5 de junho de 2026

Quando os jornais tentam prever o futuro, por Suzana Singer

Da Folha

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Manchetes que se dissolvem

Sem apuração sólida, títulos que tentam prever o futuro são contestados pelas fontes da informação

Suzana Singer

Jornais não foram feitos para prever o futuro, nem em final de ano. Duas manchetes recentes da Folha que tentaram adivinhar o que vai acontecer estão sendo, com razão, duramente contestadas.

A primeira delas, do domingo passado, dizia que “Eleição faz Alckmin dobrar gasto mensal com propaganda”. A outra, de terça-feira, era “Delator de esquema de espionagem vai pedir asilo ao Brasil”.

À primeira vista, os dois títulos parecem até óbvios. Ninguém duvida que o governo estadual –assim como o federal– vá concentrar os gastos com publicidade no primeiro semestre, até porque a legislação proíbe anunciar nos meses que antecedem a eleição.

No caso do ex-espião Edward Snowden, é fácil deduzir que ele gostaria de viver aqui, já que ele escreveu uma carta ao povo brasileiro e há um abaixo-assinado pedindo ao governo para dar-lhe asilo.

Uma análise detalhada das duas reportagens mostra, no entanto, que conclusões lógicas não são suficientes para sustentar uma manchete que não se desmanche no ar.

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No caso de Alckmin, a Folha cravou que ele vai dobrar o gasto mensal com propaganda em 2014, quando tentará reeleger-se. O dispêndio com publicidade saltaria de R$ 16,1 milhões por mês (2013) para R$ 31,5 milhões (2014). Para chegar a esse resultado, o jornal:

1) dividiu o que foi gasto até 12 de dezembro deste ano por 12 meses;

2) dividiu o que foi orçado em 2014 por seis meses, levando em consideração que é proibido anunciar de julho a outubro.

As duas contas estão equivocadas. No cálculo do montante de 2013, não entraram as despesas a serem pagas até o fim deste mês –entre as quais uma campanha do governo que está sendo veiculada no intervalo do “Jornal Nacional”.

No segundo passo, o jornal assumiu que Alckmin vai torrar tudo no primeiro semestre de 2014, sem deixar verba para os meses pós-eleição, o que o governo nega que pretenda fazer.

“Sabemos, por apuração nossa, que o governo estadual planeja concentrar no primeiro semestre o investimento em propaganda. Uma das fontes disse que o plano é gastar o máximo possível até abril”, afirma a editoria de “Poder”.

Essa apuração em “off’ não está na reportagem e é difícil de ser provada, porque se refere a algo que o governo pretenderia fazer.

A reportagem sobre Edward Snowden partia da “Carta Aberta ao Povo do Brasil”, obtida com exclusividade pela Folha, em que ele diz que gostaria de ajudar as investigações brasileiras sobre a espionagem dos EUA, mas não consegue porque não tem um lugar permanente para viver.

Na carta, Snowden não faz um pedido de asilo –segundo a reportagem, para não criar um constrangimento com o governo russo, que lhe dá abrigo até 2014.

O jornalista Glenn Greenwald, que deu o furo sobre as ações da Agência de Segurança Nacional dos EUA, tuitou: “A grande imprensa é incapaz de ler uma carta curta antes de fazer uma manchete falsa a respeito? Não é tão difícil…”.

A editoria de “Mundo” diz que baseou a manchete em uma apuração em “off”, não na carta, mas isso não estava claro no texto.

O jornal poderia ter evitado esse desgaste se destacasse no título o fato de Snowden ter oferecido ajuda para apurar crimes de espionagem cometidos contra o Brasil. Era um ponto importantíssimo, polêmico e… estava na carta.

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Os casos acima se somam a outras manchetes questionadas ao longo do ano –a de maior repercussão foi “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação” (8/11).

Fica a impressão de que, para fazer barulho, a Folha está subindo o tom das manchetes. Não vale a pena. Nenhum jornal de qualidade deve trocar exatidão por repercussão.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. sergio luis brito

    22 de dezembro de 2013 12:21 pm

    Simples, a Folha escreve para

    Simples, a Folha escreve para tolos, quem pensa, lê para criticar, sempre.

