Onde está o lobby da mulher de Pimentel no caso Casino?

Mais uma vez, jornal dá espaço às suspeita da PF sobre as atividades da empresa de comunicação de Carolina Pimentel. Fala-se em “recebimento indevido” por lobby junto ao BNDES. Mas lobby para quem? Por qual contrato? De que valor?

Jornal GGN – Seguida por outros veículos, mais uma vez a Folha de S. Paulo publica reportagem abordando suspeitas da Polícia Federal acerca das atividades da jornalista e primeira-dama de Minas Gerais, Carolina Pimentel, esposa do governador Fernando Pimentel (PT), envolvendo o grupo francês de varejo Casino, controlador do Pão de Açúcar.

Nesta quarta-feira (14), o jornal deu espaço às dúvidas lançadas sobre um contrato de R$ 8 milhões firmado entre duas empresas do setor privado: o Casino e a MR Consultoria, do jornalista Mário Rosa, classificado pelo próprio periódico como “um dos mais ativos consultores de imagem e ‘gerenciadores de crise’ de políticos e empresas” das últimas duas décadas.

Na visão da PF, por trás da relação profissional entre a MR e o Casino estariam “pagamentos indevidos” feitos à empresa de Caroline, a Oli Comunicação. A tese é que a jornalista teria usado sua “influência no BNDES” para destravar verbas para grupos empresariais que, por meio de outras empresas de comunicação, contratavam seus serviços como forma de maquiar o pagamento pelo “lobby”.

A questão é que não está claro na “nova denúncia” da PF quais empresas teriam sido favorecidas pelo suposto lobby da esposa de Pimentel junto ao BNDES. E não é a primeira vez que isso acontece.

A informação de que o contrato entre Oli e MR Consultoria está na mira da PF já é requentada, circula há pelo menos quatro meses pelas páginas dos grandes jornais, sem detalhamento. Dessa vez, a Folha “apurou” que a empresa de Carolina recebeu o total de R$ 2,98 milhões da MR entre 2012 e 2014, “relativos ao contrato com o Casino”, mas não entrou no mérito dos serviços prestados.

A PF especulou que “Mário Rosa [da MR] tenha ‘contratado’ Carolina para facilitar o lobby que teria feito junto ao Ministério do Desenvolvimento/BNDES, para obter o benefício solicitado ao Casino”. A jornalista assessorou a presidência do BNDES entre fevereiro e dezembro de 2011. Pimentel ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio entre 2011 e 2014.

Folha inseriu as “novas suspeitas” dos agentes federais no contexto da tentativa de fusão entre o Pão de Açúcar (Casino) e o Carrefour (rival do varejo Casino na França), em 2011, com possibilidade de investimentos do BNDES. Mas o acordo não foi para frente e o próprio banco desistiu da operação.

Pela lógica da PF reportada pela Folha, o Casino (controlador do Pão de Açúcar) efetuou pagamentos à MR Consultoria por serviços de comunicação e a MR, por sua vez, subcontratou e pagou os serviços da empresa de Carolina Oliveira por uma transação que não ocorreu. Se não houve fusão nem repasse do BNDES, uma das pontas da tese de lobby fica solta.

No texto truncado da Folha, tornando nebulosas as atividades de Oli, não há esclarecimentos sobre como a PF fundamentou as suspeitas no caso que envolve o Casino, a MR e o BNDES. O Casino, aliás, informou que só contratou a MR um ano após a tentativa de fusão com o Carrefour ter minguado. Logo, “não faz sentido [o Casino] ser colocado sob suspeita de ter buscado benesses no governo.”

A defesa de Carolina afirmou que ela auxiliou Mário Rosa em “gestão de crise” e que serão apresentadas à Justiça provas da afirmação, como “e-mails demonstrando que trabalhou para esses clientes e trabalhou bastante. Nem ela nem Pimentel tinham qualquer ingerência sobre decisões do BNDES.”

O caso Pepper

Em junho passado, além de citar esse caso relacionado ao Casino, a Folha noticiou que outra empresa teria servido de ponte para que recursos do BNDES chegassem à empresa de Carolina. A Pepper Comunicação Interativa, agência que cuidou das redes sociais da presidente Dilma Rousseff e do PT em disputas eleitorais, teria intermediado os repasses. Neste caso, a PF ofereceu alguns detalhes.

Em agosto, a revista Época divulgou que a Pepper havia firmado um contrato sob suspeita com a Queiroz Galvão, em 2012. Com ajuda do BNDES, a empreiteira encampou negócios em Angola, naquele ano – que coincide com a passagem de Pimentel pelo Ministério do Desenvolvimento e, por tabela, pela presidência do Conselho de Administração do banco público.

Pimentel na mira

A teoria da PF é que Pimentel recebeu vantagem indevida da Queiroz Galvão por ter ajudado a liberar as verbas para as obras em Angola. Por meio da Pepper, a companhia fez pagamentos por serviços contratados junto à empresa de Carolina.

Para Pimentel, as investidas da PF são sem fundamento e abusivas. O governador, que tem foro privilegiado, conseguiu levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça, já que é classificado pelos investigadores da Operação Acrônimo como beneficiário final de um suposto esquema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro instaurado no BNDES.

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