Da Folha
Sem apuração sólida, títulos que tentam prever o futuro são contestados pelas fontes da informação
Suzana Singer
Jornais não foram feitos para prever o futuro, nem em final de ano. Duas manchetes recentes da Folha que tentaram adivinhar o que vai acontecer estão sendo, com razão, duramente contestadas.
A primeira delas, do domingo passado, dizia que “Eleição faz Alckmin dobrar gasto mensal com propaganda”. A outra, de terça-feira, era “Delator de esquema de espionagem vai pedir asilo ao Brasil”.
À primeira vista, os dois títulos parecem até óbvios. Ninguém duvida que o governo estadual –assim como o federal– vá concentrar os gastos com publicidade no primeiro semestre, até porque a legislação proíbe anunciar nos meses que antecedem a eleição.
No caso do ex-espião Edward Snowden, é fácil deduzir que ele gostaria de viver aqui, já que ele escreveu uma carta ao povo brasileiro e há um abaixo-assinado pedindo ao governo para dar-lhe asilo.
Uma análise detalhada das duas reportagens mostra, no entanto, que conclusões lógicas não são suficientes para sustentar uma manchete que não se desmanche no ar.

No caso de Alckmin, a Folha cravou que ele vai dobrar o gasto mensal com propaganda em 2014, quando tentará reeleger-se. O dispêndio com publicidade saltaria de R$ 16,1 milhões por mês (2013) para R$ 31,5 milhões (2014). Para chegar a esse resultado, o jornal:
1) dividiu o que foi gasto até 12 de dezembro deste ano por 12 meses;
2) dividiu o que foi orçado em 2014 por seis meses, levando em consideração que é proibido anunciar de julho a outubro.
As duas contas estão equivocadas. No cálculo do montante de 2013, não entraram as despesas a serem pagas até o fim deste mês –entre as quais uma campanha do governo que está sendo veiculada no intervalo do “Jornal Nacional”.
No segundo passo, o jornal assumiu que Alckmin vai torrar tudo no primeiro semestre de 2014, sem deixar verba para os meses pós-eleição, o que o governo nega que pretenda fazer.
“Sabemos, por apuração nossa, que o governo estadual planeja concentrar no primeiro semestre o investimento em propaganda. Uma das fontes disse que o plano é gastar o máximo possível até abril”, afirma a editoria de “Poder”.
Essa apuração em “off’ não está na reportagem e é difícil de ser provada, porque se refere a algo que o governo pretenderia fazer.
A reportagem sobre Edward Snowden partia da “Carta Aberta ao Povo do Brasil”, obtida com exclusividade pela Folha, em que ele diz que gostaria de ajudar as investigações brasileiras sobre a espionagem dos EUA, mas não consegue porque não tem um lugar permanente para viver.
Na carta, Snowden não faz um pedido de asilo –segundo a reportagem, para não criar um constrangimento com o governo russo, que lhe dá abrigo até 2014.
O jornalista Glenn Greenwald, que deu o furo sobre as ações da Agência de Segurança Nacional dos EUA, tuitou: “A grande imprensa é incapaz de ler uma carta curta antes de fazer uma manchete falsa a respeito? Não é tão difícil…”.
A editoria de “Mundo” diz que baseou a manchete em uma apuração em “off”, não na carta, mas isso não estava claro no texto.
O jornal poderia ter evitado esse desgaste se destacasse no título o fato de Snowden ter oferecido ajuda para apurar crimes de espionagem cometidos contra o Brasil. Era um ponto importantíssimo, polêmico e… estava na carta.

Os casos acima se somam a outras manchetes questionadas ao longo do ano –a de maior repercussão foi “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação” (8/11).
