especulações, mentiras e distorções dos fatos e fazem as regras de um julgamento que será sim, lembrado pela história, por uma outra história que está sendo escrita nas redes sociais.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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