Paulo Hartung fala do “sucesso capixaba” com Miriam Leitão

Paulo Hartung fala do “sucesso capixaba” com Miriam Leitão

por Vitor de Angelo

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Acabo de assistir à entrevista do governador Paulo Hartung à jornalista Miriam Leitão, na Globo News. Algumas impressões, de momento, do que eu vi.

1. A entrevista teve dois momentos muito claros. No primeiro, obviamente, tratou-se da crise da segurança pública no Espírito Santo. No segundo, o entrevistado passou às questões nacionais, tanto em relação à área de segurança pública como, principalmente, à econômica – ajuste fiscal, gestão pública, modelo de Estado, relação com a sociedade, etc. Nas duas partes, foi uma entrevista “chapa branca”, até mesmo pelo alinhamento ideológico entre entrevistado e entrevistadora, que o ajudou na sua projeção recente junto à mídia brasileira como exemplo de enfrentamento da crise econômica. Em nenhum momento Paulo Hartung foi mais incisivamente questionado. A única exceção foi quando Miriam Leitão perguntou se ele não teria ido longe demais no ajuste.

2. Como num jogo, o governador dobrou a aposta. Repetiu a mesmas palavras e expressões – “chantagem”, “grotesco”, “resgate pela liberdade” – da coletiva à imprensa na quarta-feira de manhã. Isso mostra que o comitê formado por secretários do governo e que negocia o fim da paralisação dos policiais neste exato momento, na realidade, não está negociando nada. Afinal, negociação pressupõe ouvir, ponderar, impor-se, mas, também, ceder. Na medida em que o governador reafirmou que não há espaço para aumento (principal bandeira antes do aquartelamento da PM, na terça à noite), e, ainda, que puniria os responsáveis pelo movimento (no que ele chamou de “reestruturação” da PM), a anistia aos policiais se tornou um ponto inegociável. Ocorre que esse é, agora, o ponto principal das representantes dos policiais na negociação travada com os membros do comitê de crise.

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3. Foi óbvia a tentativa de jogar a PM contra a sociedade, tanto do aspecto técnico (não há dinheiro para aumentos) como ético (responsabilizando-os pelas consequências da paralisação). Ao dizer que não deixaria as mortes ocorridas no período sem investigação, sugeriu, do meu ponto de vista, que manifestantes poderiam, de alguma forma, estar por detrás dessa sequência “estranha” de crimes. Fiquei com a impressão de que, no ar, estava a acusação de que militares teriam criado um certo “clima de terror”. Por outro lado, os panelaços ouvidos em alguns bairros são indício de que o governador também se desgastou nesse processo, embora, curiosamente, a estratégia do protesto – as panelas – revele o perfil mais conservador daqueles que em 2015/2016 gritaram “fora Dilma”. Nesse sentido, esse perfil é muito mais afeito ao endurecimento do que ao diálogo, em geral. Portanto, é possível que, se a postura do governador funcionar, ele saia ainda mais fortalecido junto à sociedade capixaba.

4. Por fim, a nacionalização da crise é evidente. A pergunta sobre o Rio de Janeiro permitiu que Paulo Hartung, sem o constrangimento que normalmente se esperaria diante de uma questão como essa, respondesse e falasse sobre o Rio de Janeiro como uma antítese do “sucesso” capixaba. Ao tergiversar sobre várias questões nacionais, claramente o governador buscou reproduzir, uma vez mais, sua imagem junto à opinião pública brasileira (principalmente aos mercados). Tem toda a razão quando disse que “crise é oportunidade”. Para ele, essa da segurança pública pode ser a chance de se fortalecer nacionalmente ainda mais. Lembrando que, nesse momento histórico, saídas como a que ele propõe são muito mais aceitas do que o eram até recentemente. Repressão e enquadramento dos movimentos reivindicatórios – feitos por servidores públicos ou não – podem ser liderados por Paulo Hartung com um verniz liberal que outros não têm.

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* A foto é de uma entrevista anterior.

 

 

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25 comentários

  1. O caso Espirito Santo é uma

    O caso Espirito Santo é uma prova viva do processo de “”ajuste a frio”” que se propõe em nivel nacional. No papel é tudo “by the book”, a doutrina da “lição de casa”, na vida real o resultado é outro e desastroso, como mostrou a Grecia, cujo receituario de ajuste foi criticado até pelo FMI.

    Ajustes neoliberais “lição de casa” para dar resultado dependem de um periodo de prosperidade economica.

    Na crise da recessão só a agravam e produzem situações pré-guerra civil.