  2. josé adailton

    22 de dezembro de 2013 1:43 pm

    TOLOS

    Enquanto isso, o PIG não dá sossego ao Zé Dirceu…

    Dirceu abriu filial de sua consultoria no Panamá

     

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1389065-eua-apertam-cerco-e-captura-de-imigrante-ilegal-bate-recorde.shtml

    Repetindo, para evitar que você se confunda: Dirceu abriu no Panamá uma filial da sua Consultoria, que funciona no mesmo local da Truston, que controla o Hotel Saint Peter, que ofereceu emprego a Dirceu, que aceitou, mas teve de voltar atrás depois que se descobriu que seu “empregador” tinha como acionista majoritário um “laranja” vinculado ao Morgan & Morgan, escritório panamenho que serve de endereço para a consultoria de Dirceu e para a controladora do hotel que o empregaria em Brasília. Ufa!!!

    …………………………………………………………………………………………………………………

    Suprema coincidência: embora funcionem no mesmo endereço, a assessoria de Dirceu informa que a JD Consultoria e a Truston não têm nada a ver uma com a outra. Tudo muito claro, como se vê. 

    ……………………………………………………………………………………………………………………

    Tomada pelo contrato social, a firma de Dirceu faz algo muito parecido com lobby. Por exemplo: atua na intermediação de “parcerias empresariais com os países do Mercosul”. Facilita o “relacionamento institucional de particulares com os mais variados setores da administração pública”

    …………………………………………………………………………………………………………………….

  3. josé adailton

    22 de dezembro de 2013 1:57 pm

    TOLOS 2

    folha de são paulo http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/144831-o-fim-de-uma-religiao.shtml

    SÃO PAULO – “Annuntio vobis tristitiam magnam…”. Ops. Idioma errado. Eu vos anuncio com grande tristeza que me tornei ex-sacerdote. Sim, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, instituição por mim fundada no ano da graça de 2009, foi fechada. Já não tenho o direito legal de não pagar impostos.

    Quatro anos atrás, eu e meus colegas Claudio Angelo e Rafael Garcia criamos a tal igreja com o propósito de mostrar como era fácil escapar a tributos através de organizações religiosas. O experimento foi um sucesso. Com apenas R$ 418 e cinco dias (não consecutivos) de trâmites burocráticos, conseguimos registrar o culto e abrir uma conta bancária na qual pudemos fazer aplicações financeiras livres de impostos.

    Cumprido tal desígnio, decidimos fechar a igreja. Bem, foi mais difícil encerrá-la do que abri-la, como se pode constatar pelos anos transcorridos. É verdade que muito do atraso se deveu a desleixo nosso. Afinal, não tínhamos urgência e aí o pecado da preguiça fala mais alto.

    Isso não significa que não houve armadilhas burocráticas. Minha favorita é a da notificação de excomunhão. Cada um dos sócios-fundadores tomara um rumo. Claudio saiu da Folha e Rafael passou uma temporada no exterior. A fim de simplificar o processo e em consonância com os poderes que me autoatribuí nos estatutos da igreja, eu os excomunguei, para que pudesse assinar a papelada sozinho. O cartório, porém, não se deixou persuadir e cobrou as correspondentes notificações de excomunhão. O jurídico da Folha me convenceu de que era mais fácil ir atrás dos sócios do que argumentar.

    Nós perseveramos e nesta semana os advogados me informaram que a igreja foi finalmente encerrada.

    A pergunta fundamental que motivou o experimento permanece sem resposta: faz sentido isentar igrejas de todos os tributos quando eles são cobrados de setores mais essenciais à vida, como alimentação e saúde?

  4. josé adailton

    22 de dezembro de 2013 2:07 pm

    Idem, idem

    DAVID MIRANDA

    TENDÊNCIAS/DEBATES

    O ASSUNTO É: O DESTINO DE SNOWDEN

    Carta aberta aos brasileiros

    Se Snowden for preso, nunca mais ouviremos uma palavra desse homem que tanto nos ajudou. Temos o dever de proteger os seus direitos

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/144838-carta-aberta-aos-brasileiros.shtml

    HUSSEIN ALI KALOUT E MARCOS DEGAUT

    TENDÊNCIAS/DEBATES

    O ASSUNTO É: O DESTINO DE SNOWDEN

    Uma janela de oportunidades

    O Brasil tem muito mais a perder do que a Rússia em sua relação com os Estados Unidos se conceder eventual asilo a Edward Snowden

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/144834-uma-janela-de-oportunidades.shtml

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