Fica a impressão de que, para fazer barulho, a Folha está subindo o tom das manchetes. Não vale a pena. Nenhum jornal de qualidade deve trocar exatidão por repercussão.
sergio luis brito
22 de dezembro de 2013 12:21 pmSimples, a Folha escreve para
Simples, a Folha escreve para tolos, quem pensa, lê para criticar, sempre.
josé adailton
22 de dezembro de 2013 1:43 pmTOLOS
Enquanto isso, o PIG não dá sossego ao Zé Dirceu…
Dirceu abriu filial de sua consultoria no Panamá
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/12/1389065-eua-apertam-cerco-e-captura-de-imigrante-ilegal-bate-recorde.shtml
Repetindo, para evitar que você se confunda: Dirceu abriu no Panamá uma filial da sua Consultoria, que funciona no mesmo local da Truston, que controla o Hotel Saint Peter, que ofereceu emprego a Dirceu, que aceitou, mas teve de voltar atrás depois que se descobriu que seu “empregador” tinha como acionista majoritário um “laranja” vinculado ao Morgan & Morgan, escritório panamenho que serve de endereço para a consultoria de Dirceu e para a controladora do hotel que o empregaria em Brasília. Ufa!!!
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Suprema coincidência: embora funcionem no mesmo endereço, a assessoria de Dirceu informa que a JD Consultoria e a Truston não têm nada a ver uma com a outra. Tudo muito claro, como se vê.
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Tomada pelo contrato social, a firma de Dirceu faz algo muito parecido com lobby. Por exemplo: atua na intermediação de “parcerias empresariais com os países do Mercosul”. Facilita o “relacionamento institucional de particulares com os mais variados setores da administração pública”
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josé adailton
22 de dezembro de 2013 1:57 pmTOLOS 2
folha de são paulo http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/144831-o-fim-de-uma-religiao.shtml
SÃO PAULO – “Annuntio vobis tristitiam magnam…”. Ops. Idioma errado. Eu vos anuncio com grande tristeza que me tornei ex-sacerdote. Sim, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, instituição por mim fundada no ano da graça de 2009, foi fechada. Já não tenho o direito legal de não pagar impostos.
Quatro anos atrás, eu e meus colegas Claudio Angelo e Rafael Garcia criamos a tal igreja com o propósito de mostrar como era fácil escapar a tributos através de organizações religiosas. O experimento foi um sucesso. Com apenas R$ 418 e cinco dias (não consecutivos) de trâmites burocráticos, conseguimos registrar o culto e abrir uma conta bancária na qual pudemos fazer aplicações financeiras livres de impostos.
Cumprido tal desígnio, decidimos fechar a igreja. Bem, foi mais difícil encerrá-la do que abri-la, como se pode constatar pelos anos transcorridos. É verdade que muito do atraso se deveu a desleixo nosso. Afinal, não tínhamos urgência e aí o pecado da preguiça fala mais alto.
Isso não significa que não houve armadilhas burocráticas. Minha favorita é a da notificação de excomunhão. Cada um dos sócios-fundadores tomara um rumo. Claudio saiu da Folha e Rafael passou uma temporada no exterior. A fim de simplificar o processo e em consonância com os poderes que me autoatribuí nos estatutos da igreja, eu os excomunguei, para que pudesse assinar a papelada sozinho. O cartório, porém, não se deixou persuadir e cobrou as correspondentes notificações de excomunhão. O jurídico da Folha me convenceu de que era mais fácil ir atrás dos sócios do que argumentar.
Nós perseveramos e nesta semana os advogados me informaram que a igreja foi finalmente encerrada.
A pergunta fundamental que motivou o experimento permanece sem resposta: faz sentido isentar igrejas de todos os tributos quando eles são cobrados de setores mais essenciais à vida, como alimentação e saúde?
josé adailton
22 de dezembro de 2013 2:07 pmIdem, idem
DAVID MIRANDA
TENDÊNCIAS/DEBATES
O ASSUNTO É: O DESTINO DE SNOWDEN
Carta aberta aos brasileiros
Se Snowden for preso, nunca mais ouviremos uma palavra desse homem que tanto nos ajudou. Temos o dever de proteger os seus direitos
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/144838-carta-aberta-aos-brasileiros.shtml
HUSSEIN ALI KALOUT E MARCOS DEGAUT
TENDÊNCIAS/DEBATES
O ASSUNTO É: O DESTINO DE SNOWDEN
Uma janela de oportunidades
O Brasil tem muito mais a perder do que a Rússia em sua relação com os Estados Unidos se conceder eventual asilo a Edward Snowden
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/144834-uma-janela-de-oportunidades.shtml