    O Espirito Santo demonstra clramente que a crise social não se resulve pelo ajuste virtuoso, a coisa é bem mais complexa.

    O caso do Espirito Santo funciona como uma previa do que espera o Brasil pós-ajuste sem prosperidade.

    A entrevistadora é emblematica, um caso raro, extrema esquerda politica e extrema direita economica na mesma pessoa,

    um poço de contradições mas sempre anti-povo.

    • Concordo com sua análise, com

      Concordo com sua análise, com uma exceção: se essa moça um dia foi de extrema esquerda, certamente há tempos mudou de lado. Impossível um extremista de esquerda na globo, um completo estranho no ninho. Ninho lembra tucano. 

    • O comentário ficou fora do lugar, logo transcrevo-o aqui.

      Perfeito André, utilizaria outras palavras, mas com mesmo sentido.

      Os amadores do Golpe, como já os chamo assim há mais de dois anos, não entenderam como se dá um golpe, e por isto todos nós pagaremos muito caro pelo amadorismo da Cleptocracia que tomou conta do governo.

      Há mais de dois anos venho batendo na mesma tecla, mas como estes textos não agradam o Nassif eles ficam no meu blog, principalmente porque são textos de antecipação aos acontecimentos e como as características de toda a imprensa brasileira é simplesmente o choro pelo leite derramado e jamais uma tentativa de projeção ao futuro do que acontecerá com os grandes ajustes que são empregados.

      Digo que os golpistas são amadores simplesmente porque não se estruturaram em princípios básicos que se deve ter antes de um golpe, e dentre estes princípios básicos deve-se ter o apoio de alguns estados importantes e principalmente um esquema de repressão bem montando. Em 1964 os golpistas contavam com as forças armadas, atualmente eles esqueceram que estas forças armadas estão mais preocupadas com o seu reaparelhamento do que qualquer outra coisa, e este visavam a formar forças armadas com projeção para o exterior e não com treinamento para baixar o pau na população e muito menos enfrentar as polícias militares.

      Não ouvi a entrevista do governador do Espírito Santo, porém não pense ele pagando uma merreca a sua força policial que por intimidação os policiais após se sublevarem vão darem bola para suas ameaças, e que adianta a população ficar contra a polícia militar, a população sempre esteve contra a polícia militar e a cada declaração como a do governador além de continuar contra a população eles ficarão contra o governador.

      Colocaste de forma apropriada que estamos numa situação pré-guerra civil, não chegaria a este ponto, diríamos que estamos numa situação como ocorreu na Rússia em 1905, onde a grande manifestação foi chefiada por um padre da igreja ortodoxa.

      Os golpistas estão chegando a um ponto de não retorno, a Cleptocracia se largar o governo vai toda para a cadeia (na melhor das hipóteses) pois espaço em Miami não tem para todos, o saudoso Leonel Brizola dizia com propriedade, a burguesia brasileira é grande demais para ir para Miami.

  2. “A voz do dono”

    Dona Mirian deu dó essa semana com o nó na lígua que sofreu durante sua defesa da magnífica indicação do Kojak para o STF.

    Lamentável alguém se prestar a esse papel. Nem se ela ou seus filhos estivessem passando fome se justificaria tal sabujice.

    (comentário a partir de audição por alguns segundos de passagem em lugar público sintonizado no PLIMPIG) 

  3. Há dois anos publiquei um

    Há dois anos publiquei um texto alertando para o processo de balcanização do Brasil descarada e diariamente promovido pela Rede Globo e por Mirian Leitão.

    http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/miriam-leitao-e-a-balcanizacao-partidaria-do-brasil-por-fabio-de-oliveira-ribeiro

    O resultado aí está: o Espírito Santo em guerra civil e o conflito se alastrando para o Rio de Janeiro.

    Mirian Leitão deve estar satisfeita: ela conseguiu derrubar Dilma Rousseff. Não ficarei surpreso ou triste quando a guerra civil entrar pela porta da frente da mansão dela. Causa e efeito.

  4. Inverteu-se a função do
    Inverteu-se a função do Estado. Este já não existe para prestar serviço a sociedade. Seu objetivo maior passa a ser ter superávit orçamentário a qualquer custo. Prestar serviços dignos, so se não prejudicar o objetivo maior. E a malquice absoluta. Se é para levar os serviços públicos a inanição é mais racional acabar com Estado e seus respectivos impostos deixando o dinheiro com os cidadãos para que organizem seus próprios serviços.

  5. mais um pinel na lona

    Para o sucesso das medidas a força policial/militar são as favas contadas deste ditadorzinho (descendente de alemães?) com o risco que as policiais tendo origens nas classes que pretensamente devem combater possam se revoltar, como visto recentemente no RJ.

    Tirando a rede globo do ar, num gesto de profundo respeito à democracia, os deslumbrados hartungs e lava jato refluem na insignificância, mas quem tem capacidade para colocar o guiso no gato?

    • Uma resposta: NÃO!!
      Este

      Uma resposta: NÃO!!

      Este governador sempre foi um traidor. Passeou por diversos partidos, mas nunca deixou de ser um autentico tucano. 

      Golpista de 1ª hora, foi um dos incentivadores de MT. 

      Quando precisou de dinheiro para fechar as contas do Governo, isso lá em 2003, Lula o ajudou, com adiantamento dos royalties do petróleo. Como um escorpião, traiu não só o PT de Lula e Dilma, como também vários de seus “amigos”

  6. Os Policiais não querem aumentos, querem reposição das perdas

    O governador disse que não há dinheiro para aumento. Ocorre que os policiais não estão lutando por aumentos mas por reposição das suas perdas salariais.

    A Miriam Leitão jamais corrigiria o governador sobre esse equívoco.

  7. Desde muito cedo a Mirian

    Desde muito cedo a Mirian procurava o seu conforto pessoal e familiar.

    Cansou de usar a “esquerda” como sobrenome e acabou, desde

    sempre, nos braços dos marinhos e fazendo exatamente aquilo

    que eles querem que ela faça.

  8. Perfeito André, utilizaria outras palavras, mas com mesmo ….

    Perfeito André, utilizaria outras palavras, mas com mesmo sentido.

     

    Os amadores do Golpe, como já os chamo assim há mais de dois anos, não entenderam como se dá um golpe, e por isto todos nós pagaremos muito caro pelo amadorismo da Cleptocracia que tomou conta do governo.

     

    Há mais de dois anos venho batendo na mesma tecla, mas como estes textos não agradam o Nassif eles ficam no meu blog, principalmente porque são textos de antecipação aos acontecimentos e como as características de toda a imprensa brasileira é simplesmente o choro pelo leite derramado e jamais uma tentativa de projeção ao futuro do que acontecerá com os grandes ajustes que são empregados.

     

    Digo que os golpistas são amadores simplesmente porque não se estruturaram em princípios básicos que se deve ter antes de um golpe, e dentre estes princípios básicos deve-se ter o apoio de alguns estados importantes e principalmente um esquema de repressão bem montando. Em 1964 os golpistas contavam com as forças armadas, atualmente eles esqueceram que estas forças armadas estão mais preocupadas com o seu reaparelhamento do que qualquer outra coisa, e este visavam a formar forças armadas com projeção para o exterior e não com treinamento para baixar o pau na população e muito menos enfrentar as polícias militares.

     

    Não ouvi a entrevista do governador do Espírito Santo, porém não pense ele pagando uma merreca a sua força policial que por intimidação os policiais após se sublevarem vão darem bola para suas ameaças, e que adianta a população ficar contra a polícia militar, a população sempre esteve contra a polícia militar e a cada declaração como a do governador além de continuar contra a população eles ficarão contra o governador.

     

    Colocaste de forma apropriada que estamos numa situação pré-guerra civil, não chegaria a este ponto, diríamos que estamos numa situação como ocorreu na Rússia em 1905, onde a grande manifestação foi chefiada por um padre da igreja ortodoxa.

     

    Os golpistas estão chegando a um ponto de não retorno, a Cleptocracia se largar o governo vai toda para a cadeia (na melhor das hipóteses) pois espaço em Miami não tem para todos, o saudoso Leonel Brizola dizia com propriedade, a burguesia brasileira é grande demais para ir para Miami.

  9. Paulo Hartung.

    Por Luis Nassif

    “O grande modelo de gestão pública atual é o que se passou no pequeno Espírito Santo. Paulo Hartung e seu grupo assumiram um estado praticamente refém do crime organizado. Primeiro, acertaram as contas públicas. Depois, implantaram modelos de gestão de primeiríssima, convocando alguns dos melhores quadros da área pública brasileira.

    Agora, com os royalties do petróleo, estão preparando um salto de grandes realizações.

    Não é à toa que o governador eleitor do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que prometeu um “choque de gestão” no Estado, começou suas visitas pelo Espírito Santo.

    Alô, alô, se houver algum capixaba com dados aí, favor remeter ao blog e ao Projeto Brasil mais dados sobre a revolução gerencial no estado.”

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-choque-de-gestao-capixaba

  10. + comentários

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